quarta-feira, 28 de maio de 2014

Começando a me interessar pelo novo D&D

Quem acompanha razoavelmente esse blog pessoal sabe que eu falei pouco sobre o D&D Next, ou como ele é chamado agora, D&D 5ª Edição. Eu acompanhei o início dele apenas. Gostei de como ele começou e das promessas que eram feitas em relação ao seu futuro e desenvolvimento.

Mas, depois do segundo Playtest lançado, cada vez mais eu via o jogo voltando a ter mais do mesmo das últimas edições que não me agradaram muito (nada contra, não acho que sejam abominações dos RPG nem nada do tipo, só não se enquadrava no que eu esperava de um jogo de fantasia) e o feedback dos jogadores dessas edições era bastante forte, já que eles eram os consumidores atuais do jogo. Depois disso, larguei de mão e me afastei do D&D Next completamente. Amigos meus falavam sobre o jogo e eu só ignorava.

Com a divulgação das capas dos livro, esse sentimento de que o jogo não seria do meu gosto se reforçou ainda mais. Não tenho o que argumentar quanto a qualidade técnica das imagens, quanto a isso, não há dúvidas. Mas eu, felizmente ou infelizmente, espero mais do que isso na capa de jogos de RPG. Eu procuro inspiração, história, narrativa, mistério. Tudo o que eu vi nelas são a repetição de uma mesma coisa. Um monstro de boca aberta e um personagem com uma arma o atacando. Há pouco cenário em volta ou outros elementos que chamem atenção e façam você mergulhar na cena e criar alguma narrativa. Isso sem falar que eu prefiro imagens de artistas que tenham um estilo mais característico, mais marcante, algo que não é comum quando a parte gráfica é feita por uma agência.

Dessa forma eu estava pronto para continuar a ignorar essa nova edição. Afinal, já estou mais do que satisfeito com meus jogos de fantasia, tanto com as edições passadas como com outros jogos como Dungeon Crawl Classics, The One Ring, Lamentations of the Flame Princess e outros. Mas algumas coisas me convenceram a dar uma olhada e dar outra chance para os Magos da Costa e sua nova versão do D&D.

Primeiramente, muita gente que curte jogos da OSR vem falando que o jogo lembra e tem elementos do AD&D 2ª Edição em muitos aspectos. Eu não sei o quão verdadeira é essa impressão, mas essas pessoas que falaram isso tem gostos razoavelmente parecidos comigo e conhecem bem as edições de D&D, então isso já me deixa um pouco curioso.

Depois disso, li em uma entrevista com o Mearls (o cara que tá comandando essa nova edição) que no Dungeon Master Guide haverá seções e "sidebars" sobre como deixar o jogo com uma cara mais parecido com edições antigas do D&D. Isso já me fez olhar com outros olhos o jogo e quem sabe eles realmente se preocuparam e deixar o mesmo menos dependente de todas as mecânicas que eu não curtiu das edições mais recentes. Se o jogo for realmente modular e não necessitar de feats, perícias e itens mágicos obrigatórios por nível, pode ser que ele me interesse mesmo.

No entanto, talvez o que me fez decidir de vez dar uma olhada no novo D&D, foi o anúncio que haverá uma versão básica gratuita do jogo, com todas as regras básica do mesmo, incluindo criação de personagens com as classes e raças mais essenciais do mesmo. Essa versão será um PDF gratuito que qualquer um poderá baixar e começar a jogar. Dessa forma, imagino que essa será a versão mais enxugada e essencial do jogo, ou seja, mais próxima das primeiras edições do D&D, o que muito me agrada.

O Mike Meals, inclusive, a está comparando com a Rules Cyclopedia, mas não sei se isso é uma comparação justa, já que a Rules Cyclopedia tem muito, mais muito conteúdo. Se esse PDF gratuito chegar a ter tudo que ou, quase tudo, que tem na Rules Cyclopedia, eles estão no caminho certo. Minha única ressalva é se referir a esse PDF de D&D Basic. Essa já é a denominação de uma edição do jogo e isso pode trazer bastante confusão ou mesmo enganar algumas pessoas. A pergunta é: será que é proposital?

De toda forma, acho que agora não há motivos para deixar de conhecer essa nova encarnação do jogo. Quem sabe não há, pelo menos alguma coisa para roubar. Eu, no entanto, espero que o jogo seja uma alternativa para meus jogos de fantasia favoritos e mesmo uma porta de entrada para novos jogadores. Se o sistema for realmente modular e for fácil de adaptar material antigo, isso pode, até mesmo, despertar o interesse nas edições passadas que gosto tanto.

Bem, foi assim que mudei minha visão dessa nova edição e decidi dar uma chance a ela na minha mesa. Não acho, no entanto, que ela será a edição definitiva, capaz de substituir todas as outras, mas talvez entre no rol da alternativas que eu goste e fique entre o D&D B/X, AD&D e o OD&D. Vamos ver.

Vida longa e próspera para o D&D!

P.S.: A questão que fica em aberto e que pode, aí sim, selar o prospecto de sucesso da edição será a licença com qual ela virá. Todos torcem para uma nova OGL, mas tenho minhas dúvidas quanto a isso. Será que os Magos da Costa nos surpreenderão novamente?

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