sexta-feira, 24 de abril de 2015

Jogando AD&D novamente - Parte I

O grupo com que jogo semanalmente (para o qual estou mestrando a campanha de DCC RPG) agora está revezando mestres, para que os jogadores experimentem jogos e estilos de jogo diferentes. Esta última terça-feira rolou a primeira sessão da mesa de AD&D que o +Eduardo Felipe vai mestrar e, com isso, tive a oportunidade de jogar AD&D 2ª edição novamente, depois de um longo intervalo.

Começamos, é claro, pela criação dos personagens. O mestre permitiu dois métodos para geração dos atributos: rolar 3d6 em ordem, seis vezes, para cada um dos 6 atributos, sem poder trocar os valores; ou rolar 3d6 seis vezes, anotar os valores, e assinalá-los como desejarmos. Bem, como eu não tinha muita ideia do que fazer mesmo e gosto do conceito old school de deixar os dados decidirem o destino e lidar com o que quer que jogam contra você, usei o primeiro método mesmo. O resultado, como esperado, foi um personagem bem mediano, com quase todos os atributos em torno de 10 a 12, Destreza 14 e Inteligência 7. Apesar disso, ele não tem nem bônus nem penalidades em nada. Então, tudo bem, ele está bem de acordo com o conceito que os aventureiros são praticamente pessoas comuns, com a diferença de terem a coragem de partir em busca de aventuras.

Apesar de me qualificar para algumas outras classes básicas, resolvi que ele seriam um Ladrão (não é ladino, é ladrão mesmo!), humano mesmo, assim não teria mais nenhum ajuste a fazer na ficha, a não ser anotar as habilidades padrões e comprar equipamento. No final, com 1d6 de vida, 60 po, e atributos que não faziam tanta diferença, me senti como um personagem de nível zero de Dungeon Crawl Classics. A diferença, é que eu só tinha um personagem e não 3 ou 4 para tentar sobreviver com 1. Eu teria que ser cauteloso no jogo.

As habilidades ladinas começam com valores bem baixinhos no AD&D, principalmente se você não tem nenhum modificador devido à sua Destreza. Para me esconder, andar furtivamente e outras coisas eu tinha, em média, 20% de chance. É como ter que tirar 17 ou mais no d20. Desafiador, no mínimo.

Os outros jogadores não tiveram tanta sorte a mais do que eu. Os atributos de todo mundo ficaram na média, com um ou outro conseguindo pequenos bônus aqui e acolá. Ninguém, obviamente, conseguiu ser um paladino (ainda bem, porque eu ladrão era caótico e neutro e eu detesto paladinos). No final, ficamos com um grupo bem padrão: eu com um ladrão, o +Pedro Cosati com um guerreiro anão, o +Edson Sorrilha Filho com um clérigo humano e o Weberton com um mago humano.

O mestre perguntou se queríamos começar já se conhecendo e achamos melhor que sim. Éramos parceiros de alguns trabalhinhos anteriores, como roubos a casas de mercadores ricos e outras coisas. Afinal, ficamos algum tempo fazendo a ficha e queríamos jogar logo. Tudo começou, aparentemente depois de acordarmos de alguma ressaca ou coisa assim. Estávamos em celas individuais apertadas, mas podíamos ver uns aos outro pelas grades.

Como eu era um ladrão, perguntei se eu não poderia ter escondido algumas ferramentas nas minhas roupas, assim como uma adaga, e o mestre permitiu. Não custava nada, então, tentar abrir as fechaduras com minha habilidade de 20% de chance. Esperei não ter ninguém pelo caminho e tentei. Vai que conseguia né? Por sorte, tirei 05 e abri a porta. No momento que cogitava tentar abrir as celas dos outros prisioneiros, todos nós vimos um clarão que quando dissipou revelou que todas as grades tinham sido arrebentadas. Achei tudo muito estranho mas, enfim, estávamos livres. Havia outros presos pelo local, mas todos desacordados e sem nada de valor (eu chequei).

De repente, ouvimos um barulho de pessoas, ou imaginávamos que eram pessoas, vindo das escadas que davam para o corredor das celas. Um orc com dois goblins vieram averiguar o que estava ocorrendo. Meu ladrão se escondeu dentro de uma das celas logo a frente e esperou a confusão começar para sair e dar seu primeiro ataque pelas costas do jogo e, aliás, foi o primeiro crítico! Estripei o orc com minha adaga e o joguei para cima dos goblins, que se atrapalharam. O batalha não demorou muito e no final fizemos um dos goblins de prisioneiro e o forçamos a nos indicar o caminho para fora dali (obviamente ele iria nos trair, mas já sabíamos disso).

