segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Reporte Comentado - O Um Anel - O Resgate de Noel, o Vermelho

Neste último sábado, dia 15 de dezembro, eu mestrei no Saia da Masmorra uma mesa de The One Ring (O Um Anel) especial de natal. A ideia era fazer uma mesa bem descontraída, "lighthearted", como a história do "O Hobbit", e bastante divertida. Inicialmente, a intenção era colocar apenas hobbits na aventura, mas como não tive tempo de criar mais personagens hobbits, utilizei os mesmos personagens que utilizo nas "One-Shots" de The One Ring que mestro. Assim, tive que improvisar uma razão para todos aqueles anões, elfos, homens de dale e outros estarem no Condado, fazendo com que eles estivessem ali porque escoltaram um grupo de hobbits que visitara Dale em um grande festival de Verão.

A aventura se passou no inverno, próximo a 25 de dezembro. Os personagens, uma elfa erudita chamada Melenthia, um anão guerreiro chamado Morin, e um Hobbit aventureiro chamado Guido, estavam se preparando para partir e voltar para as Terras Ermas quando ecoou pelas colinas verdejantes do condado o som de uma corneta. Descrevi como aquilo era incomum no condado e como os Hobbits saiam de suas tocas assustados, reclamando do barulho e culpando os aventureiros pela confusão, já que aquilo não acontecia ali antes deles chegarem.

O grupo foi rapidamente em direção ao som, e viram um hobbit vestindo roupas estranhas, vermelhas, verdes e brancas. Ao interagirem com ele, apresentaram-se como é de costume nos encontros sociais, descobriram que o pequenino é um ajudante de um mago misterioso, chamado de Noel, o Vermelho, que sempre vem ao condado nos dias 25 de dezembro para trazer paz, alegria, esperança e presentes aos pequenos hobbits. O problema é que, no caminha para o condado, Noel passara na Velha Floresta e lá fora atacado por criaturas estranhas, das sombras, que saíam do chão. O grupo perguntou mais sobre o que acontecera, mas o pequeno hobbit não viu muita coisa, já que a floresta é bem fechada e escura, e ele correu por sua vida.

Dessa forma, o grupo decide ir para Buckland, do outro lado d'Água, para ver se os hobbits daquela região tinham alguma informação sobre o ocorrido. O interessante é que eu não esperava isso dos jogadores, achava que eles iriam direto para a Velha Floresta, mas um deles conhecia muito bem o cenário, melhor do que eu, aliás, e sabia que os Brandebucks conheciam a floresta melhor do que qualquer um no Condado. Ele me lembrou da cerca viva que cerca a floresta e do portão onde um vigia fica. Assim, tive que improvisar um pouco.

Ao chegarem ao portão da floresta, eles acordaram o vigia que dormia com um cachimbo na boca, o que não o deixou muito feliz. Eles deixaram o hobbit fazer a maior parte da comunicação, já que ele é mais educado e articulado para isso. Eles ofereceram um pouco de erva do sul para acalmar o guarda e conseguir algumas informações. O que descobriram é que realmente a floresta tem andado mais perigosa, estranha. Mas ele não sabia muito além disso. Eles então pediram uma indicação de estalagem e o guarda os levou até o "Caneco Cheio", cujo dono era primo de 2º grau do vigia.

Lá eles foram recebidos com certa estranheza e curiosidade. No entanto, eles não queriam revelar o motiva de sua vinda. Eles reservaram seus quartos e foram interagir com os frequentadores. Eles usaram um pouco de cortesia e música para se enturmar com os pescadores que ali ceavam. Para conseguir informações sobre a região e a floresta, sem revelar o motivo das perguntas, eles tiveram que fazer algumas jogadas de "Enigmas". Nesse RPG, essa perícia é usada tanto para participar do jogo de Enigmas, como para conseguir informações sem revelar muita coisa. Assim, com o dispêndio de algum dinheiro, algumas boas histórias e muito subterfúgio eles ficaram sabendo de várias histórias estranhas de árvores vivas, javalis gigantes e outras coisas na floresta. Além disse, descobriram que um tal de Pardo Brandebuck, um ancião, é o hobbit que mais conhece a mata, já que ele costumava andar por ela quando mais novo.

