sábado, 29 de novembro de 2014

Reporte de Campanha - Caçadores de Emoção no DCC RPG - Sessão 2

Para quem não lembra ou não leu o último reporte, o grupo dos jogadores foi formado por um bando de pessoas comuns que resolveram largar a vida dura e sofrida em uma cidade suja e opressora para tentar a sorte grande (ou a morte rápida) nas ruínas da chamada Antiga Cidade, ao sul de Punjar, que foi tomada por um pântano fedorento e cheio de monstros. É dito que muitos tesouros e segredos ainda se encontram pedidos lá, o que leva muitos coitados a criar "Companhias Livres" para explorar o lugar. Os jogadores fizeram o mesmo e se viram, depois de algumas peripécias, em uma campo alagado, com mato alto, mosquitos do tamanho de dedos gordos, com uma arena gigante de granito ao norte e um cheiro de carne sendo assada em uma fogueira vindo do leste.

Nessa sessão, um jogador que havia faltando na primeira apareceu e fizemos alguns personagens de nível zero para ele. Eles seria parte do grupo que foi para as ruínas antes dos jogadores e teria se dado um pouco mal, sorteamos um dos 4 personagens dele para ter morrido no pântano (para diminuir a quantidade de personagens e a galera já entrar no clima). A história é que o grupo dele andou um pouco em direção à arena até chegar em uma parte alagada quando algo puxou alguns membros do grupo para debaixo d'água e sangue começou a jorrar. Todo mundo saiu correndo desesperado e foi então que eles encontraram o grupo dos jogadores.

Assim, o grupo agora tinha 17 personagens de nível zero. Ofereci a oportunidade de um dos jogadores fazer um reporte de sessão como sendo um de seus personagens para tentar ganhar 1 ponto de Sorte, e um deles aceitou. Dessa forma, todo mundo já sabia o que tinha acontecido e estávamos prontos para continuar (tudo bem que faltava apenas um pouco mais de 1 hora para terminar a sessão, já que a galera chegou mega atrasada dessa vez).

O grupo, então tinha que decidir o quê fazer. Uns ficaram curiosos para ir em direção às árvores, de onde via o cheiro de churrasco, mas a maioria decidiu que era melhor irem direto para a Arena. A caminhada ao norte seguia lenta, e informei que eles chegaram a uma parte em que o terreno ficava mais alagado, provavelmente a mesma área que os "companheiros" do grupo anterior sumiram.

Foi então que pedi para que os personagens que estavam mais a frente do grupo fizessem um teste para ver se alguém enxergava o corpo de um dos coitados boiando na água, quase todo comido e cheio de marcas de dentes. Um deles conseguiu ver, mas não rolou bem o suficiente para ver os crocodilos gigantes escondidos no matagal. O grupo ficou um tempo discutindo se iria ou não examinar o cadáver, então resolvi fazer dois ataques surpresa.

De cara, um dos personagens do novo jogador morreu engolido por um crocodilo. Parte do grupo danou-se a correr, mas um dos jogadores resolveu ir bater nos bichos, mas rolou só resultados baixos no dado. Resultado? Mudinho, outro nível zero também comido, antes de todo mundo resolver fugir e tentar contornar a poça d'água onde os bichanos estavam. Eles não foram perseguidos pois os monstros estavam de barriga cheia já.

O grupo perdeu algum tempo dando uma boa volta para ficar longe da área alagada e acabou se aproximando do Arena pela lateral direita. Informei-os de que a parte nordesta da mesma estava em ruínas, desmoronada. Aparentemente havia uma torre naquele lado, mas ela ruiu. Agora, saindo das ruínas, um grande "poste" de metal com uma bola de aço no topo se erguia por uns 15 metros. Agora que estavam mais perto, podiam ver que eletricidade das nuvens escuras que pairavam sobre a arena arqueava nesse poste, como se ele fosse um para raio. Fora isso, a Arena parecia estranhamente super bem conservada, como se não tivessem passado centenas e centenas de anos desde a época em que a mesma fora abandonada.

Além de, possivelmente, poderem escalar a parte em ruínas para adentrar o local, haviam outras 3 entradas aparentes. A primeira era o portão principal, com uma passagem bem grande e larga, onde a imagem de uma grande árvore com uma bocarra cheia de dentes espalhava suas raízes ao redor do mundo esculpida na parte de cima do portal. Um portão levadiço estava erguido, como se convidando todos a entrar. As outras duas passagens eram escadas que levavam até as arquibancadas, ambas a alguns metros de distância da entrada principal (para ambos os lados). O grupo achou melhor tentar a sorte em uma das escadas, a mais próxima deles.

Dois jogadores resolveram ser cautelosos e procuraram por armadilhas ou possíveis passagens escondidas (sabiamente), mas nada encontraram. Um dos personagens, que era um aprendiz de mago, sentiu uma forte presença elemental no local (eletricidade estática), o que provavelmente conservava a Arena das intempéries. Assim que entraram na arquibancada, descrevi a cena do interior do local. No piso da arena, apenas um esqueleto jazia encostado em um muro que formava um círculo concêntrico, que cercava algo que parecia um funil gigante levando até um buraco que dava sabe-se lá onde. Esse esqueleto usava uma armadura de escamas gasta e, aparentemente, uma espada dourada. Nas arquibancadas ao redor deles, centenas, talvez até mil, esqueletos estavam ainda sentados como se estivessem esperando algum espetáculo sanguinário começar. Seus pertences eram restos e trapos depois de tantos anos. No norte da arena, um camarote se erguia da arquibancada comum, provavelmente o local onde os ricos, poderosos e o comandante do espetáculo ficava.

