segunda-feira, 16 de julho de 2012

Crônicas da Terceira Era - Olho de Alghuir - Parte VI

No fundo da masmorra, na fortaleza escondida nos Campos de Lis, a companhia lutava contra uma besta primordial. Eles tinham recuperado o artefato negro que vieram buscar, e o Lorde Sindorfin, traidor do povo da floresta caíra no poço de onde a gigantesca criatura saía.

Elmara estava brigando com um dos tentáculos da criatura, gritando para que Klandrin, Balared e Pêpe saíssem do altar, que ficava sobre o grande buraco. Com um golpe de sua espada, penetrou a pele viscosa e dura da criatura. A dor foi suficiente para que o monstro se distraísse, permitindo que a dúnedan escapasse em direção a Mikayla, que aguardava nas escadas para o piso superior.

Ao mesmo tempo, o pequeno hobbit tentou correr dos vários membros do mostro que pareciam estar cercando ele e seus amigos, mas não foi muito longe, quando um deles o golpeou na barriga, fazendo o cair no chão. Balared, vendo o medo nos olhos de Pêpe, saltou por cima dele para enfrentar o tentáculo que avançava. Ele salvou o pequenino, mas o monstro o envolveu e começava a levantá-lo.

Klandrin segurou firme no seu machado e fez o que ele melhor sabia fazer, maltratou a criatura com golpes poderosos e profundos. Seus esforços foram suficiente para que uma passagem momentânea se abrisse e, assim, ele esticou a mão para Pêpe, e com um impulso o jogou para longe, para fora do alcance do monstro, partindo em disparada atrás.

Estavam todos, menos Balared a uma distância relativamente segura do poço, embora ainda tivessem que se defender de investidas da criatura que agora escalava as paredes do buraco, enquanto o aposento parecia estar desmoronando. Pedras caiam por todos os lados e as pilastras que sustentavam o teto começavam a rachar. Balared, preso entre os tentáculos do monstro, gritava para que todos fugissem logo, ele ficaria ali, para distrair o monstro. Mas seus companheiros não o deixariam ali, não sem lutar. A vida quase se esvaia do rosto do beorning quando uma flecha certeira de Elmara perfurou profundamente o tentáculo do monstro. Um grito agudo ressoou do poço, quase ensurdecendo todos. O aperto se afrouxou e Balared escapara. Começava, agora, uma corrida desesperada para escapar da criatura.

Subiam as escadas o mais rápido que podiam, mas no desespero acabaram tropeçando. O ronco do monstro os seguia e, volta e meia, tinham que se desvincilhar de um tentáculo que agarrava o calcanhar deles. Ao chegaram no andar superior, não lembravam exatamente de onde tinham cindo, estavam em uma pequena sala com três passagens, uma a direita, uma na parede oposta e outra a esquerda. O grupo exitou alguns segundos, o suficiente para um grande tentáculo com espinhos perfurar o chão, assustando-os. Sem pensar, foram para a passagem a esquerda. Assim, correram por corredores extensos, passaram por aposentos gigantescos, pequenos e sombrios. Talvez por sorte ou por causa do conhecimento quase que natural dos anões quanto a construções subterrâneas, o grupo sempre conseguia achar alguma passagem que os levasse cada vez mais próximos da superfície.


Depois de algumas horas, que pareciam mais semanas na visão dos aventureiros, eles chegaram a um beco sem saída. Tinham que voltar, mas não sabiam exatamente para onde. Todas as passagens que escolhiam acabava em um ponto intransponível. O barulho da criatura ia ficando cada vez mais alto, indicando a sua proximidade. Estavam cansados, feridos e angustiados. De repente, começaram a ouvir uma canção, suave, fluida e encantadora, como as águas de um rio puro. Mikayla cantava uma música élfica, um lamento para as estrelas. A música, por alguma razão acalmava o coração da companhia, por um momento eles podiam pensar novamente, sem desespero tomando conta da mente deles. Em resposta à canção da elfa, um camundongo apareceu e, ente uns ruídos e outros, Mikayla disse que ele os guiaria para uma saída.

Assim, eles foram sendo guiados por um pequeno roedor por um bom tempo, indo cada vez mais próximos da saída, até que chegaram a um salão, e em seu meio jazia o corpo de Espada Dentada, o eremita, homem da floresta, que encontraram a dias atrás. Ele estava morto, no lugar onde o deixaram. E o deixariam ali, novamente, se não fosse por Elmara, que disse que iria levá-lo até seu povo, para que fosse feita uma cerimônia em sua homenagem. Assim, a dúnedan, mesmo ferida, colocou o homem sobre seus ombros e se pôs em pé, pronta para continuar, quando um urro de raiva do monstro ecoou pelo local.

O rato, que os guiava desapareceu, provavelmente se escondeu de medo. Estavam novamente perdidos. E ali permaneceram por muito tempo, talvez dias, não sabiam, pois a escuridão era a mesma o tempo todo. E o silêncio era apenas cortado, de vez em quando pelo grunhido do monstro que os procurava por aquele labirinto de corredores, salas e passagens. Até que, então, Klandrin sentiu algo. Talvez nenhuma outra pessoa fosse perceber o que ele percebeu, mas os anões, acostumados a passar dezenas de anos sem nunca sair de suas cavernas, conseguia perceber as menores alterações no ar ao redor deles em ambiente subterrâneos. Naquele momento, Klandrin sentiu uma leve brisa, eles só podiam estar perto da superfície.