Foi então que começamos a nos lembrar mais ou menos do que tinha ocorrido (o mestre nos contou durante a luta o quê lembrávamos). Procurávamos um garoto por causa de uma profecia, nos ofereceram uma quantia em ouro para encontrar um jovem mago que seria aquele que enfrentaria ou outro feiticeiro ou coisa assim. Não importava muito pra mim o que a profecia dizia. Eu tinha que encontrar uma pessoa para pegar uma grana e gastar com bebidas e mulheres, só isso. Mas ninguém lembrava exatamente como era o garoto ou o seu nome. Então só queria sair daquela toca de ratos e, se desse, carregar algo de valor comigo.

O goblin fedorento nos guiou por pouco tempo, até chegar a uma esquina com outros 3 corredores, quando tentou fugir mas acabamos capturando ele novamente. Bem próximo havia um aposento cheio de orcs comendo e bebendo. Se cruzássemos o corredor, era bem provável que seríamos vistos. A ideia era apagarmos as tochas nos corredores para passar por eles entre as sombras. Isso era fácil de fazer do lado que estávamos, mas havia tochas do outro lado do corredor também. Era hora de testar, mais uma vez, minhas incríveis habilidades ladinas de 20% de chance de sucesso.

E não é que eu consegui de novo? 07 ou alguma coisa assim e eu estava do outro lado, apagando as outras tochas para meus companheiros passarem. Seguimos em frente até encontrar um aposento com duas portas uma para cada lado mas com uma passagem secreta que fora indicada pelo goblin prisioneiro antes dele tentar fugir, para onde ele disse que haveria a saída. Achei bem improvável que era por ali, mas tudo bem. O clérigo encontrou a passagem secreta e nos vimos em um aposento de descanso, com uma cama e um armário, além de uma escada que subiu, quem sabe, para a superfície e uma porta na parede oeste. Olhamos no armário e tudo que encontramos foi uma espada longa, a qual peguei, e alguns livros de estratégia que pareciam ser de algum tipo de militar.

Subimos a escada, então, para ver se encontrávamos uma passagem para fora dali. Havia uma porta de pedra no topo, mas o anão logo percebeu que ela havia sido vedada há muito tempo atrás e a chance de abri-la era mínima. Foi então que ouvimos passos pesados adentrando o aposento abaixo de nós. O guerreiro desceu as escada para verificar o que tinha ali e foi alvo de uma flecha que, por sorte, seu escudo bloqueou.

O grupo ficou meio hesitante, querendo recuar pela escada, o que era loucura, já que estaríamos encurralados. Pegando uma garrafa de bebida altamente alcóolica que achamos pelo caminho, com um pedaço de pano que acendi na tocha, desci correndo e arremessei na primeira coisa que vi ali, um hobgoblin! Fogo se espalhou pelo local e deixou ele e seus orcs surpresos. Vendo que a coisa estava ficando quente, o resto do grupo decidiu partir para a luta e sair dali antes que nós mesmos virássemos churrasquinho.

O combate não durou muito e, pelo que me lembro, poucos ficaram feridos significativamente. Saímos de lá antes que o aposento todo ficasse em chamar e, de quebra, ainda consegui desarmar uma armadilha que estava na porta oeste do quarto (sim, tirei menos que 20% novamente!). Mas acabamos chegando em um aposento pelo qual já havíamos passado.

Voltamos então por onde tínhamos vindo quando avistamos no final do corredor uma força de homens invadindo o local e lutando contra uma porção de orcs. Estávamos salvos... Será? A sessão terminou ali, com metade do grupo querendo se juntar ao grupo de invasores e eu e o mago querendo continuar a explorar o local, longe dos homens com "autoridade", já que eu não gosto muito disso e prefiro fazer meu próprio caminho.

Semana que vem a gente descobre que fim teremos e para onde iremos. Foi legal, embora admita ter sentido falta de algumas coisas de DCC, como Sorte ou chances maiores de ser bem sucedido com minha habilidades ladinas, mas tudo bem. Está emocionante do jeito que está.

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