segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Crônicas da Terceira Era - Ruínas Sombrias - Parte I

Já era inverno nas Terras Ermas. A neve caia levemente em Dale, e a festa do Encontro dos Cinco Exércitos começaria em apenas alguns dias. Muitos preparativos foram feitos, e a cidade estava pronta para receber visitantes de todos os Povos Livres do Norte. Balões, Placas, e diversos adereços estavam para todos os lados mostrando imagens da vitória dos homens, elfos e anões contra os goblins, orcs e wargs.

Enquanto descansavam, Aerandir, Robin, Drarin e Klandrin, aproveitaram para se inteirar mais sobre os acontecimentos daquela região. Devido ao grande feito, a entrega da Pedra de Fogo a Dáin, a companhia caiu nas graças do povo de Dúrin e principalmente de Balin, um dos anões da companhia de Thorin, que tinha gosto por aventuras e sabia reconhecer a bravura do grupo. Além disso, Robin conheceu uma mulher humana, que parecia conhecer muitas coisas sobre a região, ervas e outras habilidades úteis para aventureiros. O nome dela era Elmara, uma Barding um tanto curiosa e misteriosa. Em pouco tempo ela fez amizade com o hobbit e aos poucos tornou-se uma presença constante entre o grupo.

O dia da festa chegou logo. A neve deu uma trégua a Dale e a temperatura estava agradável para o inverno. As ruas estavam cheias de visitantes. Elfos de Mirkwood, que não costumam deixar seu reino podiam ser vistos em todos os lugares. Homens do Norte, sejam Bardings, Beornings, Woodmen eram maioria sem dúvida, mas até poucos hobbits compareceram à festa. Os vizinhos anões também estavam presentes é claro, em grande número. Dáin, o Rei Sobre a Montanha, comparecera com uma grande comitiva, e o amigo Balin estava junto.

Além da festa, aconteceria também um grande conselho com os líderes dos Povos Livres do Norte para que discutissem questões importantes para todos eles. Smaug tinha sido morto, os orcs e goblins derrotados e os wargs tiveram seus números reduzidos, mas todos deviam manter a atenção para que nada perturbasse a paz que conseguiram a cinco anos. Boatos ainda diziam que um mago também iria participar do conselho, e, é claro, o boato sobre a vinda de magos deixa qualquer cidade muito agitada. O grupo, quando ficou sabendo disso tudo, logo procuraram Balin para saber se podiam comparecer ou se ele contaria o que ocorrera por lá.
O anão estava em uma das tavernas de Dale, chamada "A Flecha Negra" em homenagem ao Rei Bard, bebendo uma grande caneca de cerveja de Erebor em uma mão e com uma enorme coxa de peru na outra. Robin, que era o melhor com as palavras e em conseguir convencer as pessoas, graças a grande empatia dos hobbits, foi o escolhido para ir falar com Balin. O anão, apesar de cauteloso, acabou prometendo que revelaria o que pudesse ao grupo, mesmo os assuntos sendo secretos, ele sabia que a companhia era de heróis e que poderia ser grande ajuda mantê-la informada do que acontece. Pouco tempo depois da conversa, um outro anão, de barba ruiva, entrou pela porta da taverna e falou algo perto dos ouvidos de Balin, que se levantou e pediu licença para todos, compromisso o aguardava. O grupo entendeu logo do que se tratava.

Drarin e Klandrin decidiram que esperariam notícias de Balin e permaneceram por ali se divertindo, bebendo e comendo, pelo menos por enquanto. Aerandir soube que haviam competições de arco e flecha e resolveu observas as competições, principalmente porque soube que um elfo de Mirkwood e um arqueiro de Dale estavam em uma disputa particular. Porém, Robin e Elmara, não conseguiram conter a curiosidade e foram conferir de perto a reunião, quer dizer, o mais perto que conseguissem.

O conselho aconteceria nos Salões do Rei Bard, uma grande construção no centro de Dale, onde em frente fora feita uma estátua mostrando o memento em que Bard atirou a flecha negra certeira no peito de Smaug. Ao chegarem lá, apesar de separados, o hobbit e a barding viram os líderes chegando e sendo anunciados um a um. Primeiro Dáin de Erebor; depois Thranduil do Reino da Floresta; depois Beondor, representando os Beornings; e Denilith, uma mulher dos homens da floresta. Bard, é claro, já se encontravam em seu palácio. Mas a chegada de mais dois convidados foi a que gerou mais falatório e agitação. Sim, dois. Dois magos, homens idosos mas vigorosos, um vestindo um manto cinza e batido, com um grande chapeu pontudo azul e outro com uma rica túnica branca, ambos com barbas cumprida. Eram Gandalf, o cinza, e Saruman, o branco. Eles iriam participar da reunião e ajudar os líderes daquele local no que quer que precisassem.