Em poucos segundos todos estavam em movimento novamente. Agora, depois de algumas escada e corredores, todos sentiam o cheiro podre do pântano, e, por incrível que pareça, estavam felizes com isso. Ao subirem as últimas escadas da masmorra, si viram no longo salão da catedral escura que entraram anteriormente. Do lado de fora, uma chuva torrencial caia, goteiras caindo em todos os cantos. Por um momento, exitaram em sair na tempestade, um raio brilhou no escuro da noite e o barulho de trovão foi seguido por um rugido sinistro vindo debaixo deles. A criatura não desistira de alcançá-los.

Assim que ouviram o barulho terrível, correram para fora do local. Em poucos segundos estavam encharcados, com frio e sem saber para onde ir. Foram, então, em direção à entrada da fortaleza, por onde subiram uma escada deteriorada e inclinada. A descida não seria fácil naquela chuva, mas era a melhor opção que possuíam, já que não queriam ficar nem mais um minuto naquele lugar maldito. No entanto, ao começarem a descer os degraus escorregadios da encosta, luzes trêmulas entre a neblina e chuva chamou a atenção do grupo. Mikayla, que possuía um olhar preciso que só os elfos possuíam, conseguiu discernir entre as sombras um gigantesco grupo de grandes figura usando armaduras escuras, de pele acinzentada, sendo guiados por um homem de capa negra e jóias douradas. Um grande mal podia ser pressentido.

Imediatamente, os companheiros deram meia volta, para se distanciar da força que avançava. Até aquele momento, aparentemente, aquelas criaturas não tinham percebido a presença deles ali. Entretanto, enquanto se viravam para fugir, Elmara escorregou em uma pedra, que rolou colina abaixo, fazendo um grande barulho e, sem dúvida, anunciando a presença deles ali. Na mesma hora, cornetas soaram vindas da escuridão, gritos de guerra ecoaram pelo pântano. Os monstros avançavam com mais rapidez.


A companhia correu na direção oposta, aproveitariam a escuridão da noite e a chuva para se manter escondidos. A encosta do outro lado era bastante acidentada e traiçoeira, mas Klandrin sabia bem como descer encostas de montanhas, então aquilo não era algo tão diferente para ele. Eles juntaram todas as suas cordas e o anão das Montanhas Solitárias fixou pitões aonde podia para facilitar a decida de todos. Foi uma fuga desesperada. Elmara, carregando o corpo de Espada Dentada se desequilibrou e despencou uma curta distância, ferindo-se ainda mais. Apenas sua determinação a mantinha de pé naquele momento. Ao chegarem no chão, viram que os orcs já contornavam a colina a procura deles, precisavam achar um lugar para se esconder, longe dali.

Não tiveram tempo para saber em que direção seguiam, apenas corriam, o máximo que podiam, olhando para trás para ter certeza de que nada nem ninguém os seguia. Continuaram assim por horas, até a exaustão os alcançar. Foi quando viram que a poucos metros em meio a duas colinas, havia uma grande árvore seca, morta, porém oca, que podia os abrigar da chuva e era escondida a suficiente. Ali passaram a noite, desmaiados de cansaço. 

A manhã, se é que era manhã, já que o sol não conseguia penetrar as nuvens negras que cobriam os Campos de Lis, chegou como em um piscar de olhos. Ainda cansados, mas com forças o suficiente para andar e se distanciar o quanto pudessem dali, o grupo começou sua busca por um saída daquela terra amaldiçoada. Foram dias de caminhada difícil, cansativa e perigosa. As vezes parecia que não saiam do lugar a voltavam para a mesma colina, a mesma árvore retorcida e o mesmo campo alagado. Sombras que mais pareciam criaturas das trevas pareciam estar sempre acompanhando o grupo, onde quer que eles fossem. Depois de cinco dias, pela conta dos aventureiros, eles avistaram o Anduin. Do outro lado estariam em seus Vales verdes e em alguns dias, chegariam a Rhosgobel, a morada dos homens da floresta e de Radagast.

A neve branca já cobria boa parte dos campos por onde passavam. Deviam estar no início do inverno, ou o frio viera mais cedo do que esperavam. Das casas de Rhosgobel, podiam ver colunas de fumaça subindo, enquanto as lareiras mantinham os homens da floresta quentes. A chegada deles foi recebida com grande alegria por aquele povo, Radagast apenas os cumprimentou e disse que conversaria com ele depois, pois estava partindo para o norte naquele momento. A luta dos beornings e homens da floresta contra os orcs terminara. Os orcs voltavam para as montanhas, derrotados, mas tendo tirado muitas vidas.

Demoraria algumas semanas para que os membros da companhia se recuperassem totalmente. Nesse tempo, uma cerimônia foi feita em homenagem ao Espada Dentada, embora quase ninguém lembrasse quem ele era, ou porque ele estava lá nos Campos de Lis.

Mais um artefato de Angmar fora recuperado, restando apenas um. Onde será que este se encontra? Será que os Inimigo já o encontrou? O que será que aguarda os Povos Livres do Norte nesse ano que virá?

Essa história está sendo criada em uma mesa de The One Ring - Adventures over the Edge of the Wild. Cada sessão corresponde a uma parte da história, que se cria e modifica conforme todos os envolvidos decidem o que seus personagens fazem e como eles reagem.

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