quinta-feira, 22 de maio de 2014

Ressurreição através das Edições de D&D

A morte de um personagem nem sempre significa o fim e suas aventuras. Em muitos jogos, ressurreição é uma possibilidade real e os jogadores podem tentar trazer de volta seus companheiros que caíram ao seu lado. No entanto, nem sempre isso é uma tarefa simples, podendo envolver até uma aventura especialmente para trazê-los de volta ao mundo dos vivos.

Que tal olharmos como a ressurreição de personagens é abordada em cada uma das edições do jogo de fantasia mais jogado pelo mundo? Dessa forma poderemos comparar qual o peso da morte de um personagem em cada uma das edições e a dificuldade que os jogadores devem enfrentar quando querem ser ressuscitados.

Original Dungeons & Dragons: Na edição original de 1974, o clérigo conseguia a magia Raise Dead no sétimo nível e podia ressucitar alguém que tivesse morrido imediatamente. A cada nível que ele tivesse acima do sétimo, o prazo que ele tinha para trazer de volta seus companheiros aumentava em 4 dias. Além disso, o texto menciona que personagens com uma Constituição fraca não conseguem voltar a vida e que os ressuscitados ficam 2 semanas se recuperando até poderem se aventurar novamente. Como é de costume com esta edição, o texto não é tão claro assim e muito fica a critério do DM. Algumas coisas, no entanto, são certas. É preciso o corpo, a ressurreição deve ocorrer rapidamente após a morte do indivíduo, ele pode não conseguir retornar e ele precisa de um tempo para se recuperar.

Advanced Dungeons & Dragons 1st Edition: Em AD&D, o clérigo possui duas magias capaz de ressuscitar os mortos. A primeira, Raise Dead, é similar à original do OD&D. O corpo é necessário e, se estiver faltando partes dele, é bem capaz do indivíduo morrer logo depois de ser trazido de volta. O prazo que o clérigo tem de dias após a morte para lançar a magia é de 1 dia por nível e esse é o mesmo tempo que o indivíduo precisará descansar para se recuperar do trauma. Uma jogada de resistência a traumas é feita para ver se o personagem sobrevive a experiência traumática de voltar a vida e, caso falhe, não poderá ser ressuscitado nunca mais (além de que ele só pode ser ressuscitado um número máximo de vezes igual ao seu valor inicial de Constituição). Resurrection é a outra magia, muito mais poderosa que Raise Dead, mas são pouquíssimos os clérigos capaz de invocá-la. A principal diferença entre as duas é o alcance temporal da magia (10 anos por nível do clérigo), o desgaste que a magia causa ao conjurador (ficar impossibilitado de conjurar outras magias e se aventurar por 1 dias por nível do ressuscitado) e que o indivíduo trazido de volta não fica cansado como na magia anterior.

D&D B/X (Moldvay/Cook): Nesta edição que vai até o nível 14 somente, a única magia de ressurreição é Raise Dead que o clérigo pode aprender no 7º nível. Para todos os efeitos, ela é bastante similar à magia do OD&D. O prazo para lançar essa magia é de 4 dias da more, mais 4 dias para cada nível posterior ao 8º. O indivíduo trazido de volta acorda com 1 HP e deve descansar por duas semanas para se recuperar. Nada é mencionado, no entanto, sobre o estado do corpo, ficando a critério do DM.

D&D BECMI (Mentzer): Nesta edição, um clérigo só tem acesso à magia Raise Dead a partir do 10º nível (o que a torna bem mais rara), muito embora a descrição da magia seja bastante similar à do D&D B/X e os prazos contarem a partir do 8º nível. O corpo e seu estado, no entanto, são importantes como na primeira edição de AD&D. No 17º nível, um clérigo pode ter acesso à magia Raise Dead Fully, que é uma versão melhorada da anterior, permitindo que o corpo esteja morto a mais tempo e trazendo de volta o companheiro totalmente recuperado e com todos os pontos de vida (mas se ele estava com algum efeito nocivo na hora que morreu, ele continua com o mesmo).

Advanced Dungeons & Dragons 2nd Edition: Raise Dead e Resurrection são bem similares nessa edição à 1ª edição do AD&D, mas alguns detalhes a mais são fornecidos. Elfos, por exemplo, só podem ser ressuscitados com Resurrection. Personagens perdem um ponto de Constituição quando são trazidos de volta com Raise Dead e o conjurador de um Resurrection envelhece 3 anos quando utiliza essa magia (ou seja, não é nada fácil convencer alguém a conjurar esse milagre). O resto é igual à primeira edição. Há um limite de quantas vezes pode-se ser ressuscitado, o personagem precisa passar em um teste de choque para reviver e se falhar não pode mais voltar.

Dungeons & Dragons 3.X: Nesta edição, há três magias de ressurreição: Raise Dead no 9º nível, Ressurrection no 13º e True Resurrection no 17º nível. Raise Dead pode ser usada em alvos mortos há 1 dia por nível do clérigo com o corpo inteiro, trazendo-os de volta com 1 PV, curados de doenças e e venenos normais, e o alvo perde 1 nível de experiência ou 1 (2 na 3.5) ponto de Constituição se estiver no 1º nível. Não há um limite de quantas vezes ele pode ser ressuscitado e nem uma chance de falha, mas conjurar a magia utiliza materiais no valor de 500gp (no 3.5 o custo aumentou para 5000gp). Resurrection não precisa do corpo inteiro (morto a não mais de 10 anos por nível), apenas de alguma parte dele, ainda que mínima e restora totalmente a vitalidade do alvo, mas ele perde 1 nível de experiência ou 2 pontos de Constituição. True Resurrection, por sua vez, não exige nenhum resto mortal do alvo, custa 25.000gp e não causa nenhuma perda nem ao conjurador, nem ao recipiente da magia.

Dungeons & Dragons 4e: Na quarta edição, como houve muitas modificações no sistema de jogo, Raise Dead deixou de ser uma magia normal do Clérigo passando a ser um ritual com preço variável de acordo com o nível do personagem, variando de 500gp a 50.000gp. No resto, o corpo é necessário, embora não seja necessário um corpo completo. O indivíduo pode estar morto há 30 dias, e ele retorna completamente curado mas enfrentando algumas penalidades leves por alguns encontros.

A maneira de retornar do outro lado se altera um pouco em cada edição, as vezes dificultando mais esse retorno, as vezes facilitando ou diminuindo seu impacto no jogo. Aliando isso à mortalidade de cada edição, quantidade de HPs dos personagens e como o jogo encara desafios e combates equilibrados, a morte pode ser um perigo maior ou menor em cada jogo. No final, obviamente, o mestre tem um grande poder para moldar o papel da morte e ressurreição em seu jogo, mas com certeza o sistema escolhido vai ajudar a moldar isso.

Eu, particularmente, gosto bastante da abordagem da 2ª edição do AD&D nesse quesito, mas provavelmente incluiria um custo material para o ritual, sem falar em deixar claro que apenas clérigos muito poderosos e raros tem tamanho poder. Não vai ser em qualquer local que haverá um NPC capaz de conjurar esse feitiço, talvez até motivando uma aventura. Mas e vocês? Como preferem a ressurreição em seus jogos?

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