Desse modo, no dia seguinte o grupo foi a procura do velho hobbit. A casa dele, velha, de madeira e com aparência de abandonada estava fechada, mas não havia sinal de que ninguém deixava o lugar por muito tempo. Foi preciso bastante insistência e uma escalada até o andar de cima para verem que o hobbit estava dormindo em seu quarto, todo encolhido. Ao ser acordado, ele não ficou muito feliz, e achou muito estranho um elfo, um anão e um hobbit vir lhe procurar por causa da velha floresta. Foi preciso uma boa dose de diplomacia, convencimento e a menção do mago vermelho para que ele falasse o que sabia.

Ele contou sobre a vinda de uma sombra para a floresta, e do surgimento de criaturas estranhas, a floresta ficou mais escura e atraia monstros. Desde então ele parara de caminhar debaixo de suas árvores. Ele contou ao grupo sobre caminhos que eram seguros antigamente, mas não tinha como ter certeza de que permaneciam assim. E para lá foram os aventureiros.

Um túnel em uma colina próxima, o grupo seguiu, passando por debaixo da cerva viva, e saindo em uma trilha estreita na Velha floresta. E por ela, a companhia continuou, cada vez mais se embrenhando na Velha Floresta, até que forma surpreendidos por um grupo de goblins que ficou contente em ter algo para comer. O combate é rápido, e o grupo consegue derrubar três goblins em uma rodada apenas, mas dois deles correm para o interior da floresta, em direções diferentes. O anão e o elfo os perseguem, deixando o hobbit para trás. Os dois rapidamente alcançaram e derrubaram seus inimigos, mas agora se viram isolados e possivelmente perdidos no meio da floresta. Aproveitei o momento para introduzir um encontro que poderia sair bem ou mal para os jogadores. O anão, perdido na floresta, viu uma enorme sombra se formando atrás dele, e quando olhou para trás viu uma árvore viva, cheia de flores douradas, era uma Entwife. O anão não se deu muito bem com a Ent, e mentiu sobre ter companheiros ali. No entanto, ela viu que havia goblins feridos por lanças e flechas, armas que o Anão não possuía e ficou furiosa. Se não fosse a intervenção do hobbit, que saiu de seu esconderijo, as coisas poderiam ter terminado ruins para Morin.

No final, o hobbit convenceu a Entwife, chamada de Flores Douradas de que eles não queriam mau nenhum à floresta e estava procurando por Noel, o Vermelho. A citação do mago fez com que a Entwife decidisse ajudá-los e ela disse que os levaria até a parte norte da floresta, onde, provavelmente o mago deveria estar, já que ela não viu nenhum sinal dele pelo sul. No caminho, ela os deixou em uma clareira com um riacho para que descansassem aquela noite enquanto ela tomaria providências em relação os goblins no sul da floresta.

Entretanto, ao amanhecer, Flores Douradas não retornou pela manhã (estava tendo problemas com os goblins e eu queria ver o que eles fariam sem ela). Os aventureiros, então, seguiram viagem e depois de algumas horas, no início da tarde, encontraram rastros de uma carroça. Ao seguirem os rastros encontraram a carroça revirada e destruída, com várias marcas de dentes e presas e pequenas armas. Acharam, também, um cajado vermelho partido, com a imagem de um floco de neve na ponta, o qual pegaram. Pegadas no chão indicavam um ataque. O grupo logo presumiu que se tratava da carroça de Noel. Melenthia, utilizando suas habilidades de rastreamento, começou a seguir o rastro deixado pelas criaturas, que se embrenharam na floresta, mas, logo, a trilha foi interrompida, uma outra batalha ocorrera. O rastro de uma grande criatura se encontrava com os dos raptores de Noel. Um breve combate ocorreu ali, mas a maioria dos raptores originais se dispersou em direções diversas, enquanto a enorme criatura deixou um caminho único em direção a uma colina. Aparentemente, os raptores originais abandonaram sua presa e fugiram. Mas o pior era que o rastro, pelo que eles podiam perceber, parecia ter sido deixado por um Troll de Pedra. Quando os jogadores perceberam isso, já tremeram nas bases, foi bem legal.

