sábado, 8 de setembro de 2012

Sendo um Jogador Melhor - Personagens

O que faz de um jogador de RPG um bom jogador? Uma pessoa com que você jogue um vez, em um encontro, e queria jogar mais vezes com ele, chamá-lo para o seu grupo, começar uma campanha e tudo mais? Talvez, uma das coisas, seja a capacidade dele não ser ele mesmo. É isso mesmo. A capacidade dele esquecer quem ele é e se tornar uma outra pessoa no jogo, criando um personagem e agindo como se fosse esse personagem. Afinal, é sobre isso que é o RPG, não é?

Mas isso não é tão fácil como parece. Se desvincilhar de você mesmo e assumir, completamente, uma outra persona é extremamente difícil. É claro que não precisamos chegar ao ponto de desenvolver distúrbios de personalidade dupla, mas a ideia é quase essa. As duas personalidades, a sua e a de seu personagem, não se cruzam, elas não tem o conhecimento que a outra tem, e pensam de formas diferentes dos mesmos assuntos. Seu personagem é uma outra pessoa, com seus próprios sentimentos, opiniões e conhecimentos.

Infelizmente não há um guia infalível para construções de personagens perfeitos. Eu não sou um dramaturgo profissional e renomado para dar um curso sobre isso, mas acho que posso passar algumas dicas que aprendi, em diversos lugares e na prática, para criar personagens interessantes de se conhecer e de se jogar. Usem algumas, todas ou simplesmente vejam o que querem de cada uma e o que não querem.

Busque Inspiração: Sabe aqueles personagens de livros, filmes, quadrinhos, desenhos e outras mídias que você não consegue esquecer? Que parecem reais? Então, inspire-se neles. Tente fazer um relato sobre esses personagens. Quem ele são? O que eles querem? Como eles buscam seus objetivos? Quais as qualidades e os defeitos deles? Qual a história por trás deles? Essas e outras perguntas vão fazer com que você consiga entender porque eles são tão marcantes, porque não conseguimos esquecer deles e, porque eles são tão reais para a gente. Por isso, não tenha medo de se inspirar neles, de copiar aspectos e modificá-los para se encaixarem no mundo de campanha de seu jogo. Eles são inesquecíveis pois foram muito bem construídos. Use-os como exemplo a ser seguido.

Acredite: O primeiro passo para que seu personagem tome vida e se torne real naquele mundo fantástico, é você acreditar nele. Construindo um personagem que se torne crível, com sentimentos, desejos, necessidades, fraquezas, história e tudo aquilo que uma pessoa de verdade teria, seu personagem passa a existir quase que espontaneamente. Você vai conseguir visualizá-lo como uma pessoa de verdade, separada de você mesmo. Isso é importante, porque a responsabilidade de tornar o jogo envolvente, real, e crível para os participante não é só do mestre do jogo, mas dos jogadores também. Não importa o quão rico, detalhado e crível seja o cenário criado pelo narrador se os personagens não passarem de uma coleção de números feitos apenas para "ganhar" ou "vencer" o jogo.

Crie Personagens: Crie personagens, vários, o tempo todo! Mas não estou falando de fichas de personagens, estou falando de personas. Crie históricos de personagens, escrevendo sobre eles sem se prender a regras de jogos. Esses históricos não precisam ser super detalhados, com várias páginas, mas tente fazê-los com informações o suficientes para que os personagens sejam facilmente visualizados. Descreva a aparência dos personagens (com sinais, cicatrizes e traços característicos), personalidade, humor, desejos e necessidades, qualidades e fraquezas, um passado que o levou até o presente, ambições, relacionamentos, manias, frases marcantes e qualquer coisa mais que você achar importante e característica. Como qualquer outra coisa na vida, a prática leva à perfeição. Com o tempo e experiência, seus personagens vão se tornando cada vez mais ricos e interessantes.

Regras como Tradução: As regras do jogo apenas vão refletir o personagem ou te dar indicações de algumas de suas qualidades e alguns de seus defeitos, o resto, é com você. Alguns jogos fazem com que certos aspectos do seu personagem sejam gerados sem o seu controle, de forma aleatória (como os atributos de um personagem das edições passadas de D&D). Não se sinta prejudicado com isso, encare como um desafio de criatividade e crie em cima dessa restrição e torne o seu personagem algo além daqueles números. O que vai definir ele não são os valores na sua ficha, mas o que você faz com ela, o que você consegue criar em cima daquilo. Quanto a sistemas que permitem uma customização do personagem mais ampla, com compra de características com pontos, vantagens e desvantagens, tente não ir criando o seu personagem a medida que vai querendo comprar essa ou aquela habilidade, ou querer ter mais pontos comprando uma desvantagem aleatória. Tente vir com um personagem pronto, uma persona e traduzi-lo da melhor maneira possível, em números. O contrário pode ser bem mais difícil, e resultar em um personagem artificial, construído apenas para ter tais vantagens. Uma coisa é abraçar o caos e criar sobre ele, outra coisa é colar um monte de peças que não se encaixam e dizer que aquilo tudo é real.

Não se Limite ao Personagem: Por fim, não se limite ao personagem. Crie lugares, pessoas, objetos, amigos e inimigos relacionados a ele. Provavelmente, para o seu personagem ser real, você já vai ter pensando em muitos outros elementos desses. Disponibilizando isso para o mestre incorporar no mundo de campanha vai ajudar o jogo a ser mais envolvente para você e mais fácil de conduzir para o narrador. Se puder, converse com os outros jogadores para criarem laços entre as diversas histórias, pequenas relações que os conectem e possam levá-los a agir em conjunto, quem sabe já começando o jogo como um grupo.

Enfim, essas foram apenas cinco dicas que podem ajudar um jogador a criar personagens mais marcantes, e fazê-los mais queridos em qualquer mesa por aí, ou pelo menos seria muito querido em uma mesa minha! Espero que isso possa ajudar algum jogador, como tem me ajudado.

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