sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Crônicas da Terceira Era - A Pedra de Fogo - Parte V

Depois de dois dias de caminhada tranquilos na parte da floresta dentro dos limites do Reino de Thranduil, os aventureiros avistaram a morada do povo da floresta. Essa era composta de diversas edificações no alto de grande carvalhos e uma fortaleza grandiosa, escavada em uma colina.

A medida que a companhia se aproximava, via a presença dos elfos mais claramente. Diversos sentinelas mantinham vigília em pontos estratégicos ao redor das construções e, provavelmente, já os tinham avistados a centenas de metros de distância, pois quando passavam por aqueles que conseguiam ver, esses os comprimentavam com um aceno de cabeça. Depois, ao se aproximarem mais do Palácio de Thranduil, um elfo alto, de longos cabelos prateados e olhar altivo se aproximou deles e se apresentou. Seu nome era Legolas Folhas-Verdes, e ele era o príncipe daquele povo, filho do Rei-Elfo.

Ele queria saber quem eram aqueles visitantes inesperados e o que os traziam para o Reino da Floresta. O grupo logo se explicou e contou um pouco de sua história, deixando de fora a Pedra de Fogo. Contaram que encontraram os elfos da Casa de Faeldarin, e como lutaram ao lado deles contra uma força gigante de aranhas da floresta. Drarin tentou convencer o príncipe da necessidade de se ajudar aquela casa. Embora Legolas respondera que infelizmente não podiam mandar forças para ajudá-los, pois estavam enfrentando suas próprias batalhas naquela parte da floresta, os aventureiros sentiram que ele gostaria de ajudá-los, mas algo o impedia.

Em seguida, o filho de Thranduil os levou para conhecerem os Salões do Reino da Floresta. O grupo passou por diversos locais, e viram muitos elfos e alguns poucos homens interagindo entre si. O Palácio do Rei era uma grande coletânea de salões, corredores e aposentos subterrâneos. Embora fosse uma construção debaixo da terra, era um lugar muito bem arejado e iluminado, a temperatura em seu interior era branda e parecia que uma fraca brisa soprava pelos corredores. Era um lugar agradável e belo, mas que ao mesmo tempo lembrava um povo muito antigo, que aos poucos estava desaparecendo, deixando um ar de melancolia. Após um tempo, eles chegaram em um grande salão, perfurado com vários corredores e escadas. Deles se estendiam diversos aposentos e moradas de elfos e alguns poucos homens que ali se instalaram. Ao sul se estendia outro grande salão, onde se concentravam os artesões élficos e comerciantes que agora chegavam para trocar mercadorias com o povo da floresta. Legolas levou os anões, o hobbit e o elfo para seus quartos. Falou que os mesmos eram deles por quanto tempo precisassem, e que iria avisar seu pai da chegada do grupo. Drarin, o anão, insistiu em ir falar com Thandruil junto com o príncipe e foi junto com Legolas. Aerandir, já tendo permanecido naquela Palácio antes, disse que precisa resolver algumas coisas e se separou do grupo. Assim, ficaram Klandrin e Robin para explorar sozinhos o ambiente.

Klandrin, ansioso por uma boa refeição, vai a procura de algum comerciante que vendesse carnes, algo que não comia a muito tempo. Ele andou por muito tempo entre os artesões, viu peças memoráveis de vestuário e utensílios, assim como arcos e lanças, até que encontrou um comerciante vindo de Dale, Baramil, que veio trocar comida dos vales, carnes, grãos e lã por utensílios élficos e quem sabe armas. O anão colocou sua mão no bolso e trocou um punhado de moedas dourados por carnes, linguiça, erva de fumo e tudo que ele tinha vontade de comer. Com sorte, Baramil tinha até mesmo um pequeno barril de cerveja de Erebor. Isso tudo, enquanto o anão anotava e fazia esboços do que via no livro que carregava. Enquanto isso, Robin decidiu conhecer mais a cultura daquele povo tão extraordinário. Pegou seu violino, se apoiou em um tronco de árvore e começou a cantar velhas canções do Condado. Aos poucos, elfos que passavam pelo local começaram a se reunir em volta do pequenino para ouvir suas canções. Depois de algumas horas eles já trocavam melodias entre si, ensinando uns aos outros canções e versos. Os elfos ficaram surpresos de ver que o povo de Robin tinha uma tradição musical e de palavras muito rica.

Ao mesmo tempo, Drarin e Legolas chegavam ao salão onde ficava o Rei Thranduil, cercado de seus conselheiros, servos, e enviados de outros reinos. Pareciam discutir um assunto não muito sério quando o elfo e o anão chegaram. O príncipe anunciou sua presença e que trazia um viajante anão que portava notícias do oeste da floresta. Este, então, se apresentou como um ex-comerciante que fora encarregado pelos anões das Montanhas Azuis em resgatar irmão do povo de Durin que se perderam na Floresta de Mirkwood. A partir daí, ele recontou toda a história, omitindo, é claro, a existência da Pedra de Fogo, como fizera com Legolas. Relatou o encontro com os Orcs na madrugada, e como lutaram ao lado dos Beornings. Contou que entraram nas ruínas de Faeldarin, e se abrigaram nas construções. Falou sobre o encontro deles com as aranhas nas sombras das árvores e a luta que tiveram ao lado dos elfos da Casa de Faeldarin contra uma grande força delas. Contou sobre o sacrifício dos elfos e do amigo hobbit, Grimble. O conto foi tão heróico e dramático que fez Drarin derramar lagrimas. As palavras comoveram Thranduil e seus asseclas. Ele disse que tomaria providências, mas que a vitória sobre as sombras e a vinda deles ali para contar essa história deveria ser comemorada, no dia seguinte teriam um grande jantar.

