domingo, 22 de abril de 2012

Crônicas da Terceira Era - Em Busca da Luz - Parte V


Ao acordar no dia seguinte, Elmara se viu no interior de uma pequena construção entre duas grandes colinas. Seu corpo coberto pela capa dada pelos elfos de Mirkwood, que apesar de fina, a mantinha aquecida. A brasa de uma fogueira jazia a sua frente. Demorou alguns minutos até que Aerandir aparecesse trazendo algumas frutas silvestres que conseguiu encontrar por ali.

Vendo que seu companheiro já tinha acordado, o elfo lhe explicou o que tinha ocorrido na noite anterior, pois naquele momento Elmara estava confusa. Aparentemente, os homens que os atacaram na ruína eram homens do oriente, de um povo selvagem e que tinha velhas alianças com o Inimigo. Suas armas e vestimentas denunciavam sua origem mas não o proposito de estarem ali, tão longe de sua região. Algo estava errado, mas não tinham muito tempo para contemplar as possíveis razões do ataque. Rivendell estava a apenas dois dias dali e, como o tempo tinha aberto, aquele era o melhor momento para prosseguirem na viajem.

Os dois dias seguintes de viajem foram bastante pacatos e no final da tarde do segundo dia avistaram as casas dos elfos de Rivendell escondidas no vale secreto. Podiam sentir a magia dos elfos no local, a serenidade daquele povo e a melancolia de uma raça que está desaparecendo daquele mundo. Quanto mais se aproximavam, mais claramente podiam ouvir vozes élficas entoando uma canção que ao mesmo tempo lhes trazia conforto e tristeza. Quando cruzaram a antiga ponte que passa pelo córrego que corta o vale, foram recebidos por Haldir, um antigo e sábio elfo, amigo de Elrond. Ele cumprimenta Elmara e pergunta o que a trouxe de volta a última casa amiga do oeste e ela responde que eles vieram falar com Elrond. O elfo, então, informou que Elrond estava ocupado naquela noite, mas que com certeza falaria com os aventureiros no dia seguinte e que eles estavam livres para se acomodar onde desejassem.

Elmara e Aerandir procuraram uma edificação para passar a noite e descansar da cansativa viajem que tinham feito. À luz das estrelas e ao som de canções dos elfos eles adormeceram e acordaram revigorados no dia seguinte, como se algum tipo de magia os tivesse deixado mais fortes e com esperança renovada. Uma bela mesa de desjejum fora preparada, com frutas, cereais e pães servidas com sucos e vinhos. Ao lado de suas camas, vestes limpas foram deixadas para que ficassem mais a vontade.

Após a metade do dia, Haldir os chamou para que fossem ao encontro do Lorde Elrond que os aguardava no pátio central de sua morada. Ao adentrarem o recinto, o elfo se encontrava de costas para ele, observando as águas do córrego que caiam em um cachoeira na ravina abaixo. Sem se virar, o lorde disse aos aventureiros que eles traziam com si um poder maligno.

- Percebo, então, que encontraram um dos artefatos dos bruxos da Angmar. Faltam, ainda, dois para que sua missão seja cumprida.

O lorde élfico já sabia para que eles tinham vindo até ali. Eles queriam deixar o artefato em Rivendell, como logo pediram para Elrond, mas este não permitiu que fizessem isso. Aquela não era o papel dos elfos, mas sim os dos homens. Era eles que deveriam enfrentar as forças de seus inimigos de Angmar.

- Esta missão é sua, Elmara, e você deve levar os artefatos de Angmar até Isengard para que o mago branco posso descobrir como destruí-los. Nós, elfos, temos outros afazeres e muitos de nós estão deixando esta terra para nos juntarmos aos nossos irmãos no oeste.

A dúnedan, no entanto, estava cansada e sobrecarregada com o peso de ter em sua posse aquele objeto maléfico e queria de toda forma se livrar dele. Ela pediu para que Elrond entrasse em contato com os magos para que esses fossem até lá para pegar o artefato. Mas o lorde élfico explicou que aquele não era o dever dos Istaris. Eles estavam lá para ajudar os povos livres da Terra-Média, para guiá-los e lhes dar esperança, mas ainda eram esses povos que deveriam lutar contras as sombras não os magos. Em resumo, era o dever dela ir até Isengard e entregar-lhe o artefato e ela sabia disso, sempre soube, mas o peso de tanta responsabilidade a fazia querer se livrar daquele item maldito.

De repente, uma criatura saiu de trás das sombras das pilastras que cercavam o local. Era um jovem hobbit, de cabelos escuros, olhos amendoados e um sorriso maroto no rosto. Ele queria acompanhar o grupo naquela missão até Isengard e pediu permissão ao Lorde Elrond para isso.

- Bem, parece que não vou precisar apresentar vocês ao amigo de Robin Roper que chegara aqui há alguns dias. Essas criaturas são mais curiosas a medida que ficam menores. Este é Pêpe Língua-Afiada

Elmara sentiu um pesar grande no coração ao ver que outro hobbit do condado partiria para uma aventura que poderia não ter mais volta. Entretanto, Elrond parecia não se opor a ida do pequenino com eles. De fato, a ajuda que Pêpe daria a companhia ficaria clara em pouco tempo.