Estava no final da tarde quando eles chegaram na colina onde avistaram a entrada de uma caverna, possivelmente o covil do monstro. Guido, o hobbit, decidiu ir na frente usando furtividade para olhar o interior da caverna. A pouca luz só permitiu que ele visse alguns sacos grandes que pareciam do tamanho de hobbits e um saco maior que possivelmente seria Noel. Melenthia, então, se junta ao pequenino, mas seus olhos élficos a permitem ver a enorme massa deitado no fundo da caverna, um troll, aparentemente dormindo. E aí eles começaram a se perguntar o que fazer. O anão não tinha como chegar perto sem acordar a fera, e nenhum deles queria chegar muito próximo para soltar os prisioneiros com medo da criatura acordar.

Foi então que eles bolaram um plano. Guido saiu da caverna e começou a cantar uma canção zombando o Troll, algo como "Esse troll bem grandão, é tão burro e feião..." (ele usou a perícia Song de uma forma bem criativa). Isso chamou a atenção do troll, que acordou meio confuso e foi ver o que era. O hobbit saiu correndo chamando o troll para segui-lo. Assim, a elfa entrou na caverna e começou a soltar os prisioneiros, que estavam feridos e tontos. Enquanto isso, lá fora, o hobbit ia fugindo do troll habilmente, ele era rápido de mais para aquele gigante, até que ele tentou se esconder do troll o achou (como naquela cena do Frodo em Moria). O troll o pegou e começou a esmaga-lo na mão. Foi aí que entrou Morin, que veio correndo para atacar o troll. O golpe foi poderoso, e a criatura largou o anão. Depois de alguns minutos, os prisioneiros estavam livre, mas mal conseguiam andar. Ouvindo os barulhos da luta, Melenthia foi ajudar seus companheiros e encravou sua lança no monstro, que revidou com um ataque brutal que a jogou longe desacordada. O combate estava feio para o lado deles, até que o hobbit ouviu de longe o barulho dos passos pesados da Entwife e começou a chamar por ela, gritando. Em pouco tempo, por sorte dos aventureiros (eu joguei no d6 o número de rodadas que ela demoraria para chegar e tirei um). Ela botou o troll para correr enquanto o grupo foi socorrer o mago e seus ajudantes.

Basicamente esse foi o fim da aventura em si. Eles socorreram o mago, que por sua vez socorreu a elfa, e eles foram agraciados com presentes e a benção maior de Noel, a Esperança. Uma festa aconteceu no Condado em homenagem a eles, por terem salvado o Natal, e o Noel sumiu, como é típico dos magos, no dia seguinte.

No final das contas, foi uma aventura bem divertida para mim. Tive que criar muita coisa na hora devido às ideias dos jogadores, ainda bem que eu já tinha na cabeça o que estava acontecendo, que NPCs podiam participar da história (com exceção dos hobbits de Buckland que tive que criar na hora). Era como se eu também estivesse descobrindo tudo junto com os jogadores, e eu adoro isso. Um dos jogadores, uma menina, nunca tinha jogado The One Ring e pareceu ter gostado bastante, o que me deixou ainda mais satisfeito. Enfim, foi um bom jogo e uma ótima maneira de encerrar o ano no Saia da Masmorra, com um RPG focado no natal.

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