domingo, 20 de dezembro de 2015

Então você quer comprar um item mágico - Transforme isso em uma aventura

Arte de Doug Kovacs
Mais cedo ou mais tarde em nossos jogos de fantasia, um jogador irá acumular uma grande quantidade de tesouros e, acostumado com os jogos de hoje em dia, dirá que quer comprar itens mágicos. Eu já cheguei a escrever por aqui sobre o que acho da comercialização destes objetos encantados e o impacto que essa prática causa à campanha. De maneira geral, acredito que ela banaliza a magia, a torna comum demais e não acrescenta muito ao jogo, tornando algo que deveria ser fantástico em mundano. No entanto, como tudo, há exceções.

A compra e venda de itens mágicos também pode se tornar fantástica e interessante. O mestre pode se utilizar da prática para criar tramas e aventuras em torno dela, ao invés de apenas uma ida ao “mercadinho”. Itens mágicos deveriam ser objetos raríssimos, especiais e únicos, certo? Então a compra e venda destes objetos não podem ser um evento mundano. Se pararmos para pensar, como acontece o comércio de objetos raros e especiais em nosso mundo? Se você quer comprar uma obra de arte raríssima de um artista especial, você vai em qualquer esquina e consegue encontra-la? Claro que não.

Leilão: talvez um feiticeiro, colecionador, criatura extraplanar ou outro indivíduo com acesso a diversos objetos encantados resolva fazer um leilão dos mesmos. Este é um grande evento. Privativo, secreto e em um lugar especial. Conseguir convites (ou mesmo descobrir o local e adentrá-lo) pode ser o objetivo de algumas aventuras. Ao lado de objetos realmente mágicos, muitas coisas mundanas porém exóticas são também vendidas (e descobrir qual delas é realmente mágica pode ser outra aventura). NPCs estranhos e conhecidos podem comparecer ao leilão, talvez inimigos dos PJs, seres de outros planos, todos em um ambiente “neutro”, disputando e fazendo intrigas para conseguirem o que querem. As coisas podem acabar saindo do controle. Não é preciso dizer que estes eventos devem permanecer raros, mas são uma boa oportunidade de se gastar ouro acumulado e ter uma aventura diferente.

Atelier do artista: podem existir seres, feiticeiros e artesãos famosos pelas suas habilidades e poderes na fabricação de objetos encantados. São personagens quase lendários e ditos como rumores, porém existentes. Encontrá-los e descobrir como fazer com que aceitem produzir itens mágicos para os personagens pode ocupar muitas aventuras. Após isso, obter os materiais necessários para a fabricação do objeto pode levar o grupo a jornadas longas através do mundo (afinal, conseguir o coração de cristal do Rei Zrazztor não deve ser fácil). Esses personagens devem ser únicos, raros e difíceis de serem encontrados e convencidos. Criar objetos de poder para estranhos não é algo que aceitariam facilmente.

Melhor oferta: um feiticeiro louco mas poderoso começou a anunciar aos sete ventos que criará um artefato mágico para aquele que lhe fizer a melhor oferta (não monetária, já que ele não precisa de ouro) e uma corrida contra o tempo até a torre deste mago começa. Amigos, inimigos e famosos partem em busca de algo que possa ser oferecido ao feiticeiro. Descobrir algo que ele deseja pode ser uma bom para objetivo para uma aventura e a disputa por seu favor contra inimigos dos personagens também. Este é um evento único que não pode se repetir na campanha.

Pelo preço certo: temos também a velha e clássica maneira de se conseguir objetos de poder – o pacto e o acordo com criaturas extraplanares. Há algum tempo publiquei uma postagem sobre o preço dos acordos com demônios que pode ser uma boa fonte de inspiração para o que eles podem pedir em troca da ajuda. É claro que os personagens precisarão descobrir qual demônio exatamente pode fornecer o que eles querem, e como terão que fazer para contacta-lo. Isso sem falar no trabalho que terão, depois, para se livrar dele.

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