Elmara rapidamente procurou um lugar para que pudesse se esconder e ao mesmo tempo observar a reunião. Não conseguiria entrar nos Salões do Rei, mas encontrou uma janela, no fundo da construção, de onde podia ver o que acontecia. Ela subiu em uma árvore alta e atrás das folhas conseguiu ficar sem ser vista. Enquanto isso, Robin, o hobbit sorrateiro como só os hobbits conseguem ser quando curiosos, encontrou a mesma janela, e atrás de uns barris e entre as sombrar assistiu tudo o que ocorreu naquela noite. E que noite foi aquela.

Tudo começou calmo, com cada um dos participantes se apresentando formalmente, como é de costume com pessoas tão importantes. Não estavam presentes apenas os líderes de cada povo e os dois magos. Cada povo tinha, além do líder, uma pequena comitiva. Os assuntos começaram calmos, com cada um descrevendo o que fizerem nos cinco anos desde a morte do Dragão e como prosperaram. Porém, aos poucos, os líderes começaram a expor os problemas que afetavam seus reinos. E como também é de costume entre pessoas importantes, cada um achava que seu problema era mais grave que o dos outros e precisava ser resolvido antes. Isso gerou discussões calorosas entre os participantes, principalmente entre os anões e os elfos da floresta. Se não fossem por Gandalf e Saruman, talvez eles acabassem se lembrando das razões que os fizeram ficar separados por tantos anos antes da aliança contra Smaug e antigas mágoas seriam relembradas. Isso tudo demorou horas e horas, a festa na cidade ia acabando, as fogueira se apagando, a música diminuindo, mas a reunião continuava. Era quase de manhã quando ela terminou e os líderes dos Povos Livres do Norte começaram a sair. Mas antes disso, todos assinaram um documento que dizia que os povos daquela região se comprometiam a ajudar uns aos outros sempre que precisassem, não importasse o que acontecesse.

Os primeiros as saírem foram os Beornings, tinham vindo de muito longe, e o caminho de volta no inverno seria pior ainda. Além disso, não gostaram das discussões inúteis, tinham vindo esperando resolver problemas importantes. Em seguida foram os homens da floresta junto com os elfos, ambos habitantes de Mirkwood e com problemas semelhantes. Os anões de Erebor saíram por último, pois passaram alguns minutos discutindo assuntos em comum com o Rei Bard e os magos, mas logo foram embora também. Quando Thranduil, o Rei Elfo, saiu dos salões, Robin foi a seu encontro perguntar como estava e o que aconteceu. O nobre lembrou logo que ele era e falou que estava mesmo o procurando, queria entregar a Lâmina de Faerel para o hobbit, como prometera há um mês atrás. Além disso, disse que não havia motivo para que o pequenino se preocupasse pois as Terras Ermas estavam mais seguras do que estiveram em muitos e muitos anos. Elmara, diferentemente, quis esperar a saída de Gandalf, o cinza, para lhe perguntar algumas coisas. O sábio foi o último a se retirar dos aposentos de Bard, quando as ruas já estavam vázias e ele ia em direção ao lugar que marcara de encontrar Saruman, a misteriosa Barding saiu das sombras e abordou o mago. Este logo percebeu algo estranho na moça, ela não era uma Barding, e sim uma Dúnedain, descendente dos grandes homens do oeste. Questionado sobre o que ela deveria fazer para encontrar o que procurava, os artefatos negros de Angmar, Gandalf apenas respondeu: "As vezes, apenas encontramos o que queremos quando paramos de procurar". Disse ainda que o que procurava ere muito perigoso e sombrio, e que não deveria revelar sua missão para qualquer um, pois o Inimigo tem olhos e ouvidos que alcançam grandes distâncias. Ele sabia que Elmara buscava aqueles artefatos para destruí-los e não para utilizá-los. Por fim, questionado sobre se ela deveria seguir em companhia de Drarin, Klandrin, Robin e Aerandir, o mago sorriu e apenas disse: "Amigos podem ser armas poderosas contra a escuridão, e o caminho deles pode ser aquele que tenta chegar". Essas foram as últimas palavras do andarilho cinza antes de pedir licença e partir, ele tinha outros compromisso e estava atrasado para eles.

