domingo, 29 de julho de 2012

Crônicas da Terceira Era - Herumor - Parte I


A companhia passou um mês em Rhosgobel, se recuperando da jornada pelos Campos de Lis. O inverno estava mais gelado e escuro que nos últimos anos, como se uma grande sombra fria pairasse sobre as Terras Ermas. Radagast os avisara que Gandalf estava visitando as cortes dos Povos Livres do Norte a procura de mais um membro para formar o Conselho Branco, já que estava preocupado com os acontecimentos naquela região. Apesar disso mostrar uma preocupação dos Magos com o que estava acontecendo, os heróis não teriam tempo para encontrar o peregrino cinzento, pois tinham que cavalgar até Isengard, para entregar o terceiro artefato de Angmar.

Eles partiram para o sul em uma manhã enevoada de inverno. Toda o caminho levaria cerca de um mês e meio e chegariam em Isengard quase no fim do inverno. A viagem era cansativa, mas sem muitos imprevistos. Era como se todos os animais e criaturas estivessem hibernando. Passavam-se horas sem que um barulho, além dos passos dos cavalos, pudessem ser ouvidos. Foi quase um mês descendo pelo Vale do Anduin até começarem a avistar vilas e pessoas.

Ao chegarem nas terras dos Eorlings de Rohan, abaixo da antiga floresta de Fangorn, começaram a ouvir boatos que os deixaram preocupados. Aparetemente, Saruman expulsou todos os habitantes de uma pequena vila aos pés das Montanhas Enevoadas, perto do Vale de Isengard, de suas casas. Aquilo deixará muitas pessoas de Rohan revoltadas, pois aquele era as terras deles, e o Mago é que tivera permissão de ficar por ali. Pêpe, o hobbit, ficou especialmente perturbado com aquelas notícias, pois tinha achado o comportamento do Mago Branco muito rude e estranho, na primeira vez que o encontrara. Elmara, no entanto, estava confiante que haveria um boa explicação para aquilo.

Assim, seguiram por mais alguma semanas até chegarem aos pés das Montanhas das Névoas, perto do Estreito de Rohan. Ali, viram o pequeno vilarejo de casas de madeira totalmente abandonado, sem nenhuma pessoa. No caminho para ali, escutaram de alguns cavaleiros que a expulsam não foi gratuita, mas que Sarumam temia por ataques de Orcs naquela região, já que eles sabiam que ali era a morada de inimigos das forças das trevas. Aquilo acalmou o coração de Elmara e outros da companhia, mas o hobbit ainda achava estranho tudo aquilo, pois não via sinal de nenhum orc, assim como não vira nenhuma movimentação de tropas no caminho de Rhosgobel até ali.


Seguiram viajem subindo as colinas até chegarem ao Vale do Rio Isen, onde se encontrava Orthanc, a torre do Mago Branco. Uma camada grossa de neve cobria as colinas e os campos ao redor deles. O Jardim, apesar de coberto de neve e quase sem flores, continuava lindo, mas um silêncio estranho imperava. Ao se dirigirem à torre, notaram que nenhum som podia ser ouvido vindo de lá, era como se não houvesse ninguém no local. E de fato, não havia ninguém em Orthanc. Elmara batera nos portões da torre, que ressoaram pelo vale, mas nenhuma resposta veio de seu interior.

Eles ficaram ali, por algum tempo, tentando imaginar o que teria acontecido. Será que o Mago branco viajara? Pêpe e Mikayla se propuseram a encontrar uma entrada alternativa para a torre, apenar dos alertas de Elmara, Balared e Klandrin de que não deviam tentar entrar na torre de um Mago sem serem convidados. Mas apesar de procurarem por todos os lados da torre, não acharam sinal de nenhuma entrada além dos portões principais, que obviamente estavam trancados. O resto da companhia, sem saber o que fazer o resto do dia, se recolheu em eu pequeno estábulo ao lado da imensa torre para passar a noite, decidiriam o que fazer na manhã seguinte.

