segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Um Tributo à Mãe de um Jogador de D&D


A postagem de hoje não trás acessórios, dicas, técnicas, nem uma resenha de um livro de RPG. Ela é sobre uma homenagem feita por um jogador de RPG à sua falecida mãe, que conseguiu ver além do preconceito típico, percebendo que o RPG era algo bom e até indicado para jovens. Eu fiquei sabendo desse relato por meio de uma postagem no grupo "Fale RPG" do Facebook, pelo usuário "Xman Savassi", e achei super importante compartilhá-la para o maior número de pessoas possível. Confesso que me emocionei ao ler a passagem. Ela nos faz pensar em muitas coisas, sobre nossos pais, sobre o nosso hobby, sobre o que aprendemos, sobre como faremos com nossos filhos...

Enfim, abaixo reproduzirei a passagem (uma tradução livre, feita por mim). Quem quiser conferir o relato original, em inglês, pode visitar este link.

Eu estava escondido, por aqui, há algum tempo, e sinto que preciso escrever isso, principalmente, para fins de uma catarse (um desabafo). Então, se eu tagarelar um pouco, peço desculpas.
Era 1979, eu já lia histórias em quadrinhos por algum tempo naquela época e, um dia, em uma edição de Homem de Ferro (eu acho), tinha uma publicidade para o Dungeons & Dragons. Ela tinha um grande dragão vermelho na frente e, imediatamente, eu fiquei intrigado. Um jogo de tabuleiro, sem tabuleiro? Como isso funciona?
Minha mãe era uma professora do ensino médio e mantinha um controle firme sore o seu filho mais novo (eu). Meu irmão mais velho nunca foi um "leitor", preferindo ser um caçador e pescador como nosso pai (isso era West Virginia - não há muito mais o que fazer). Eu, por outro lado, era um Leitor (com L maiúsculo), e igual a nossa mãe, nesse sentido. Em todo caso, ela queria ter certeza de que eu não estava lendo algo inapropriado para minha idade.
Então, eu fui até minha mãe perguntar sobre esse tal de D&D, e ela puxou um panfleto que tinham distribuído na nossa igreja, que falava como esse D&D encorajava bruxaria e era uma introdução ao Satanismo. Sem chances, um filho dela nunca seira um satanista.
Minha mãe era bastante ativa na biblioteca local, também. Ela tentava prevenir certos indivíduos de proibir alguns livros da biblioteca. Ela acreditava que era responsabilidade dos pais determinar o que era apropriado para seus filhos, e de ninguém mais.
Então ela disse não. Eu respondi na minha melhor voz "madura" de um garoto de oito anos que quando eu queria ler outras coisas, ela arrumava tempo para lê-las primeiro e determinava, por ela mesma, o que era melhor. Por que não pegar o Livro do Jogador, lê-lo primeiro e, então, tomar uma decisão?
Ao invés de ignorar a sugestão de um garotinho bobo, ela a aceitou. Alguns dias depois, eu a vi lendo o Livro do Jogador da 1ª edição, de capa a capa. Eu não podia lê-lo até que ela tivesse tomado a decisão.
Uma semana depois, eu cheguei da escola e, em cima da minha cama, estava o Livro do Jogador, com um bilhete da minha mãe (que eu ainda guardo). Ele dizia "Isso vai ser bom para você. Não ignore a matemática dentro disso. Você vai precisa do Livro do Mestre e do Livro dos Monstros. Ele sairão da sua mesada se você ainda quiser."
Eu dei minha mesada pelo próximo meses e fiz alguns serviços nas casas da vizinhança para ganhar o dinheiro dos livros. Minha mãe ligou para os pais de meus amigos para garantir a eles que D&D não era satânico e que, na verdade, era bom para seus filhos (matemática e leitura). Assim, minha mãe, em resumo, marcou minha primeira sessão de D&D.
Muitos e muitos anos depois, eu ainda jogo. Eu fiz mais amigos com esse jogo, e ele até me ajudou a ter um bom emprego (muita gente joga D&D no Amazon.com, incluindo os recrutadores). Tudo isso porque minha mãe não deixou outras pessoas tomar decisões sobre seu filho.
Minha mãe faleceu em junho. Eu não tenho como colocar em palavras o quando eu sinto sua falta e o quanto ela fez por mim. Eu tenho um filho de 4 anos agora, e eu só espero ser um décimo de bom pai quanto ela foi mãe.


Incrível, não? Eu chorei quando li isso. Me fez pensar em tanta coisa. Espero conseguir fazer o mesmo pelos meu filhos (quando os tiver).

Agora, particularmente, meus pais não encorajavam muito minhas aventuras nesse universo fantástico do RPG. Eles consideravam, e talvez ainda considerem, uma perda de tempo, coisa de criança, mas nunca me impediram de jogar. Quando passei a ler livros em inglês, eles até aceitaram mais, porque, bem ou mal, eu estava praticando outra língua. Talvez, se eles tivessem lido algum jogo e parado para ver o quanto uma pessoa pode aprender com esses jogos , ele teriam uma atitude diferente. E vocês? Como a família de vocês via esse jogo intrigante?

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