sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Crônicas da Terceira Era - Ruínas Sombrias - Parte III

Algo pegajoso, resistente e quase invisível os prendia. Eram as teias tecidas pelas aranhas gigantes de Mirkwood. Elmara, a dúnedan, e Robin, o hobbit, estavam envolvidos por elas. A sua frente, o pouco que conseguiam ver não era muito animador. A direita, pendurando em uma árvore estava o goblin que seguiam, preso, inchado e com os olhos virados. Um ferimento em seu torço indicava que ele, provavelmente, fora ferido pelo ferrão de uma aranha. A sua frente eles podiam ver o início de uma clareira, as árvores ao redor dela eram muito altas e estavam todas cobertas com o que pareciam ser um emaranhado de teias. No chão, uma aranha jazia imóvel, com as patas para cima, parecia morta. Ao seu redor, pelo chão, marcas de uma luta que ocorrera a pouco tempo. O sangue da aranha podia ser visto ao seu redor e em alguns pontos um sangue negro, como o dos goblins dava a entender que uma batalha ocorreu ali. Esse sangue formava um rastro que atravessava a clareira até o seu outro extremo. Não sabiam quantas aranhas estariam por ali, sabiam apenas que precisavam sair de lá o mais rápido que conseguissem.

Robin esticou o braço e pegou logo sua espada. Elmara quis acender uma tocha para queimar as teias ao seu redor e procurou sua pederneira. A patrulheira aproveitou para usar as faíscas que gerava como uma tentativa de sinal para o resto do grupo que aguardava os dois, mais atrás. Os dois só perceberam, tarde demais, que quanto mais se moviam, mais a prisão ao seu redor vibrava. Se alguma aranha estivesse por ali, já sabia que tinha visitas. E estava, ou melhor, estavam. Em pouco tempo, diversos aglomerados de olhos brilhantes podiam ser vistos na copa das árvores.

Nesse momento, a tensão aumentou entre os heróis. Elmara chamou por seus companheiros enquanto tentava se soltar. Robin já estava cortando os fios que o prendiam, não queria ficar ali esperando que aqueles monstro chegassem até eles. Enquanto isso, as criaturas se aproximavam cada vez mais, sentiam, agora, o cheiro de carne fresca. Drarin, Klandrin e Aerandir foram ao encontro da dúnedan e do hobbit, tentando libertá-los o mais rápido que conseguíssem.

Das sombras, então, veio uma voz aguda e maligna: "Ah, temos visitas para o jantar. Não vamos ter que comer apenas carne de goblins!". Duas aranhas saltaram do alto e atacaram Elmara e Robin quando eles tinham acabado de se soltar. Por sorte os aracnídeos não conseguiram prendê-los nas teias novamente. Ao mesmo tempo, mais quatro dessas criaturas chegaram e avançaram sobre o resto do grupo pelos flancos. Os monstros tentavam envolver os aventureiros em teias para depois atacá-los com seus ferrões envenenados. Aerandir tinha ficado para trás para flechá-los mas foi surpreendido por uma aranha que saltou por cima de seus companheiros para atacá-lo. O elfo, pego de surpresa foi preso pelas teias.

Enquanto isso, o resto do grupo lutava ferozmente com aquelas criaturas. Klandrin, conseguiu se esquivar do ataque daquela que o atacava e com apenas um golpe decapitou-a. Agora, iria ajudar o companheiro elfo. Elmara se defendia com o escudo enquanto queimava todo o emaranhando de teias ao seu redor para não correr riscos. Drarin lutava com duas aranhas ao mesmo tempo, as criaturas se movimentavam ao seu redor tentando pegá-lo desprevenido, mas o anão estava atento e conseguiu ferir gravemente uma das aranhas. O barulho de metal se chocando contra a carapaça dura daquelas criaturas ecoava pela clareira.

A batalha não durou muito, mas Aerandir foi perfurado pelo ferrão envenenado de uma das aranhas, que logo depois foi morta com uma machadada no tronco. Em pouco tempo o elfo já se sentia tonto e incapaz de se mover. Os outros membros da companhia lutaram bravamente contra seus oponentes, lado a lado e juntos derrubaram aquelas criatura, com exceção de uma, que fugiu pulando para a copa de uma árvore próxima. Podiam ouví-la gritando com uma voz estridente "Irmãs! Irmãs! Elfos, anões, homens e uma criatura nojenta invadiu nossa morada! Venham, venham rápido!".