O sol veio brilhante e uma fina neblina cobria os pés das Montanhas das Névoas. Ao acordarem, o grupo decidiu que aguardaria por Saruman mais dois dias, antes de partirem para o norte novamente. Depois do desjejum, Mikayla decidiu caminhar pelo Vale e ouvir um pouco o que as árvores, as pedras e o rio do local. Até a natureza estava muito silenciosa, mas, depois de um tempo, a elfa conseguiu ouvir um lamento do Rio Isen de que o Mago branco não aparecia mais no vale, que estava muito ausente, trancado em sua torre, e que ele viajara há meses, sem retornar. Aquilo confirmou que o sábio não se encontrava ali, mas deixou todos preocupados, pois não sabiam quando e se ele retornaria.

O resto do dia passou sem mais eventos. Cada um recolhido em seus pensamentos, sem saber o que lhes aguardava no futuro. Era possível que o Inimigo tivesse capturado Saruman? A quem eles recorreriam para destruir os artefatos? Será que Gandalf ou Radagast tinham esse poder? Por sorte, não tiveram que pensar nisso por muito tempo. Ao anoitecer do terceiro dia ali, viram se aproximar um homem montado em um cavalo branco. A neblina no vale os impedia de ver exatamente quem era, por isso Elmara gritou para ele que se identificasse imediatamente, o que o cavaleiro não fez. A dúnedan, então, sacou uma flecha e atirou contra ele mas, como a visão estava prejudicada, errou seu alvo. Só então Balared e Mikayla avistaram quem realmente era o homem que se aproximava, ninguém menos que o próprio Saruman. Antes que Elmara atirasse mais uma flecha eles seguraram sua mão, e contaram o erro que cometera.

O Mago Branco, quando se aproximou deles, falou: "O que pensa que estas fazendo, Elmara? Atirando contra aquele que pode ajuda-la? Os olhos da dúnedan estão se fechando com a escuridão que se aproxima?". Ela pediu perdão pelo ataque, dizendo que receou que fossem inimigos vindos do sul. Imediatamente o Mago fora bombardeado de questionamentos quanto diversos acontecimentos, a evacuação da vila ao sul, os artefatos, sua ausência e outras coisas. Então, como um trovão, sua voz fez calar a todos: "Silêncio! Aqui fora não é lugarmos para discutirmos esses assuntos. Entremos em Orthanc, onde o fogo aquecera nossos corpos e corações e poderemos tratar de assuntos importantes como estes. Trago notícias para vocês".


Assim, todos seguiram o Mago até Orthanc. As portas se abriram sozinhas com a aproximação do mago. O seu interior era muito maior que a parte externa, como se a realidade ali dentro fosse outra. Os aposentos e corredores de lá eram todos muito bem iluminados por cristais presos as paredes. Detalhes na arquitetura eram feitos com um metal preteado dando um brilhos fantástico ao lugar. Saruman levou o grupo a um grande salão, onde, sobre uma longa mesa de prata, estava servido um vigoroso banquete. "Antes de discutirmos esses assuntos sombrios que temos que discutir, festejemos um pouco com uma boa comida e vinho a vontade. Sentem-se."

Mas nem todos estavam satisfeitos em ficar sentados, comendo e bebendo. O pequeno hobbit, Pêpe, foi direto e questionou o mago sobre o porquê dele ter desalojado dezenas de famílias de suas terras. Este, por sua vez, respondeu, calmamente, que apenas fez aquilo para o bem deles, pois o Inimigo sabia que ele estava destruindo artefatos de Angmar e poderia atacar aquele povoado próximo a Isengard. Mas mesmo assim, o hobbit achou aquilo tudo muito estranho, sentimento que não era compartilhado por seus outros companheiros de viajem. Dessa forma, o jantar terminou sem mais discussões.

Seguiram, então, para uma outra sala, onde haviam cadeiras acolchoadas ao redor de uma mesa de carvalho redonda, sobre a qual havia um mapa das Terras Ermas, finamente desenhado. Saruman explicou que viajara a Minas Tirith para pesquisar os registros antigos sobre lugares onde as forças das trevas pudessem ter lavado o último artefato. Depois de meses ele encontrou um livro que relatava a fuga de um grupo de bruxos para as Montanhas Cinzentas, em direção ao Pico de Demunkir. É lá que ele acredita que possa estar o artefato perdido. Os aventureiros escutam o relato com atenção e decidem que vão tentar encontrar o tal pico para investigar a possibilidade. Ao mago, foi entregue a corrente que acharam nos Campos de Lis. Saruman vê aquele artefato e o reconhece como a Corrente dos Medos e promete destruí-la assim como fizera com o Cetro Negro.

