sábado, 2 de junho de 2012

Usando o Fluxovida para criar personagens diferentes

Há pouco mais de um mês, a Redbox Editora (que publica do Old Dragon, The Shotgun Diaries, Lady Blackbird e, em breve, o Space Dragon) lançou um suplementos para o Old Dragon chamado Fluxovida. Esse suplemento trás uma série de tabelas com resultados aleatórios a serem usados na concepção de um personagem, coisas como circunstâncias de seu nascimento, situação da sua família, se ele possui amigos e inimigos e outras coisas. Uma coisa importante a ser esclarecida sobre o Fluxovida é que ele não é algo que só funcione no Old Dragon, ele pode ser usado em qualquer RPG de fantasia e, com um pouco de criatividade em qualquer RPG de qualquer gênero.

Para demonstrar isso, eu gerei uma série de resultados nessas tabelas e vou criar dois personagens diferentes para gêneros de jogo diferentes, Fantasia Medieval e Cyber-Punk. Os resultados das tabelas serão os mesmos para todos eles, mas o arranjo e a criação de uma história sobre eles serão, obviamente distintos. As características sorteadas são as seguintes:

Aparência - Pele Parda; Olhos Castanhos; Cabelos Pretos-Azulado; Barba Longa.
Nascimento & Família - Nasceu em um barco voador ou aparato aéreo; Sua mãe era membra do clero; Possui 10 irmãos, Sua família é caçada;
Status & Profissão - Plebeu (Pescador).
Amigos, Inimigos e Amores - Possui um amigo com qual trabalhou e que defendeu sua honra; Possui um inimigo membro do clero que teve sua honra ofendida por ele; Os dois se ofendem em praça pública; Teve apenas romances passageiros e pouco dignos de nota.
Personalidade - Motivado por uma boa luta; Uma ferramenta é sua principal relíquia; Não gosta de grandes massas d'água; Seu principal medo é falhar com seu deus; Acredita que os membros de outras raças são apenas ferramentas descartáveis a serem usadas em seus planos; Se arrepende de nunca tomar decisões urgentes com a velocidade que precisam ser tomadas; Fica dizendo "Ok! Ok! Perfeito!" ou outra exclamação de concordância, mas fora isso fica calado a maior parte do tempo.
Vida de Aventureiro - Se tornou aventureiro para gravar seu nome na história e ser lembrado por algo importante, entrou em uma expedição para uma cripta junto com um grupo de aventureiros uma vez para carregar a tocha; Odeia wargs por ter visto uma pessoa ser devorada por eles; Odeia Doppelgangers por o terem induzido a participar de uma missão suicida (mas que acabou percebendo a tempo).
Habilidade Inútil - Consegue estalar os dedos das mãos duas vezes por segundo.
Última frase antes de morrer - No rosto não!

O segredo para você criar vários personagens diferentes, mesmo usando os mesmos resultados, é não ficar preso a literalidade dessas coisas e viajar um pouco nelas. Você não precisa, também, usar todos os resultados obtidos. Por exemplo, no caso do ódio contra Doppelgangers, e se o cenário não contiver essas criaturas? Talvez ele odeio espiões, que se disfarçam, ou falsários, charlatões ou coisas do tipo. É só fazer isso com todos os resultados e você consegue uma boa estrutura para criar diversas estórias diferentes. Vamos começar então.

