sexta-feira, 1 de junho de 2012

O Dilema do Prisioneiro - Escolhas difíceis no RPG

Há pouco tempo eu publiquei uma postagem sobre a tensão na mesa de jogo e como aumentá-la, deixando os jogadores na ponta das cadeiras. Devo admitir que gosto de desafiar e surpreender meus jogadores com situação em que eles fiquem surpresos sem saber o que fazer inicialmente. Uma das maneira de fazer isso é colocar desafios diferentes nos jogos, que sejam difíceis e que não sejam facilmente resolvidos. Para isso, podemos usar enigmas, charadas, monstros poderosos ou mesmo escolhas difíceis, e é sobre essa última opção que falarei hoje.

Já ouviu falar do Dilema do Prisioneiro? Esse termo é usado para classificar uma situação comum da teoria dos jogos. Em sua situação mais simples o problema pode ser resumido da seguinte forma: Dois suspeitos são capturados, mas a polícia não tem provas o suficientes para condená-los. Ela separa os dois e oferece para ambos (separadamente) um acordo. Se o prisioneiro testemunhar contra seu companheiro e seu companheiro ficar calado, ele sairá dali livre mas seu comparsa é condenado a uma pena de um ano. Acontece que, se ambos se mantiverem em silêncio, ficaram presos por apenas um mês, e se ambos delatarem um ao outro, cada um ficará preso por seis meses. Cada prisioneiro, no entanto, não sabe disso tudo e deve tomar sua decisão sem consultar o outro.

Ou seja, cada um dos dois tem duas opções de ação, ou delata seu companheiro ou não fala nada. Se nenhum deles falar nada, ambos saem ganhando, ficando preso por um período mínimo. Agora se um deles delatar o outro, e esse ficar em silêncio, o primeiro sai livre e o outro ficará preso pelo período máximo, uma ganha e outro perde. Agora se os dois cederem e se delatarem, aí ambos perdem e ficam presos por um período mediano.

Falando assim, abertamente, como o jogo funciona isso pode parecer chato, e até mesmo previsível para ser usado em um jogo de RPG. Mas, o segredo é envolver o jogadores um uma situação com esses mesmos princípios sem que eles percebam que estão diante do Dilema do Prisioneiro. Esse tipo de problema pode receber diversas roupagens para se adaptar a qualquer jogo e fazer com que os jogadores arranquem os cabelos. E mesmo se eles perceberem do que se trata, eles não saberão o que seus amigos vão decidir.

Isso é bastante importante. Para esse desafio realmente ser emocionante e deixar a mesa bem excitada, será necessário que as partes envolvidas não estejam em contato. Esse é um dos casos em que você pode e deve dividir o grupo. Você pode usar vários artifícios para isso ou pode ser sincero com os jogadores e pedir para que sentem distantes uns dos outros.

Mas vamos ao que interessa, alguns exemplos de uso desse problema em uma aventura de RPG:

Os pilares da vida: Os aventureiros acharam o paradeiro de um objeto lendário a muito tempo procurado. No entanto este item está guardado atrás de uma grande porta de pedra negra. Para abri-la duas pessoas devem colocar as mãos sobre a porta e pronunciar a palavra secreta. No entanto, após fazerem isso, essas duas pessoas ouviram uma voz sinistra em suas cabeças que dirá que a alma deles está ligada a porta agora e que a pedra negra sugara a vida deles a não ser que ele concorde em ceder a alma do amigo.

Anel de Vida e Morte: Este anel permite trazer de volta da morte alguém que o estiver usando quando morrer. No entanto ele deixa claro para a pessoa que estiver morrendo que para trazer ela de volta, a vida de outra pessoa deverá ser tirada, a de uma pessoa querida a ele (essa é uma versão modificada do dilema, para ficar mais semelhante, você pode dar dois anéis desses ao grupo).

Assassinos: Talvez os aventureiros acabem enfrentando uma pessoa poderosa na sociedade que, secretamente, é um vilão. Assim, eles podem ser capturados e serem postos no dilema clássico de testemunhar um contra o outro. Eles terão, agora, que lutar para provar sua inocência e a culpabilidade do poderoso NPC.

Enfim, há diversas maneiras de se trabalhar esse problema em uma campanha. Apenas tome cuidado para não abusar muito dele, pois, se repetido muitas vezes, ele perderá o impacto e dramaticidade. E aí? O que acharam? Já envolveram seus jogadores em uma situação parecida? O que eles fizeram?

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