sábado, 16 de junho de 2012

Crônicas da Terceira Era - Olho de Alghuir - Parte III


Com o passar dos dias, as noites naquela região pareciam se tornar cada vez mais longas, e as horas de claridade cada vez menores. Os companheiros já estavam a dias vagando quase sem rumo pelos Campos de Lis e a influência sinistra do local era sentida por cada um. Eles andavam silenciosos, cabisbaixos e quando paravam ficavam olhando para as névoas ao redor deles, procurando algo que não estava ali.

Depois de cinco dias penetrando os interiores daquele lugar, eles chegaram até uma colina onde havia uma gigantesca árvore escura. Ali parecia ser um bom lugar para se passar a noite e, talvez, conseguissem uma visão melhor do terreno lá de cima. A árvore era uma das maiores que viram naqueles campos, quase do tamanho das árvores da Floresta de Mirkwood. Suas folhas eram de um verde escuro e seu tronco um marrom acinzentado. Os aventureiros não sabia por que, mas se sentiram atraídos por ela.


Lá de cima, a noite, eles não podia ver muito além de seus arredores. A lua estava minguante e sua luz não conseguia atingir a região entre as brumas. Assim, eles passaram a noite debaixo da copa, abrigados da chuva fina que começou a cair assim que chegaram no topo na colina. O sono deles, porém, não foi calmo, já que a feitiçaria do inimigo interferia em seus sonhos. Cada um dos companheiros se viu de volta ao Vale do Anduin, perto da Casa de Beorn, onde uma gigantesca força de orcs e goblins marchava sobre corpos de homens. Na frente deles, um homem alto, de cabelos negros, pele pálida e uma boa cheia de dentes afiados, usando um elmo que cobria seus olhos. Para todos os lados, só se via destruição.

Ao acordarem de manhã, nem parecia que eles tinham descansado a noite. Ao menos a neblina parecia menos espessa àquela hora. Pêpe achou que seria uma ótima oportunidade para subir no topo da árvore e tentar enxergar algum sinal de alguma construção ou local para onde poderiam seguir. A escalada não foi fácil e o pequenino quase caiu do alto de um galha. Kladrin, o anão, tentou ajudá-lo oferecendo seu ombro para que ele alcançasse um galho mais alto mas, assim que o hobbit se segurou, o guerreiro escorregou nas raízes cheias de musgo e caiu da cara na lama. Foi graças a Elmara que conseguiu arremessar certeiramente sua cordo por sobre a árvore que o pequenino chegou ao topo da copa. Lá e cima ele conseguiu enxergar uma grande colina ao norte, onde parecia haver ruínas de um antigo forte. Algo em seu coração lhe dizia que era para aquele o lugar que buscavam mas, ao mesmo tempo, que era melhor não ir para lá.

Assim que Pêpe contou aos companheiros o que viu, uma determinação ardente voltou a ser vista em seus olhos. Era para lá que deveriam seguir, para o norte. A caminhada começou imediatamente, descendo a colina e seguido sempre na direção que o hobbit indicava. Nem sempre conseguiam seguir reto, pois o lugar tinha muitas acidentações, riachos, depressões e pequenos lagos por onde não tinham como passar facilmente. Mesmo assim, eles seguiam o caminho da melhor maneira que conseguiam. As vezes parecia que já tinham passado por algum local e estivessem andando em círculos e outras tinham que voltar por alguns minutos até encontrar outra trilha para seguir.

Depois de alguma horas, com lama até o joelho, ou na cintura no caso de Pêpe, a companhia chegou até um caminho que parecia ter sido feito há centenas de anos. Algumas pedras ainda podia ser vistas demarcando os limites da trilha. Porém, quando pararam para descansar um pouco e beber o pouco de água limpa que ainda tinham em seus odres, Elmara, a dúnedan, viu rastros recentes de orcs que pareciam ter desviado o caminho deles para rumarem na direção de onde a companhia estava vindo. Aquilo, definitivamente, não era um bom sinal.

