segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Porque eu prefiro jogar RPG a jogar Videogame

Acho que quase todo mundo que estará lendo essa postagem sabe que esse blog é um blog sobre RPGs. Mais especificamente, RPGs de mesa. É, hoje em dia temos que fazer essa distinção devido aos mundialmente jogados e conhecidos RPGs eletrônicos (sejam MMOs ou não) que saem tanto para os consoles mais populares do momento como para computadores.

Confesso que eu até tenho dificuldade para chamar esses jogos de RPG (mas isso é assunto para outro dia), mas volta e meia eu recebo algum email ou algum amigo me pergunta sobre esses jogos e fala para eu falar deles no blog. A verdade é que eu quase não jogo esses jogos. Alguns eu até tento, compro o jogo lá no Steam, começo a jogar, passa uma semana e eu esqueço dele. Não é que esses jogos sejam ruins, eles são até muito legais e divertidos, mas tem algo nos RPGs de mesa que me atraia tanto que eu acabo sempre preferindo eles a qualquer jogo eletrônico (até mesmo ler sobre RPGs de mesa pode me interessar mais que jogar computador). Essa postagem, então, é uma breve explicação de porque isso acontece comigo.

Liberdade: Não tem jeito, por mais elaborado e avançado que um jogo eletrônico possa ser ele nunca vai oferecer a liberdade que um RPG de mesa oferece. A começar pela criação dos personagens, onde você pode imaginá-la da maneira que quiser sem precisar perder horas mudando o cavanhaque do seu personagem. As regras e o mestre de jogo podem permitir, inclusive que você crie coisas novas para ele que o jogo sequer previa inicialmente. Mas isso é só o começo. No jogo em si é que as diferenças chegam a níveis incomparáveis. Quantas vezes em um RPG eletrônico você não se viu limitado, quando falando com um NPC, a algumas frases prontas que, apesar de variada, não correspondiam em nada no que você sentia que seu personagem deveria falar? Na mesa de jogo isso nunca seria um problema. Em suma, a possibilidade de pensar na hora o que você quer fazer, como você quer agir e a existência de um mestre na mesa que aceite aquele "input" sem pestanejar é algo que, infelizmente, não existe a não ser no RPG de mesa.

Adaptabilidade: Como uma consequência da liberdade, temos a adaptabilidade que o videogame não consegue reproduzir totalmente. Os jogadores só conseguem interagir com aqueles conteúdos feitos para serem interagidos, geralmente apenas aqueles que que são "importantes" para a história que o jogo quer contar, independente da história que os jogadores querem ver ou criar. Não importa o quão interessante aquela estátua antiga pareça ser, se ela não for parte de uma "quest" programada no jogo, ela não terá a menor importância ou sequer poderá ser examinada. No RPG de mesa, por outro lado, o mestre adapta o cenário e as aventuras aos interesses dos jogadores (ao menos, esse é o esperado e o que eu recomendaria que todo mestre fizesse). O mestre pode até gostar muito de histórias de caçadores de tesouros, trapaceiros que fazem tudo para conseguir o que querem mas, se os jogadores quiserem ser heróis que se sacrificam pelos inocentes e não ligam para riquezas materiais, é bom ele pensar em novas aventuras e motivações. Da mesma forma, se algo que não tinha tanta importância assim despertar um interesse grande nos jogadores, o mestre sempre pode criar uma história maior para aquilo. Adaptabilidade é algo inerente aos RPGs de mesa que é muito difícil de se reproduzir nos consoles.

Contato Social: Sim, eu sei que você pode jogar alguns jogos com até centenas e centenas de pessoas ao mesmo tempo, conversando por TeamSpeak e tudo mais. Mas, sei lá, para mim não é a mesma coisa do que sentar com mais uns 4 a 6 amigos em uma mesa, com pacotes de salgadinhos, pizzas, cervejas e outras coisas, olhar nos olhos deles, ver a reação de cada um a cada acontecimento do jogo ou a cada informação nova no bate-papo inerente da reunião social. Talvez seja o fato de estarem todos criando algo em conjunto, ou estarem todos passando pelas mesmas coisas juntos, mas o laço criado entre os jogadores de um RPG parece muito mais intenso do que com aqueles entre jogadores de um MMO. Eu fiz grandes amigos nas mesas, alguns que ficaram marcados como melhores amigos, algo que é difícil de acontecer online (embora tenha feito algumas amizades no World of Warcraft, nenhuma é tão forte).

Preço: Muita gente reclama dos preços dos livros de RPG. Sim, eles podem até assustar a primeira vista, mas se compararmos eles à jogos de videogame ou ao investimento que você deve fazer para sequer jogá-los (comprar o console, montar um PC para jogos e manter eles atualizados para os novos lançamentos), os valores dos livros são quase irrisórios (isso sem falar naqueles que tem PDFs gratuitos)! Além disso, comprando um livro, não importa o valor dele, você tem um potencial de jogabilidade praticamente infinita, limitada somente pela sua criatividade e pelo seu grupo de jogo! Os livros funcionam apenas como uma ferramente de jogo e base para que ele possa ser criado por nós e pelo nosso grupo. Ele não tem um começo, nem um fim (apesar de cada aventura e campanha possam ter, podemos sempre começar novas aventuras). Ou seja, no final, o custo benefício de um RPG é praticamente infinito.

Rejogabilidade: Como já disse acima, ao contrário dos jogos eletrônicos, que depois de você "zerá-los" você não tem porque continuar jogando, no RPG as coisas são bem diferentes, até porque não há uma história fixa. E surpreendentemente, mesmo jogando aventuras prontas mais de uma vez, a rejogabilidade delas é surpreendente, já que mudando os jogadores e o mestre a mesma aventura pode acontecer de forma totalmente diferente, algo que não acontece com um jogo eletrônico.

E vocês? Quais as razões para preferirem RPGs de mesa ou RPG eletrônicos?

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