Era o fim de uma das mais grandiosas festas que se tem registro até hoje naquela região. Todos voltaram para suas casas ou procuraram abrigo para passar noite. A companhia voltou para Erebor para descansar de uma noite agitada, embora Klandrin já estivesse dormindo na mesa do bar há algumas horas. Mais algumas semanas era ano novo, Yule como era chamado naquela época. Uma outra festa se aproximava para alegrar os corações no inverno frio e escuro.

As semanas foram passando, cada vez mais frias e escuras. O céu, quase sempre encoberto de nuvens, parecia indicar algo sombrio no ar. A festa de Yule aconteceu sem muitos acontecimentos, um festa com bastante comida e bebida como de costume, mas sem grandes aparições como o Encontro dos Cinco Exércitos. O grupo aproveitou a ocasião para conversar com Balin sobre o que aconteceu no encontro e quais são os planos de Erebor para esse ano que começava. Balin, já um pouco embriagado de tantos barris de cerveja falou sobre o plano de expandir as fronteiras dos reinos de Erebor e Dale. Os dois reis combinaram que se ajudariam na busca e retomada de antigos vilarejos e postos avançados que há muito tempo faziam parte de seus domínios e que ele, Balin, fazia parte de um grupo que estava coordenando as atividades. Os heróis se prontificaram a ajudar e fazer o possível para investigar os locais escolhidos e o anão agradeceu, disse que já pensava no grupo e em maneiras que eles podiam ajudar, mas pediu para que esperassem e não ficassem ansiosos, o inverno era duro demais para se viajar, mas que assim que pudesse daria mais informações a eles. Ninguém conseguiu arrancar mais informações dele durante aquela noite e assim, mais um ano começava.

Era, então, o ano de 2947 da Terceira Era, o inverno estava rigoroso, mas a vontade e ansiedade da companhia crescia a cada dia. Após algumas semanas tentando conseguir falar com Balin, que agora estava cada vez mais ocupado com reuniões em Erebor e Dale, os aventureiros decidiram investigar uma região que antes existiam cidades de anões por conta própria, iriam para o norte, para as Montanhas Cinzentas. Seria uma viajem dura, longa e, certamente, perigosa. Balin falou que essa viajem era muito perigosa, e que talvez fosse melhor esperar um pouco mais, até a primavera chegar, mas a companhia estava avida por aventuras, e partiu mesmo assim, na metade do primeiro mês do ano.

Mochilas preparadas e recheadas com mantimentos que Robin conseguiu comprar com um grande desconto de Furbin, um anão açougueiro; capas, agasalhos e armaduras vestidas para se protegerem do frio e flechas; armas afiadas e ao alcance das mãos para qualquer imprevisto e lá foram eles, partindo do portão da frente da Montanha solitário, rumo a oeste, em direção à Floresta de Mirkwood, para, em seguida, seguir sempre para o norte, em direção à grande cadeia de montanhas.
A travessia até a margem da Floresta de Mirkwood demorou três dias muito cansativos, pois apenas parou de nevar no terceiro dia de manhã. Andar sobre a neve não é fácil, ainda mais com mochilas cheias, roupas pesadas de inverno e um vento que parecia cortar a pele exposta como adagas afiadas. Elmara aproveitou a oportunidade para revelar ao resto do grupo sua verdadeira identidade, a de uma Dúnedain que foi encarregada de procurar artefatos que pertenciam ao Rei-Bruxo de Angmar e destruí-los. Quando, finalmente, se encontravam sobre as grandes árvores já estavam cansados e abatidos, precisavam encontrar um lugar para passar a noite e se aquecer. Elmara, que agora fazia parte do grupo, com ajuda de Robin, encontrou uma caverna perto do leito de um pequeno riacho. Plantas cobriam a entrada da caverna, que se abria como uma boca bocejando debaixo de uma árvore gigantesca com raízes grossas como o tronco de um cervo.

Se aproximando, os heróis encontraram vestígios que indicavam a passagem de alguma criatura por ali há alguns dias, mas, no momento, aquele era o único lugar que os protegiam suficientemente do frio e do vento. Adentrariam aquele local para passar a noite, mas o que será que encontrariam? Que criatura fora aquela que passou por ali?

Essa história está sendo criada em uma mesa de The One Ring - Adventures over the Edge of the Wild. Cada sessão corresponde a uma parte da história, que se cria e modifica conforme todos os envolvidos decidem o que seus personagens fazem e como eles reagem.

Para ler a primeira crônica, A Pedra de Fogo, clique aqui.