O lorde élfico estava exitante em ajudar o grupo naquela jornada. Mas os apelos e as palavras bem escolhidas no discurso do mestre hobbit foram decisivas para que o líder de Rivendell se comprometesse a fornecer cavalos, pôneis e mantimentos para o grupo. No entanto, Elrond os alertou que viajar portando cavalos dos elfos e magia desse povo alertaria as forças da Escuridão de que eles eram aliados da Casa de Rivendell e da luz e isso, com certeza, atrairia mais oposição ao grupo.

Mas a companhia não se importava. Para eles, nada chamaria mais atenção do Inimigo do que o artefato que estavam portando. Eles partiriam em breve para o sul, contornando as Montanhas das Névoa em direção a morada do mago branco. Saruman, com certeza, saberia o que fazer com aquele item e talvez lhes ajudassem a encontrar aqueles que ainda faltavam.

Enquanto isso, do outro lado das montanhas, Klandrin e Balared se recuperavam da grande batalha junto com os bravos beornings que derrotaram um contingente de goblins e orcs muito maior que eles. Um batedor avisara que as forças do Inimigo estavam recuando para as montanhas onde, provavelmente, tentariam reunir mais combatentes para atacar, mas que isso ainda demoraria algumas semanas. Halfstat, então, decidiu que era hora de voltarem para o sul e buscarem ajuda entre os irmãos homens das florestas. Alguns homens tinham sido enviados para falar com Radagast, mas nenhuma notícia voltara até aquele momento.

A descida pelas colinas até a planície do Vale do Anduin foi sem incidentes, mas uma novem escura parecia acompanhar os guerreiros por todo o caminho. A jornada foi lenta, pois havia muitos feridos no grupo e, a cada vilarejo que passavam, Halfstat convocava mais homens para se juntar ao grupo. Precisariam de todas as pessoas capazes de empunhar uma arma se forem tentar impedir que os orcs e goblins dominem aquela região. Assim, depois de quase dez dias, chegaram à Casa de Beorn. Lá, muitas pessoas já haviam chegado de comunidades mais distantes. Uma ar de grande tensão pairava sobre o local, todos sabiam que em breve o destino daquele povo seria decidido no campo de batalha.


Os aventureiros precisavam de alguns dias de descanso, Kladrin fora gravemente ferido pelo troll na batalha entre as colinas. Halfstat os procurara depois de alguns dias. Ele disse que Beorn estava fora, em busca de aliados entre os habitantes das montanhas e espionando o que os inimigos estavam fazendo. Disse ainda que os guerreiros enviados para o sul não foram mais avistados e que precisavam que alguém fosse falar com Radagast e os homens da florestas para pedir ajuda, e era por isso que ele os procurara.

Os heróis não exitaram um momento em ajudar aquele povo, Balared sabia de suas obrigações como um Beorning e Klandrin pensou que talvez Radagast teria alguma informação sobre o que fazer agora. Assim, depois de alguns dias, os dois partiram para o sul. O inverno se aproximava do fim, e uma chuva fraca de primavera chegara mais cedo. Após três dias de viajem seguindo o curso do Grande Rio os dois avistaram um pequeno acampamento perto da ponte que cruzava o Anduin em sua margem leste.

Uma neblina os impedia de visualizar quem eram os ocupantes daquele local, então Balared foi furtivamente se aproximando até que pudesse ver que criaturas estavam ali. Quanto estava chegando perto, no entanto, pisou em falso sobre um pedra que rolou fazendo um barulho que chamou a atenção de todos por ali. O aventureiro pode ver dois homens vestindo armaduras de couro e capa de viajem sacarem espadas e se virar para trás. Um anão de barba negra e gorro azul deu um passo para trás para pegar sua picareta de guerra, antes de perguntar quem se aproximava.

- Acalmem-se amigos. Sou Balared das terras norte. Venho em paz com meu amigo Klandrin de Erebor. - E nesse momento o anão se aproxima com as mãos levantadas para mostrar que não vieram em conflito.

A partir daquele momento, todos se apresentaram e trocaram informação de onde vieram e para onde estavam indo. O anão era Odir, das Montanhas Azuis, e viera acompanhado de dois primos para aquela região para comercializar itens de fabricação do povo de Durin. Ele disse, ainda, que pretendia ir até Erebor para se reunir e ver o grande rei Dáin Ironfoot e a pedra de Arkenstone sobre o túmulo de Thorin, mas não sabia como chegar lá, já que, aparentemente, o caminho que seguiriam está em uma região sobre conflito.

Foi então que Kladrin e Balared disseram que o melhor caminho que Odir poderia tomar naquele momento era ir para o sul e cruzar a Floresta de Mirkwood em sua região mais estreita, no Estreito da Floresta. Disseram, ainda, que poderiam ajudar o comerciante a chegar até lá, já que estavam indo para Rhosgobel. Os dois homens se revelaram como caçadores, homens das florestas, e que poderiam ajudar o grupo a chegar até Rhosgobel, já que conheciam bem o caminho. E assim, um novo grupo de viajantes se formara para ir em direção à morada do mago marrom. Será que conseguiriam o apoio daquele povo que até pouco tempo estava sendo atacado pelos terríveis wargs?

Essa história está sendo criada em uma mesa de The One Ring - Adventures over the Edge of the Wild. Cada sessão corresponde a uma parte da história, que se cria e modifica conforme todos os envolvidos decidem o que seus personagens fazem e como eles reagem.

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