quinta-feira, 12 de abril de 2012

Crônicas da Terceira Era - Em Busca da Luz - Parte IV


Viajando o mais rápido que conseguiam e viajando seus arredores contra a presença de qualquer goblin ou orc, a companhia chegou na Casa de Beorn em uma fria tarde de inverno. Ao se aproximarem do comunidade de beornings que vivem ao redor do local, um homem alto com físico avantajado e uma espessa barba negra sinalizou para que os companheiros parassem. Ele se identificou como Halfstat, o líder dos guerreiros dali, amigo de Beorn e quis saber quem eram aqueles estranhos viajantes e o que queria com eles.

Elmara se apresentou de forma um tanto ríspida e sem a devida formalidade que geralmente se espera de viajantes entrando na casa de um grande guerreiro, o que deixou o beorning um tanto insatisfeito. Por sorte, Balared, um beorning dos vilarejos do norte, conseguiu apresentar o grupo de uma forma mais cordial e pediu para que pudessem adentrar a vila para descansar e repassar as notícias que trazia dos limites norte da região. Percebendo que lidava com um de seus irmãos beornings o líder deixou-os adentrar a comunidade e os levou até o salão principal, onde descansariam e conversariam.

Depois de servidos com pão, carne e bebidas os heróis deram um relato sobre o que viram desde que saíram das terras dos elfos. Contaram como encontraram o vilarejo destruído com dezenas de pessoas mortas por orcs e como tiveram um encontro, na madrugada, com um grupo dessas criaturas. Relataram, ainda, a visão que tiveram na floresta dos casulos de teias que possivelmente seria de fugitivos do ataque a vila. Halfstat pareceu consternado, mas não pareceu tão surpreso. Aparentemente estavam tendo problemas com os goblins das montanhas há alguns meses, mas nada tão grande, até aquela data.

O líder local, então, disse que a companhia podia ficar a vontade para se recuperar dos ferimentos e do cansaço da viajem. Ele iria enviar um grupo de guerreiros para o norte na esperança de encontrar alguns sobreviventes e averiguar o que os orcs estariam tramando. Mas disse que voltaria a falar com eles em breve. No dia seguinte um grupo de vinte beornings, armados com lanças e machados seguiu para o norte.

A companhia permaneceu na Casa de Beorn por um pouco mais de uma semana, até estar totalmente recuperada. No terceiro dia, depois que o grupo de vinte beornings foi para o norte, cinco deles retornou com a informação que um pequeno exército de goblins e orcs se formava ao pés das Montanhas das névoas no noroeste, na margem oeste do Anduin. O resto deles estavam na floresta, procurando por sobreviventes. Caso aquele exército atacasse em breve boa parte das terras dos beornings estaria perdida, eles precisavam de mais tempo para juntar suas forças e convocar os guerreiros de todas as comunidades. Sabendo do conhecimento de Balared sobre a parte norte de suas fronteiras e da experiência do grupo de aventureiros, Halfstat os invocou para dar-lhes a missão de atrasar os orcs o máximo que conseguissem, até que os beornings reunissem um exército suficiente para enfrentar as criaturas.

No entanto, nem todos do grupo aceitaram a tarefa, apesar de Halfstat considerar uma obrigação que aqueles que trouxeram as más notícias devam ser aqueles que ajam contra ela. Elmara e Aerandir não iriam para o norte enfrentar os orcs, eles estavam determinados a seguir viajem para Rivendell, para falar com Lorde Elrond. Balared e Klandrin iriam, junto com quantos beornings conseguissem encontrar no caminho, marchariam para o norte para enfrentar o exército das criaturas da montanha. A dúnedan tentou conseguir cavalos para a viajem que faria, mas os beornings não tinham nenhum que pudessem se desfazer naquela hora de necessidade.


Assim, depois de dez dias, desde que chegaram, os companheiros se separaram. Elmara e Aerandir seguiram para oeste, em direção à Passagem Alta e Balared e Klandrin foram para o norte, junto com um pouco mais de trinta beornings, na esperança de conseguir mais guerreiros e impedir o ataque das forças das trevas sobre as terras do Vale do Andruin. Ao analisarem o mapa da região, perceberam que a provável rota da força inimiga, que não quer ser percebida até estar dentro da região guardada pelos beornings, seria através de um vale entre a margem leste do Anduin e a planice povoado pelo povo guerreiro. Por isso, seria lá que eles fariam um ataque para retardá-los de impedir que entrassem com toda a força no Vale do Anduin.

Pelo caminho até o vale, Balared e Klandrin passaram por pequenos povoados de beornings, onde conseguiram o apoio de cerca de mais vinte guerreiros. Se tudo desse certo, aquilo seria o suficiente para segurar um grande ataque dos goblins das montanhas, já que tinham a vantagem de conhecer o terreno e estarem se preparando para lutar nele. A maioria dos beornings vestia uma armadura de couro leve, vigorosas peles de animais para se abrigar do frio e portava um grande machado. Alguns usavam escudos e levavam lanças também.

Ao chegarem ao vale entre as colinas, o qual os orcs provavelmente passariam, preparativos começaram a ser feitos. Klandrin, veterando de algumas batalhas, entre elas a Guerra dos Cinco Exércitos e o cerco a Casa de Faerel, foi um dos encarregados de montar a estratégia para o confronto com auxílio de Balared. Juntos, eles decidiram posicionar cerca de vinte homens nas colinas para atacarem com lanças pedras e outros projeteis contra as tropas inimigas abaixo. Três grandes pedregulhos foram preparados para serem lançados abaixo a fim de desestabilizar os goblins que ali entrariam em pouco tempo. Klandrin, Balared e mais vinte e poucos guerreiros ficariam na base do vale, prontos para segurar, o quanto puderem as tropas do Inimigo. Graças ao estreito corredor formado pelas colinas, um pequeno número de valorosos guerreiros poderia segurar centenas de inimigos por um longo tempo. Além disso, graças ao pequeno número de cavalos, um outro grupo de beornings atacaria o força inimiga por trás depois que eles tivessem adentrado o vale, pegando-os por trás e de surpresa.

