quinta-feira, 19 de abril de 2012

Ferramentas inerentes a todo Narrador

Já escrevi algumas postagens sobre ferramentas e técnicas que todo narrador pode usar para melhorar suas mesas, mas, ainda, nunca falei das ferramentas inerentes que todo mestre possui e que, se bem utilizadas, podem deixar qualquer sessão memorável. E essas ferramentas nada mais são que a voz e a linguagem corporal que utilizamos para nos comunicar com nossos jogadores. Pode parecer pouca coisa, mas elas podem fazer uma diferença tremenda.

Começando pela voz, que é o instrumento musical mais antigo do mundo, é importante lembrar que podemos usá-la para representar melhor os personagens, dar um clima mais calmo, mais agitado, mais sombrio ou mais violento para o jogo. Quando estiver narrando uma cena em uma floresta secular, silenciosa, placida, é interessante manter o tom de voz baixo, a fala calma e pausada. Ao mesmo tempo, quando estiver narrando uma cena de batalha ou ação, levante o tom de voz, fale mais rápido, com mais energia e empolgação. Esse tipo de variação, com certeza, fará com que os jogadores entrem no clima do jogo e percebam como cada momento do jogo é diferente. Essa técnica oratória é muito utilizada por narradores orais e por grandes comunicadores e, por isso, pode e deve ser usada por nós.

Outra forma que podemos sempre melhorar na hora do jogo é quando interpretamos NPCs. Quando for representá-los lembre-se de usar vozes diferentes para cada um, as vezes rouco, as vezes com voz mais grave outros com vozes mais agudas. A maneira de falar é uma boa forma de dar personalidade ao personagem. Um deles pode ser gago, o outro falar rápido demais ou ter uma tosse crônica. Uma boa maneira de se pensar nisso é observar as pessoas com que interage ao longo do dia. Veja como cada uma tem um jeito de falar diferente, peculiar. Tente reproduzir isso nos seus NPCs de acordo com suas personalidades e posições. Faça vozes diferentes e insulte os personagens durante o combate com vozes das criaturas que enfrentam, sendo os guturais sons de um orc ou os gritos agudos de uma aranha gigante.

Além da voz e da maneira de falarmos, outra grande ferramenta que temos para nos ajudar a contar histórias é o nosso corpo. A maneira como nos comunicamos por meio de posições, sinais e posturas pode transmitir informações que apenas pela a palavra não seriam transmitidas. Aqui vale a mesma técnica para a fala, variação. Em cenas pacatas e calmas, mantenha uma postura passiva, sem muita gesticulação mas, quando estiver narrando um momento excitante, de ação, levante-se, agite-se, faça gestes demonstrando o que está acontecendo.

NPCs também podem ser caracterizados por como você os retrata fisicamente. Personagens imponentes fortes e auto-confiantes devem ser interpretados mantendo-se uma postura ereta, cabeça erguida e olhando direto nos olhos dos jogadores. Já personagens indefesos podem ser ser interpretados em uma postura recolhida, olhando os jogadores de baixo para cima, com um olhar cabisbaixo. Uma boa dica para dar uma personalidade diferente para cada NPC é criar para cada um uma mania gestual, tic nervoso. Um anão que coça a barba toda hora, um idoso que fica alisando suas próprias mão, uma mulher que ao falar com cada personagem bota a mão sobre seu ombro e por aí vai, seja criativo e, mais uma vez, observe as pessoas na rua.

Essas duas ferramentas são inerentes a todo mestre de jogo, basta que nós nos esforcemos para utilizá-las e aprimorá-las. Pode não parecer, mas elas fazem uma grande diferença durante o jogo. Na minha campanha atual, de The One Ring, tem um jogador que adora as vozes que eu faço das aranhas gigantes de mirkwood e como ela xingam os personagens e umas as outras. Não tenha vergonha de parecer bobo quando faze essas coisas, isso faz parte da diversão!

Se você gostou da postagem, visite a página do Pontos de Experiência no Facebook e clique em curtir. Você pode seguir o blog no Twitter também no @diogoxp.