terça-feira, 25 de novembro de 2014

Porque mestrar uma mesma aventura várias vezes?

Eu adoro ter um grupo fixo para jogar meus RPGs favoritos, desenvolver campanhas e criar mundos e histórias em conjunto. A cada sessão, algo novo e diferente. Mas eu gosto pra caramba, também, de mestrar aventuras One-Shot em eventos para desconhecidos (e amigos também). Mas não só isso, eu gosto de mestrar a mesma aventura várias vezes. Acredite ou não, eu acho que isso me ajuda a melhorar bastante como mestre de jogo.

Pode parecer estranho, mas levar uma mesma aventura várias vezes para diversas pessoas pode revelar importantes informações ao mestre do jogo sobre como ele conduz a mesa, sobre como jogadores reagem às situações, como preparar aventuras e outras coisas. Repetindo uma mesma aventura diversas vezes e com pessoas diferentes, você pode experimentar maneiras diversas de resolver a mesma situação, experimentar técnicas novas que você aprendeu em algum lugar (talvez aqui mesmo no Pontos de Experiência) e ver como pessoas diferentes pensam de forma diferente em relação a estímulos similares. Há diversas coisas a se melhorar e aprender com essa experiência.

Apresentação: Com a repetição vem a melhora. Como melhor apresentar o cenário do jogo, suas regras, a situação da aventura, as cenas, os NPCs e tudo mais. Talvez nas primeiras vezes que você narrar uma aventura a apresentação dela acabe se arrastando e você pode se esquecer de detalhes importantes, ou falar muito tempo sobre algo que não interessa ou não é importante para o jogo. Refinando a forma com a qual apresentamos o jogo e seu elementos, podemos aproveitar bem mais o tempo disponível e permitir que os jogadores tenham uma experiência de jogo mais envolvente.

Encontros afinados: Muitas vezes os encontros de uma aventura não levam em conta fatores externos e circunstanciais. Com um mestre que já conheça bem a aventura e saiba lidar com as diversas ramificações que um encontro pode ter, ele saberá adaptar aquele encontro a praticamente qualquer situação. Isso criará nele uma experiência aplicável em praticamente qualquer outro jogo. Ele saberá se precisa tornar o encontro mais fácil ou mais difícil, se seria interessante incluir um complicador na aventura e coisas do tipo. A experiência e o resultado de cada grupo torna-se bagagem e informação para que o mestre tome melhores decisões futuramente.

Interpretação de NPCs: A cada nova tentativa com a aventura, o mestre pode experimentar maneiras diferentes de apresentar os NPCs, tentando sotaques e vozes diversas, mudando a personalidade deles um pouco, alterando aparência e outras coisas. Dessa forma, você pode ver que tipo de NPC é capaz de cativar mais os personagens, qual a melhor maneira de introduzi-los no jogo e como melhor retratar seus objetivos, tanto explícitos como implícitos.

Apresentação de escolhas: Há muitas coisas em aventuras que apresentam escolhas significativas aos personagens e é papel do mestre apresentá-las de forma que os jogadores percebam que há caminhos e opções diferentes. Se sempre os jogadores escolhem uma opção entre outras tantas válidas, talvez seja hora de rever como são apresentadas essas opções, quem sabe tornando-as mais atrativas. Isso vai servir bastante na hora de você criar suas aventuras.

Eficiência: Ter que mestrar a mesma aventura em vários eventos, alguns com uma duração de tempo bem restrito vai ensinar você a ser uma pessoa mais eficiente e apta para improvisar soluções inesperadas. Já aprendo bastante sobre o que cortar em aventuras para poder dar uma experiência mais completa e conclusiva para os jogadores, sobre como acelerar combates e encontros que podem demorar muito e coisas do tipo. Às vezes, temos que ir direto ao ponto e cortar gorduras.

Aprender a criar aventuras: Tudo isso, acredito eu, vai nos ajudar a criar aventuras mais eficientes, divertidas e fáceis de se conduzir numa mesa de jogo. No final, o que vai tornar um mestre um bom mestre é a experiência por tentativa e erro mesmo. Quanto mais mestramos, mais aprendemos. Identificamos e corrigimos nossos erros e aperfeiçoamos nossos acertos.

A parte que eu mais gosto de um RPG é o ato de jogá-lo mesmo. Ver o que acontece quando os jogadores interagem com um cenário/situação e descobrir, junto com eles, o quê acontece no final. A preparação de conteúdo pode ser divertido também, mas o ato de botar tudo para acontecer é muito mais, na minha opinião. Então, trabalhar para melhorar essa execução é fundamental. Alguém aí já notou a diferença ao mestrar a mesma aventura várias vezes? Percebeu erros e oportunidades de melhora e tomou ações para aprimorar o jogo?

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