segunda-feira, 11 de junho de 2012

Enigmas, Armadilhas e Problemas nos RPGs

"Ou você resolve essa equação ou eu devoro o seu cérebro."
Não é novidade para ninguém que eu gosto de desafios diferentes nos meus jogos além de criaturas. Volta e meia publico aqui uma série chamada Enigmas e Charadas com problemas e desafios para serem utilizados nos RPGs. Mas uma coisa que eu ainda não fiz foi falar da sua utilização na mesa de jogo. O porque de eu achar legal usar esse tipo de obstáculo e como eu acho que eles devem ser usados.

Enigmas, Armadilhas e Problemas lógicos podem ser uma ótima adição a RPGs se usados de maneira correta. Eles trazem uma variação ao jogo que, na maioria das vezes, é bem vinda. Jogar dados para resolver todos os desafios de um jogo pode funcionar para algumas pessoas, mas para outras ter a chance de resolver uma situação de outra forma é bastante divertido. Outro motivo para usar esse tipo desafio é fazer os jogadores pensarem da maneira diferente e se sentirem bem consigo mesmos fazendo isso. Bem ou mal, esses problemas lógicos e enigmas estimulam a inteligência e o pensamento criativo, que já andam lado a lado com o nosso hobby.

A utilização de cada um desses desafios é diferente e serve a propósitos distintos. Algumas vezes eles podem ser usados sozinhos ou misturados com outras situações. No entanto, lembre-se de não criá-los de forma a serem extremamente difíceis de resolver, caso contrário eles não serviram ao propósito que foram criados e serão, basicamente, a mesma coisa que botar uma barreira intransponível na frente dos personagens.

Armadilhas: São os mais comuns dos obstáculos diferentes de combate. Sua função principal é deter e punir invasores, ladrões, intrusos e curiosos. O efeito delas pode ser desde aprisionar ou dar algum susto até a morte sumária de suas vítimas. Como essas funções são específicas, evite colocar armadilhas e todos os lugares, em cada porta e, principalmente, lugares sem importância alguma (a não ser que quem a tenha botado lá queira que as pessoas acham que o local tem alguma importância). Assim, as armadilhas devem ser colocadas em locais estratégicos, defendendo uma entrada, guardando algum objeto, em um caminho que os habitantes conheçam bem para evitá-la ou em locais que chama atenção, atraindo intrusos curiosos. Além disso, nem todas as armadilhas devem ser mortais, apenas as que estão em locais muito importantes. Afinal, acidentes acontecem, e nem todo mestre de masmorra vai querer ficar contratando novos capangas toda vez que um morrer acidentalmente em uma de suas inúmeras armadilhas mortais. Algumas armadilhas podem servia apenas para dar um susto e espantar desavisados. Em termos de jogo, armadilhas servem para deixar o jogo mais tenso e os jogadores sempre atentos, além de deixar o ladrão do grupo se destacar um pouco com suas habilidades. Novamente, cuidado para não abarrotar a masmorra com armadilhas, isso fará com que a tensão criada por elas se esvazie, deixará seus jogadores paranóicos investigando cada centímetro do chão (deixando o jogo mais lento) e parado. É divertido ter que pensar onde uma armadilha pode estar e como fazer para desarmá-la (mexer no nariz da estátua, puxar a maceneta para fora e girá-la para esquerda, apertar em sequência as pedras vermelho, azul, e lilás da tampa do caixão), mas ter que fazer em todo aposento que exploram irá esgotar esse fator rapidamente.

Problemas Lógicos: Essas são aqueles desafios mentais mais práticos (diferentes de enigmas), que podem envolver lógica, matemática, percepção visual, memória e até destreza manual. São, praticamente, jogos que inserimos dentro do nosso grande jogo, o RPG. Para superar esses obstáculos é necessário reflexão, raciocínio e atenção. Sua função, geralmente, é mais a de impedir e dificultar o acesso a certas áreas ou objetos do que punir invasores. Geralmente esses obstáculos são colocados em passagens secretas, baús de tesouro, portas para algum atalho ou algo similar. Não é recomendado que sejam utilizados esses problemas em situações em que a única forma de se seguir em frente seja resolvendo-os (a não ser que sejam relativamente fáceis e você tenha como certificar-se de que os jogadores irão resolvê-lo, mais cedo ou mais tarde). Uma coisa que costumo ouvir quanto ao uso desse tipo de problema é que nem sempre a inteligência do personagem e do jogador são compatíveis e que um personagem de inteligência 18, por exemplo, deveria ser capaz de resolver desafios que o jogador que o controla não. Bem, não necessariamente um personagem com um atributo alto desse é um "expert" em tudo que faz. Ele pode ser um gênio em uma área, mas distraído em outra, ele pode ficar nervoso em certas situações também. Enfim, se quiser o mestre pode separar algumas dicas para serem dadas para personagens que forem bem sucedidos em testes de inteligência. Só cuidado para não entregar de bandeja a resposta. Faz parte da diversão os jogadores adivinharem e eles se sentirão bem fazendo isso. Uma dica para criar esses desafios é procurar exercícios de provas de raciocínio lógico, jogos simples (como quebra-cabeças, jogo da velha, sodoku) e outros jogos de tabuleiro ou papel, sempre mudando a cara deles para adaptá-los ao clima do jogo, trocando números por símbolos, formas geométricas por runas e por aí vai. A função deles no jogo é entreter além de desafiar os jogadores. O segredo é fazer com que os jogadores consigam resolver o problema depois de pensar alguns minutos e não perder a sessão inteira debruçados sobre ele.

Enigmas: Enigmas são desafios mentais, assim como os Problemas Lógicos, mas são mais reflexivos e menos práticos, são como perguntas e pegadinhas que devem ser mas respondidas do que resolvidas. São bons obstáculos opcionais (do tipo que os aventureiros podem evitar uma situação ruim respondendo-os), chaves para certos locais (talvez apenas respondendo ao enigma a porta se abra), e indicativos do que fazer (um dica em forma de enigma que indique como podem vencer um inimigo). Da mesma forma como acontece com o desafio acima, o segredo é colocar enigmas que os jogadores consigam resolver. Uns podem ser mais difíceis do que outros, mas a maioria deve ser mediano com boas chances de serem resolvidos (fazendo com que o jogadores se sintam bem consigo mesmos). Isso fará com que aqueles que forem mais difíceis tenham um impacto maior e os jogadores não se sintam injustiçados.

Como praticamente tudo em um jogo de RPG, a melhor opção é a moderação. Esses tipos de desafios são divertidos e são uma ótima mudança de ares para quase qualquer mesa de jogo, mas seu uso execessivo pode tornar esses passa-tempos em coisas massantes.

Esse tipo de desafio pode ser bastante divertido se o grupo estiver disposto a lidar com eles e quiser um pouco de variedade na mesa. Como tudo na vida, nem todo mundo vai gostar de utilizá-los. Se você não tem certeza da reação da sua mesa para com ele, experimente ir introduzindo-os aos poucos, com problemas simples de serem resolvidos e veja como os jogadores lidam com eles. A internet está cheia de recursos que podem ser explorados. Além disso, nossas brincadeiras e jogos de criança podem ser modificados e maquiados para se transformar em desafios divertidos para uma mesa de RPG, basta pensarmos um pouco em como podemos fazer algo antigo parecer novo.

Espero que essa postagem tenha ajudado algumas pessoas a enxergar com melhor olhos esses recursos e incenivado outras a usá-los mais vezes. E vocês? O que acham desse tipo de desafio? Como utilizam eles na sua mesa e como fazem criá-los?

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