Em seguida, os heróis são levados a seus quartos nos andares inferiores da torre, após uma série de corredores e escadas. Ali passariam a noite, poderiam tomar banho nas águas aquecidas do Rio Isen, para recuperarem suas forças. Saruman se recolheu em seus aposentos e disse que não deveria ser perturbado, pois começaria, imediatamente, a trabalhar na destruição da corrente.

O dia seguinte veio rápido, e mais rápido ainda os aventureiros juntaram suas coisas para partirem ao norte. Elmara disse para o grupo seguir para a Casa de Beorn sem ela, pois queria passar em Edoras antes, para falar com o Rei de Rohan sobre o que acontecera com a vila aos pés das Montanhas das Névoas. Dessa forma, os caminhos deles se separaram depois de uma semana de viajem. A companhia combinou que se encontrariam novamente na Casa de Beorn, no Vale Norte do Anduin, de onde partiriam em sua busca pelo artefato.

Elmara não demorou muito para alcançar a Cidade de Edoras e ser lavado a presença do Rei Thengel no salão dos reis. Ela explicou o porque da evacuação da Vila para o Rei, mas este, orgulhoso, não ficou muito satisfeito com as explicações. Muita famílias perderam tudo que tinham ali, suas terras, plantações e o meio de vida, mas que, por hora, deixaria as coisas como estão, e quando esse ameaça que pairava sobre todos nas Terras Ermas, ele retomaria a vila para seu povo.

Enquanto isso, Klandrin, Balared, Mikayla e Pêpe, seguiam viajem ao norte, pelos campos e colina do Grande Vale das Terras Ermas, agora encharcados pela neve que derretia. Com o fim do inverno, diversos animais saiam de suas tocas a procura de comida e sol. Pelos povoados que passavam, fazendeiros começavam o plantio e pastores levavam seus rebanhos para pastar. O grupo, de dias em dias, procurava alguma dessas vilas para descansar e trocar informações sobre o que acontecera nos últimos meses de inverno. Para a surpresa deles, nenhuma vila vira nada estranho nesses meses passados. E assim, eles foram prosseguindo, cada vez mais ao norte, passando pelo território dos homens da floresta, até cruzar a Velha Estrada da Floresta e chegar as terras dos Beornings.

A dúnedan, ao sair de Edoras, voltou seu caminho para o norte. No entanto, ao invés de seguir direto para as terras dos homens das florestas, decidiu que estava na hora de buscar ajuda entre os elfos de Lórien, um povo muito antigo que se recolhera em seu santuário a milhares de anos. A floresta de Lórien era diferente de qualquer outra que ela já entrara. Ela parecia estar no outono e primavera ao mesmo tempo. As folhas das árvores pareciam muito vivas, mas sempre em tons vermelhos, amarelos e bronzeados. Uma luz dourada brilhava entre as gigantescas árvores anciãs.

Elmara passou alguns dias explorando aquele lugar maravilhoso, mas sem ver nenhum elfo ou construção entre as árvores. Até que, no dia em que desistiria de sua busca, viu um brilho pálido entre as árvores. Ao se aproximar, Elmara viu um elfo de longos cabelos durados usando um manto branco com detalhes em prata, subindo uma fina escadaria ao redor do tronco de uma grossa árvore. A patrulheira se identificou e pediu para que fosse levada ao seu povo pois precisava de ajuda deles. O elfo, surpreso de ver um da raça dos homens ali, depois de tanto tempo, e ainda um dizendo que viera de Rivendell, concordou em levá-lo, mas como prisioneiro, já que entrara na Terra dos Elfos de Lórien sem permissão ou convite. Assim, vendando-a Daloren guiou Elmara por várias horas entre as árvores da floresta dourada, até que chegaram na morada dos Noldor.

Essa história está sendo criada em uma mesa de The One Ring - Adventures over the Edge of the Wild. Cada sessão corresponde a uma parte da história, que se cria e modifica conforme todos os envolvidos decidem o que seus personagens fazem e como eles reagem.

Para ler outras partes dessa crônica ou outras crônicas, clique aqui.