O grupo, naturalmente curioso, decidiu ir ver essa tal espada "de ouro", afinal ela podia valer um bocado. Enquanto isso, alguns deles tentaram vasculhar os esqueletos a procura de algo de valor (pedi um teste de sorte para eles mas eles estavam muito mal com os dados nesse dia). Acontece que, assim que o halfling colocou os pés na arena algo acordou no local.

Um raio atingiu o poste de metal e a arena tremeu. Uma barreira de energia/eletricidade contornou todo o local, efetivamente bloqueando as saídas. Ao mesmo tempo, espíritos raivosos e sedentos de sangue começavam a despertar na arquibancada, esperando outro espetáculo brutal. Gritos de "Sangue! Sangue!" começavam a ser ouvidos novamente depois de centenas de anos. Lá embaixo, das paredes da arena, buracos se abriram e começaram a atirar bolas de couro pesadas que davam 1 ponto de dano mas empurravam quem fosse atingido para o muro no centro da Arena. Muro esse, aliás que de onde começaram a sair alternadamente lanças de madeira afiadas. O halfling evitou o ataque de uma das bolas e foi pegar a espada. Para sua surpresa e decepção, tratava-se apenas de uma espada de madeira muito bem feita pintada de dourado.

Informei ao grupo que a cada segundo mais espíritos iam aparecendo e eles começaram a olhar para os personagens e tentavam empurrá-los para baixo. Alguns jogadores do grupo decidiram, então, descer para arena antes de serem jogados lá embaixo, possivelmente sofrendo ferimentos. Uma vez lá embaixo, metade deles sofriam ataques das bolas. Acabei acertando um deles, que foi empurrado para o muro de lanças, mas o jogador rolou bem e conseguiu pular o mura a tempo, antes de ser empalado e foi parar do outro lado, no funil que dava no buraco, que agora estava bloqueado por um campo elétrico. Ele tomou um choque de leve (passou em uma Jogada de Proteção de Fortitude) e viu que o buraco, de 2 metros diâmetro, tinha 4 botões espalhados pelos seus pontos cardinais. Sem saber muito o que fazer, ele decidiu apertar um e viu que o campo de força sobre o buraco desapareceu.

Enquanto isso, metade do grupo decidiu descer para arena e a outra decidiu tentar chegar até o outro lado, no camarote que viram. Informei que eles precisariam passar por 4 testes de força para chegar até lá. A cada rodada os testes seriam mais difíceis porque mais e mais espíritos iriam aparecer e tentar derrubá-los. Aliás, um personagem foi derrubado e acabou quebrando o pescoço na queda e morreu. Um outro foi derrubado também mas gastou alguns ponto de sorte para cair sem sofrer dano.

Eu achei que eles não conseguiriam chegar até o camarote, mas nesse momento os dados sorriram para o grupo. O grupo chegou até lá, mas na hora de escalar, metade foi empurrado para a arena e apenas dois conseguiram escalar para o seu interior (e lá encontraram alguns esqueletos com seus pertences bem conservados, como se alguma energia mágica os tivesse poupado). Os dois acharam algumas armaduras de escamas negras, espadas longas, um manto de seda estranha, um cedro com motivos de correntes e 3 arcos curtos.

Enquanto isso, na arena, alguns personagens conseguiu evitar as boladas, outros não tiveram tanta sorte. Um deles até morreu com uma (tinha só 1 PV). O halfling aproveitou os cadáveres e se escondeu debaixo deles, evitando ser acertado. Um outro personagem usou sua vara de 3 metros para bloquear um dos atiradores de bola e depois como alavanca para pular o muro de lanças.

Essa personagem, quando chegou na beira do buraco, tentou ver o que tinha lá mas informei que não conseguiam ver nada, era como se a escuridão fosse intransponível. Ela jogou a vara de 3m para ver a profundidade e a vara se foi. Não conseguiu ouvir o barulho dela caindo devido ao caos ao seu redor. Foi então que um dos jogadores se lembrou das palavras da Dama do Pântano, que disse que o caminho que deviam seguir era pela escuridão, e ele pulou de cabeça pelo buraco, chamando os outros para segui-lo. Assim, mais quatro foram pelo buraco atrás dele.

O resto do grupo, então, decidiu que era hora de se juntar e começou a tentar ir por esse caminho. Mas o tempo da sessão tinha acabado e paramos nesse momento. Na sessão seguinte eles descobrirão o que lhes aguarda do outro lado da escuridão e saberemos quantos mais chegaram vivos até lá.

Um dos jogadores ficou um pouco horrorizado com a matança mas tudo bem. Faz parte. Quando um ou dois dos seus personagens sobreviver no final e se tornar um personagem de 1º nível, ele apreciará ainda mais essa vitória e as aventuras que virão.

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