Os heróis se recompuseram como podiam, decidindo se tentavam atravessar a clareira ou voltavam pelo caminho que vieram. Quando, depois de exitarem por algum tempo, ouviram o barulho de muitas criaturas se movimentando a frente deles, viram centenas de olhos brilhantes e avermelhados começando a aparecer entre o emaranhado de teias e árvores, e ouviram uma voz suave, sedutora e ao mesmo tempo terrível, que fazia suas espinhas tremerem, sussurrando em seus ouvidos: "Quem são vocês que se atreveram a perturbar nosso morada? Agora ficaram aqui para sempre.". Nesse momento, só pensaram em correr.

Klandrin botou sobre seus ombros o elfo caído e se afastava o mais rápido que conseguia. Os anões são famosos por sua força e resistência, mas carregar um elfo nos ombros não era fácil. Robin, correu logo e em pouco tempo já estava distante dos outros, hobbits quando em perigo são muito rápidos. Elmara ia logo atrás, junto com Drarin. Foi então que duas aranhas gigantes desceram a frente deles. Estavam, agora, separados do resto do grupo.

Os dois trocaram golpes com as aranhas, mas estavam ficando para trás, em breve outras chegariam. Klandrin pediu para que Robin cuidasse de Aerandir e foi socorrê-los. O esforço conjunto dos três parecia ser suficiente para matar aquelas criaturas. A luta foi rápida e logo eles estavam em fuga novamente. Mas a sorte não estava do lado dos heróis, e Klandrin, correndo desesperado, no escuro, escorregou em uma pedra congelada, e caiu. Ele rolou colina abaixo, pois o lugar onde estavam era elevado e um colina se formava ao lado do leito de um riacho.

Era praticamente impossível enxergar naquela escuridão, mas todos escutaram o barulho de algo caindo e rolando ladeira abaixo, combinado com os gemidos e grunhidos do anão. Então, Drarin parou, tinha que achar seu companheiro, não podia deixá-lo para trás. Klandrin chamava por socorro e mediante o som da sua voz, eles os encontraram, e jogaram uma corda para puxá-lo. Assim que conseguiram trazê-lo para cima novamente, porém, ouviram novamente aquela voz sinistra: "Vocês são meus, e é comigo que lutarão para sobreviver".

Entre a escuridão e a neblina gelada que permeava toda a floresta surgiu uma aranha gigantesca, de carapaça escura, cheia de espinhos e a cabeça de aparência quase humana, porém deformada, com símbolos de magia proibida escritos sobre a pela. Os olhos da criatura eram grandes, redondos e negros. Uma fumaça escura como escuridão envolvia o monstro. Era uma criatura antiga e poderosa, a presença dela instigava o medo no coração deles. Klandrin e Elmara logo se prepararam para correr, não pretendiam ficar ali testando a sorte contra o monstro, porém Drarin segurou firme seu machado, preparou seu escudo e ficou preparado para a investida da grande aranha. Os outros dois heróis, que já estavam se afastando, decidiram voltar, não deixariam o companheiro se sacrificar por eles, estavam naquela viajem juntos.

Embora com o coração apertado e angustiado pela influência daquela criatura sombria, os três se posicionaram para combatê-la. Drarin, porém, foi enfeitiçado pelo olhar escuro da grande aranha, ele não conseguia atacá-la, como se estivesse confuso e enamorado pelo monstro. A dúnedan investiu contra ela com sua espada, ferindo-a em uma das patas, mas não conseguiu impedir que Klandrin fosse envenenado pelo ferrão da criatura enquanto tentava atacá-la pelo lado. O anão cambaleou um pouco e logo caiu no chão. Enquanto isso, Drarin se defendia com seu escudo sem conseguir empunhar seu machado contra a aranha, o feitiço da criatura dominava parte de seu corpo e ele a amaldiçoava por isso. A luta era difícil, cada golpe era rebatido com um contra-golpe do outro lado. Em volta, muitas aranhas observavam aquela luta, interessadas no resultado.

