segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Sistema ou Cenário de Campanha? O que é mais importante?

Volta e meia ressurge das cinzas a velha discussão sobre o que é mais importante em um RPG, o sistema de jogo ou o cenário de campanha. Algumas pessoas tem certeza absoluta que é o sistema de jogo, já que a partir dele você joga o que você quiser e terá uma experiência muito melhor com um bom sistema não importa o cenário que você jogue. Outros, no entanto, afirmam que o sistema pouco importa e que a história do cenário é o que realmente os atrai. As regras seria apenas acessórios.

A verdade é que não há uma resposta certa única. Isso vai depender de cada grupo de jogo, da preferência e estilo de jogo de cada um. Mas termos a consciência disso e sabermos o que influência nossas escolhas e o ponto forte e fraco de tomar decisões sobre o jogo baseado nesses dois aspectos nos ajuda a nos concentrarmos naquilo que gostamos mais. Não é?

Escolhendo um jogo com base no sistema

Quando definimos que tipo de sistema de jogo queremos jogar, isso deixa claro uma série de aspectos sobre o que esperamos ver nas aventuras e na nossa mesa. Há sistemas mais realistas e detalhados que nos fornecem personagens mais "humanos" e "normais", dando a entender que os feitos dos mesmos não serão tão espalhafatosos e dependeram mais da engenhosidade dos jogadores do que dos poderes nas fichas de personagens. Os problemas que enfrentaram, por sua vez, tenderam a se focar na esfera do razoável e possível (a não ser num jogo estilo Call of Cthulhu ou DCC RPG no nível 0, claro). Já em um jogo em que os personagens tem poderes quase super-heroicos, podemos esperar coisas muito mais escandalosas e manobras absurdas. Estatísticas nas fichas tomam uma importância um tanto maior (não estou dizendo que torne a engenhosidade dos jogadores inútil). Os desafios deles serão igualmente exagerados. Raramente pequenos problemas da vida entrarão em jogo.

A completude ou lacunas nas regras também dirão bastante de como o jogo será conduzido. Há uma previsão sobre cada detalhe e possibilidade de ação (dentro de um limite do possível, claro) nas regras? Ou o jogo apresenta apenas ferramentas genéricas para resolução de ações e deixa muitas coisas em aberto para serem adjudicadas durante o jogo (focando apenas nas ações mais comuns)? Em um tipo de jogo é esperado que todos os participantes conheçam bem as regras e possam trabalhar sobre elas para otimizar seus personagens (em compensação, é mais complicado para acontecer abuso de regras por parte do mestre). No outro, as regras são mais soltas e a criatividade e imaginação imperam sobre elas, podendo o jogador se concentrar mais no que vai fazer do que na otimização de sua ficha (mas pode abrir passagem para arbitrariedades de alguns mestres).

A vantagem de se escolher um jogo com base em suas regras é a imediata constatação sobre o tipo de jogo, personagens, aventuras e escopo de problemas que deverão fazer parte do jogo. A desvantagem é que não há um cenário definido que vá gerar um plano de conhecimento comum entre os jogadores e o foco em um tipo de sistema específica em excesso pode deixar o jogo repetitivo e limitado.

Escolhendo um jogo com base no cenário

Ao definirmos que queremos jogar em um tipo de cenário ou mundo específico. Essa escolha, no entanto, costuma ser mais difícil e demorada. Que tipo de mundo queremos jogar? Como seria a magia nesse mundo? Que tipo de tecnologia há nele? O mundo sempre foi assim ou mudou há pouco tempo? Quais foram os acontecimento históricos recentes e os mais conhecidos? Há grandes personalidades conhecidas quase universalmente?

Enfim, há uma grande variedade de variáveis a se responder nessa abordagem e isso pode demorar um bocado para se alcançar um consenso. A escolha de cenários famosos ou prontos podem ajudar. embora o escopo de alguns deles seja tão grande que ainda restara um boa quantidade de coisas a se definir, como a época, região em que as aventuras se passarão, assim como o impacto delas na história conhecida do cenário.

A escolha do cenário trás algumas vantagens interessantes. Ele define o estilo de histórias e gênero de aventuras que aconteceram, os tipos de personagens que serão mais apropriados, os inimigos mais comuns, locações, histórias que serviram como base para o jogo e já indicaram que tipo de sistemas serão mais apropriados para o jogo. Para um jogo de super-heróis ambientado na Nova Iorque do universo Marvel, pegar um sistema super realista de investigação pode não ser muito apropriado. A desvantagem pode ser o tempo que demora para definirmos todas as variáveis de um cenário e, muitas vezes, o trabalho que dá adaptar certos cenários e elementos deles para sistemas de jogo que não os preveem ou não possuem ferramentas rápidas para adaptações.

No final, um método não é necessariamente melhor do que o outro e uma combinação de ambos pode se provar o ideal para muitos grupos. Eu mesmo acabo escolhendo os dois caminhos vez ou outra. Gosto de jogar uns jogos pelo sistema de jogo deles que me proporciona muita liberdade e elementos caóticos que tornam o jogo bastante emocionante e criativo. Já outros, o cenário é tão cativante e eu gosto tanto do mundo de jogo que eu me atraio pelo jogo simplesmente pelo cenário (embora as regras ainda sejam importantes para mim e eu tenha que adaptar algumas coisas).

E quanto a vocês? Costumam escolher jogos se importando mais com o sistema do jogo ou com o cenário?

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