Dalthar, o Machado-Enferrujado: Dalthar é um dos dez filhos de Dalus, um grande guerreiro de uma tribo de homens selvagens do norte. A etnia do seu povo era de homens, altos, fortes, de pele marrom e cabelos e olhos negros. Os guerreiros de sua tribo sempre deixavam suas barbas crescerem vigorosas, como um sinal de virilidade. As circunstâncias de seu nascimento foram peculiares. Sua mãe, uma sacerdotisa da deusa dos ventos, tinha uma relação boa com a comunidade de águias gigantes que viviam nas montanhas próximas. Essas criaturas eram consideradas sagradas para a deusa e quando ela foi dar a luz ao décimo filho, Dalthar, uma da águias a levou voado para o altar nas montanhas, para que seu filho tivesse uma ligação espacial com a deusa. Em sua infância, ele trabalhou nos barcos do Rio Azul, pescando para alimentar seu povo. E foi nos barcos que conheceu seu melhor amigo, Ardus, irmão de Armintor, aquele que se tornaria seu pior inimigo. Dalthar e Ardus cresceram e logo se tornaram grandes guerreiros da comunidade, mas Armintor não teve tanta sorte. Ele não era forte como os demais. E isso foi deixando Armintor muito descontente até que a gota d'água foi derramada quando a mulher que ele desejava o rejeitou por estar apaixonada por Dalthar. Apesar deste nunca ter tido nenhuma relação com a moça, Armintor não exitou em atacá-lo com insultos no meio da vila. Dominado por ódio ele disse coisas terríveis sobre o guerreiro e sua família. No entanto, seu irmão, Ardus, o derrubou, calando-o. Parar Armintor, aquilo já tinha ido longe demais. Ele estava cansado de estar sempre atrás dos dois, ele seria o homem mais importante daquela tribo, nem que precisasse ser o único. O homem, então, buscou a antiga gruta proibida do demônio das tempestades, o inimigo da deusa dos ventos, para se oferecer de servo e veículo naquele mundo, oferta essa que foi aceita e o transformou em uma criatura terrível. Não demorou muito para Armintor atacar a vila e executar sua vingança contra todos aqueles que o ignoraram e mancharam sua honra. Seu poder era terrível, mas algumas pessoas conseguiram sobreviver, graças a ajuda de Dalthar e sua família, que fora abençoada pela deusa dos ventos. Dalus, no entanto, foi morto por Armintor e Dalthar apenas conseguiu carregar consigo o martelo de seu pai, que guarda consigo até hoje. Apesar disso tudo, Dalthar não busca vingança, sua crença da deusa do vento faz com que acredite que tudo é levado pelo destino e que cada um faz o seu. Ele teme que caso se prenda demais a alguma coisa as graças de sua deusa cessem e desgraça recaia sobre sua família e amigos. Com a vila destruída, depois do ataque, ele e Ardus passaram a viajar juntos pelo mundo, e a primeira vez que viu outras raças além de humanos foi quando serviu como escudeiro par um grupo de aventureiros explorando uma antiga ruína de uma civilização antiga. Mas o que viu naquela expedição o transformou para sempre. Orcs, goblins e wargs, que devoraram os aventureiros antes que ele pudesse alertá-los do perigo. Ele ficará paralisado de medo e se arrepende até hoje de não ter agido mais rápido. Além disso, ele descobriu que o mago do grupo, que liderava a expedição estava, na realidade, aliado com os orcs. Ele era um doppelganger e tinha um acordo com os orcs. Dalthar e Ardus conseguiram escapar, mas não era mais os jovens guerreiros de antes. Os horrores da vida tinham os atingido. Dalthar deixou de ser o tagarela de antes e quase não fala mais, apenas quando necessário. Ele vivem em busca de lutas e de aventuras, para provar a sua deusa que é livre e poderoso. Ele ama a liberdade, mas teme não se tornar tudo o que pode.

Bron, o Hacker: Bron era um moleque qualquer da periferia de uma grande metrópole. Com mais dez irmãos para dividir a atenção e o dinheiro de seus pais, ele não teve uma educação das melhores, mas nada que a rede não conseguisse suprir. Mulato de cabelos e olhos castanhos, Bron era mais um em uma multidão, pelo menos é o que todos pensavam. Enquanto sua mãe, uma pastora evangélica, e seu pai, um pescador no esgoto da mega-cidade, tentavam conseguir o mínimo necessário para sobreviver, ele tentava viver em outro lugar, na rede de computadores. A periferia da mega-cidade ficavam no chão, enquanto os bairros mais importantes ficavam em um complexo que voava acima, e foi lá que Bron se encontrou. Ele trabalhou em uma rede de comida rápida servindo milhares de pessoas todos os dias, e aproveitava a conexão do local para navegar na rede e aprender o máximo que conseguia. Lá conheceu Helen, uma menina, oriental, que logo ficou amiga dele, pois ambos tinham origens humildes e mantinham seus olhos em algo muito maior do que aquilo que faziam. Um certo dia, quando Bron foi pego pelo gerente usando a rede local para coisas além do trabalho (lavar o chão) ele o humilhou publicamente e chamou os guardas da corporação local para retirá-lo dali. Helen, vendo seu amigo ser maltratado, se revoltou e o enfrentou o gerente que a mandou embora também. Agora estavam os dois desempregados na parte rica da metrópole e aquilo era proibido naquele local. Helen, então, teve a ideia de se envolver no ordem dos cientologistas, uma seita que pessoas loucas que acreditavam em deuses extra-terrestres para conseguirem permissão para ficar lá. Dentro da organização eles perceberam que seus lideres não acreditavam realmente naquele monte de baboseiras que pregavam a milhares de pessoas crédulas, e as usavam para expandir seus negócios e controlar partes cada vez maior do mundo. Talvez inspirados por um momento de consciência ou apenas querendo ver o circo pegar fogo, Bron e Helen invadem os registros gerais da rede da organização e começam a divulgar seus segredos para o mundo e uma revolução contra os cientologistas começa. No entanto, O líder da organização, William Gurgher, descobriu quem foi que divulgou os arquivos, ou pelo menos, qual a identidade virtual de quem fez isso, e começou uma caçada contra os invasores. Agora, ele e Helen são foragidos, que lutam pela sobrevivência e por algum dinheiro para sobreviver em um mundo onde nada valem. A realidade que vivem e a certeza de que a organização que os persegue tem ouvidos em todos os lugares fez com que Bron se tornasse uma pessoa calada fora de rede de computadores. Seu objetivo, além é desmascarar as grandes organizações e ver o circo pegar fogo, nem que ele tenha que usar as pessoas ao seu redor para isso.

Bem, esses são apenas dois históricos de personagens feitos de maneira rápida baseados nos resultados obtidos nos dados com o Fluxovida. Dá para ver que com as características sorteadas é possível construir personagens diferentes e que elas, por si só, já dão algumas ideias para estórias que aconteceram com seu personagem. As vezes pode parecer difícil encaixar todos os resultados, mas não se preocupe, você não é obrigado a usar todos. Pegue aqueles que mais fizerem sentido para você e que te inspirarem a criar uma estória.

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