Foi então que Aerandir, o elfo do Reino da Floresta, viu sombras de grandes orcs entre as brumas. Não demorou muito para que flechas começarem a voar pelo campo de batalha e a companhia logo se posicionou com armas em punho para receber o ataque. Os orcs que vieram para seu encontro, sob o comando de uma voz gutural horrenda, não eram como os últimos que enfrentaram. Esses eram orcs de pele quase negra, postura ereta e fortes como touros.

Quatro deles partiram para cima de Kladrin, Balared, Elmara e Aerandir, enquanto o pequeno Pêpe se escondeu nas sombras. Cada um deles portava armas bem feitas para o padrão daqueles monstros, mas nenhuma delas parecia ter sido feita por homens são. Eram negras, dentadas e de aparência assustadora. A luta era dura e equilibra com cada um, e as flechas negras dos arqueiros escondidos deixava cada movimento muito mais perigoso.

Enquanto a batalha acontecia, a voz do comandante orc ecoava pelos campos, uma voz horrorosa e grava, que ria a cada golpe certeiro de seus soldados e amaldiçoava cada ataque dos heróis. Ao mesmo tempo, Pêpe conseguiu se aproximar do dono da voz gutural e não gostou nada do que viu. Era o maior orc que já vira, media quase três metros de altura e só não achou quer era um troll pois ele não parecia tão burro quanto um. Ao seu lado um arqueiro mirava um flecha na dúnedan, que acertou em cheio o peito da mesma. O hobbit sabia que ainda tinha mais um orc escondido em algum lugar e iria achá-lo.

Kladrin e Balared, apesar da dificuldade, conseguiram derrotar seus inimigos sem graves ferimentos, para a surpresa do líder, Dorhd, que urrou de raiva e partiu para cima deles com seu gigantesco machado de duas mãos. Sua fúria fora direcionada a Balared, que defendeu com seu gigantesco escudo, que quase rachou com a força da criatura. Klandrin, aproveitando a oportunidade, usou a lâmina certeira de seu machado para partir a arma de Dorhd.

Aquilo, ao invés de desmotivar o grande orc, apenas o deixou mais furioso. Ele partiu para cima do anão com toda a fúria de um grande guerreiro orc, e o derrubou longe, com sangue voando ao chão. Ao mesmo tempo, Elmara derrotava um dos outros orcs, mas recebia uma outra flecha certeira em seu peito, que a fez cair, desacordada, sangrando em direção à morte. Aerandir e Pêpe se concentravam em derrotar os arqueiros. O hobbit conseguiu encravar sua espada nas costas de um deles que ao se virar foi morto por uma flecha do elfo.

Dorhd estava a ponto de desferir o golpe mortal em Klandrin, que jazia caído na lama quando o pequeno hobbit saiu das bruma com seu pequeno arco e, com uma flecha certeira, atingiu a criatura em uma fresta em seu elmo, fazendo-a tombar com um grande baque. O monstro ainda estava de olhos abertos e grunhindo palavras incompreensíveis quando Klandrin fincou seu machado no pescoço da criatura. Todos os orcs jaziam derrotados, e, ao que tudo indica, aquele era um grupo de caça, pequeno, e provavelmente fora enviado para encontrá-los. Alguém já sabia que eles estavam a caminho. Era melhor se prepararem para o que estivesse a frente.

Elmara estava gravemente ferida, em um local hostil e que oferecia pouco abrigo para permitir uma recuperação rápida. Eles tinham que socorre-la e leva-la para algum lugar para que a dúnedan recuperasse um pouco de suas forças. Uma decisão estaria a frente da determinada guerreira. Ela seguiria em frente com sua missão, apesar de correr sério risco de vida, ou procuraria abrigo fora dos Campos de Lis enquanto o inimigo se apoderava do artefato negro.


Essa história está sendo criada em uma mesa de The One Ring - Adventures over the Edge of the Wild. Cada sessão corresponde a uma parte da história, que se cria e modifica conforme todos os envolvidos decidem o que seus personagens fazem e como eles reagem.

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