Depois de alguns minutos, com um dos anões caído, Elmara e Drarin decidiram que talvez fosse mais sensato fugir daquele monstro. Enquanto a dúnedan distraía a grande aranha, o anão pegou seu companheiro e correu o mais rápido que conseguia. Elmara logo veio atrás, gritando para que não parassem. Aquela criatura urrou de raiva, chamando-os de covardes. Todas as outras, que estavam observando a luta de longe, se agitaram e saíram em busca do grupo. Agora eles corriam para sobreviver.

Já estavam ficando cansados quando avistaram, colina abaixo uma caverna entre a luz que o pequeno riacho refletia. Elmara rapidamente falou para que se escondessem lá, e Robin, já exausto por estar puxando Aerandir, que ainda estava paralisado, foi direto para lá. Drarin, no entanto, não seguiu o conselho e continuou a correr. Os anões, quando determinados e sobre pressão são capazes de grandes feitos, e ele conseguiu, mesmo sendo perseguido por centenas de aranhas chegar até a passagem pelo Rio da Floresta.

Quando chegou àquele lugar, percebeu que seus perseguidores hesitaram, não chegavam perto do rio. Ele começou então a atravessá-lo da melhor maneira que conseguia e apenas ouvia as aranhas amaldiçoando-o e rodeando angustiadas a margem sul. Estava a salvo do outro lado, podiam descansar. Não conseguindo avistar nenhum lugar evidentemente protegido, apenas encostou o companheiro em uma árvore, cobriu-o com uma pele e cai exausto ao seu lado, despertando apenas no dia seguinte.

Na caverna, Elmara, Robin e Aerandir se mantiveram imóveis e silenciosos. Podiam ouvir uma grande movimentação das aranhas ao redor deles, e foi muito difícil dormir. Sempre acordavam qual o menor dos barulho, com medo de que fossem descobertos. A dúnedan passou a noite cuidando do elfo enquanto o hobbit dormiu, exausto.

A manhã seguinte chegou fria, e com uma forte neblina combinada com uma neve vigorosa. Graças a Elmara, Aerandir já estava se sentindo um pouco melhor, e conseguia falar e mexer um pouco seus braços, mas ainda precisava de ajudo para andar. Eles e Robin decidiram que voltariam para o norte, atravessariam o rio e procurariam ajuda. Não tinham certeza de que os anões haviam sobrevivido e esperavam pelo pior.

Depois de duas horas, eles chegaram às margens do Rio da Floresta. Nenhuma aranha podia ser vista no local, elas não costumavam sair durante o dia. Porém um som os deixou esperançosos novamente, a voz de Drarin chamando seus nomes. Eles haviam sobrevivido. Conversaram rápido sobre o que ocorrera no dia anterior e o anão os levou até Klandrin, que ainda estava muito mal. Elmara cuidaria dele durante aquele dia, mas precisavam procurar um lugar para se abrigar do frio. Foi então que viram o pássaro marrom novamente, olhando-os fixamente.
Elmara, então, falou com a ave usando o idioma dos elfos, o Sindarin, e a ave respondeu. Ela queria saber quem eram, e o que fazia naquela floresta. Perguntou também o que acontecera, mas Elmara não respondeu nenhuma pergunta, ela desconfiava da ave. Ela disse, no entanto, que eram inimigos das sombras, mas o pássaro não parecia muito convencido e voou para longe, como se houvesse sido chamado por alguém.

Já estava no começo da tarde e não tinham nenhum abrigo do frio. A nevasca se intensificava e o céu estava encoberto de nuvens escuras. Pouquíssima luz passava entre os galhos das árvores. Eles precisavam encontrar um local para se abrigar ou a vida de Klandrin correria risco. Será que conseguiriam achar a caverna que ficaram antes, ou, pelo menos, algum lugar onde pudessem acender uma fogueira e se esquentarem?

Essa história está sendo criada em uma mesa de The One Ring - Adventures over the Edge of the Wild. Cada sessão corresponde a uma parte da história, que se cria e modifica conforme todos os envolvidos decidem o que seus personagens fazem e como eles reagem.

Para ler a segunda parte dessa crônica clique aqui.