E foi durante a madrugada da noite seguinte que as primeiras tropa de orcs e goblins chegaram. A frente deles vinha um grande orc, de pele escura, ereto usando uma armadura de metal cheia de espinhos e um grande olho vermelho pintado em seu peito. Sons de chifres graves sendo tocados pelos orcs para comandarem os goblins indisciplinados podiam ser ouvidos misturados aos grunidos dos orcs e vozes agudas de seu companheiros menores. Quando estavam já na metade do vale o ataque começou. Os pedregulhos gigantes foram rolados e muitos inimigos foram esmagados por eles, as tropas ficaram desestabilizadas e o inimigo demorou para se adaptar no campo de batalha. À frente, Klandrin e Balared lideraram um grupo de ferozes homens e mulheres contra as criaturas, que iam sendo mortos aos montes. Mas isso não durou muito tempo. Logo os orcs botaram as tropas em linha novamente e uma segunda onda  de ataques começou.


Alguns beornings iam sendo abatidos mas, comparando com o número de servos das trevas que caiam, eram poucos. Todos acreditavam que conseguiriam segurar o exército dos orcs até que reforço chegasse, até que algo mudou e fez com que dúvida se instalasse no coração deles. Uma nuvem negra, auspiciosa cobriu todo o vale e de trás do mar de goblins das montanhas vinha um troll, gigantesco, sendo arrastado em correntes. Logo que foi liberada a criatura urrou tão alto que fez as colinas ao redor tremerem. Pegou um goblin arqueiro que atirava contra os beornings no alto e o arremessou contra os mesmos.

Os orcs vibravam com a furia da criatura. Foi então que os aventureiros deram a ordem para que os lanceiros concentrassem seus ataques contra as criaturas. Uma das beornings, Beranwyn, saltou do alto da colina e encravou sua grande lança no peito do monstro que quase tombou de uma vez. O troll ficou alguns segundos andando desequilibrado até cair por cima de um grupo de goblins.

Mas Klandrin e Balared sabiam que trolls não eram mortos tão facilmente e decidiram partir para cima da criatura antes que ela levantasse novamente. No caminho, entretanto, foram interceptados por um grupo de soldados de elite orcs junto com o líder deles, o grande orc com o olho vermelho pintando no peito. E ali ocorreu um luta devastadora, outros goblins e orcs não chegavam perto, pois quando o grande Ghur'dar escolhia seu inimigo, este era só dele. Naquela noite, porém, ele escolhera errado.

Apesar da dificuldade e dos ferimentos, Klandrin e Galared saíram vitoriosos e com a morte daquele líder, as tropas inimigas ficaram desmoralizadas. Só faltaria derrubar de vez o troll para que os goblins abandonassem seus postos. Mesmo ferido o troll ainda era um oponente formidável. Balared e Klandrin precisaram trabalhar juntos para conseguir vencê-lo. No final, o anão saiu ferido gravemente, devido a um ataque poderoso da gigante criatura com uma pedra, mas seu companheiro fincou seu machado nas costas do monstro.

Vendo seus lideres e armas mais poderosas os goblins das montanhas bateram em retirada. Os orcs tentaram impedi-los e isso gerou uma luta entre as criaturas, o que os beornings aproveitaram para eliminar aqueles que ainda não tinham fugido. Os guerreiros a cavalo aproveitaram esse momento para atacar os fugitivos, que foram pegos de surpresa. Aquela batalha tinha sido vencida, mas era provável que mais orcs e goblins voltariam depois.

Enquanto isso, Elmara e Aerandir começavam a subir as Montanhas das Névoas. Seria uma jornada cansativa mas a dúnedan escolhera uma trilha mais amena para seguir. Passaram por ruínas de antigas vilas de homens do norte nos primeiros dias, onde puderam se abrigar do frio e da neve. No terceiro dia da travessia pelo Passe Alto eles encontraram uma pequena caravana de homens e anões vindo o oeste. Os aventureiros alertaram os viajantes quanto a presença de goblins no Vale do Anduin e dos problemas enfrentados pelos Povos Livres do Norte. Tudo aquilo deixou todos preocupados, mas não iriam voltar agora, seguiriam até o território dos Beornings para depois decidir o que fariam. Os dois grupos passaram aquela noite juntos em uma torre de vigília abandonada. Na manhã seguinte se despediram e foram em direções opostas pelas trilhas.

Na noite do quarto dia, o penúltimo antes de chegarem do outro lado das Montanhas da Névoas a dupla foi atacada. Tudo aconteceu enquanto descansavam em um platô. Quatro homens encapuzados escalaram silenciosamente a lateral da elevação mas foram vistos por Elmara. No entanto, isso não a ajudou a evitar os ataques que eles desferiram com tanta agilidade. Elmara fora ferida gravemente e envenenada por aqueles atacantes e, se não fosse por Aerandir, o pior teria acontecido à dúnedan. O elfo de Mirkwood lutou bravamente e matou os assassinos em pouco tempo, mas viu sua companheira cair no chão gelado da montanha, tendo convulsões. Quem seriam aqueles? Porque atacaram Elmara e Aerandir?

Essa história está sendo criada em uma mesa de The One Ring - Adventures over the Edge of the Wild. Cada sessão corresponde a uma parte da história, que se cria e modifica conforme todos os envolvidos decidem o que seus personagens fazem e como eles reagem.

Para ler outras partes dessa crônica ou outras crônicas, clique aqui.