Drarin ao sair dos salões, lembrou-se da espada élfica que recuperaram nas ruínas e quis procurar um artesão para reforjar a arma. Ele passou por Klandirn e Robin em sua busca, e essa busca demorou algumas horas, mas a única resposta que obteve foi a de que não conseguiriam reforjar aquela lâmina, não ali. Uma técnica muito antiga e mágica fora utilizada na época em que fora feita e que, hoje em dia, existem poucas pessoas no mundo que se lembram de como reproduzi-la.

O dia seguinte foi um dia para descansar e recuperar as forças para o grupo. Todos durmiram até tarde, já que há muito tempo que não dormiam em uma cama, com travesseiros e lençois. Quando acordaram encontraram suas roupas, armas e armaduras, limpas e reparadas. Legolas os avisou sobre o banquete e festa em homenagem ao grupo que aconteceria à noite. Servos do Rei prepararam vestes especiais e, depois de muito tempo, eles passaram um dia inteiro sem suas armaduras e armas. A noite chegou logo, e com ela a música dos elfos. Mas dessa vez não eram músicas melancólicas e tristes, mas músicas alegres e contando grandes vitórias daquele povo contra as forças do Inimigo. Quando chegaram ao salão principal, as vozes élficas, doces e sábias, entoaram versos que contavam a história do grupo e de como eles enfrentaram Orcs e Aranhas até chegarem ali. A festa foi magnífica, com muita comida de bebida. Drarin, em nome da companhia entregou ao Rei o Colar da Casa de Faeldarin e a Lâmina de Faerel. Thranduil agradeceu muito pela recuperação daqueles artefatos e o anão perguntou se haveria um jeito de reforjar a espada e se Robin poderia ficar com ela caso houvesse. Embora, um objeto de passado élfico, o nobre concordou em presenteá-la ao pequenino, assim que conseguisse reforjá-la, o que ele assegurou que conseguiria, mas que demoraria um mês, quando, então, os reencontraria no Encontro dos Cinco Exércitos. A comemoração durou horas e muitas risadas e brindes foram dados em honra de Aerandir, Drarin, Klandrin e Robin.

Na manhã do dia seguinte, o grupo decidiu que era hora de partir. Apesar dos salões dos elfos serem um lugar muito confortável e agradável para o corpo e para o espírito, tinham que completar a missão que começaram. O outono estava quase no fim, e o inverno se aproximava, eles deveriam partir logo. O caminho até Erebor e Dale não tomaria mais que quatro dias. Dois dias para saírem da floresta passando pelo Pântano Cumprido e mais dois andando pelo grande Vale do Rio Corrente, subindo em direção à Montanha Solitária.

O primeiro dia de viajem foi bastante tranquilo e leve, pelo menos até avistarem o Pântano Cumprido. A parte do trajeto que passaram por esse local, o que fora basicamente todo o segundo dia, foi uma das piores de toda a viajem. Apesar da floresta ser muito escura e sombria, o pântano era além de escuro e sombrio, macabro. Entras as sombras, o grupo as vezes vislumbrava vultos e olhos os observando. Vozes e sussurros pareciam chamá-los para que deixassem a trilha e se embrenhassem pelas árvores retorcidas e que mergulhassem nas enormes poças alagadas. Todos sentiam a presença de uma vontade maligna e traiçoeira naquele lugar e, por isso, prosseguiam o mais rápido que podiam. Ao anoitecer, o grupo parou para descansar em uma pequena colina elevada. O local estava seco e era o melhor opção que tinham no momento para sentar e comer algo.

Enquanto os anões e o elfo comiam algo, Robin ficou encarregado de observar o local para não serem surpreendidos por nenhuma criatura nojenta que ali habitasse. O hobbit contrariado e com fome teve que ficar no topo de uma árvore observando um pântano fedorento enquanto sentia o cheiro de comida sendo preparada abaixo. Sorte a dele, e de todos, aliás. Lá de cima os olhos de Robin conseguiram ver um monstro gigante, que parecia ter sentido o cheiro das linguiças sendo fritas, saia debaixo de uma caverna a beira do rio. Ele vinham se esgueirando abaixado, coberto de plantas e sujeira. Era um troll com certeza. Robin desceu o mais rápido que pode e jogou terra sobre o fogo para apagá-lo rápido, não tinha tempo de explicar tudo que estava acontecendo, só disse uma palavra, "Troll!".

Os anões que carregavam a Pedra de Fogo antes começaram a pegar suas coisas e se preparar para correr, mas Drarin e Klandrin os seguraram. Não correriam, iriam preparar uma emboscada para o troll. Essa, provavelmente, fora a decisão mais tola que os anões podiam tomar. Eles deixaram as salsichas contra o vento e se esconderam. Robin em cima de uma árvore com seu arco, Drarin e Klandrin entre os troncos de uma árvore, e Aerandir, entre os arbustos.

Quando o troll chegou mais próximo saindo debaixo da água do rio que passava próximo o grupo viu seu tamanho. Era um criatura gigante, de mais de três metros de altura e dois de largura, carregando um tronco de madeira. Sua pele era cinzenta, áspera e cheia de verrugas e bolhas. Era uma das criaturas mais horrendas que haviam visto. Assim que se aproximou, Robin disparou uma flecha que apesar de ter sido certeira foi detida pela pele duríssima do troll. O monstro então, percebeu de onde tinha vindo o dispara e correu em direção da árvore. Nesse instante os anões saíram de seu esconderijo e atacaram o monstro com seus machados, o ferindo nas pernas. Aerandir, atirou na criatura, mas sua flecha passou por cima dele quando o troll se abaixou para tentar acertar os anões.

A criatura estava cercada por oponentes e confusa, mas extremamente irritada também. Balançou seus braços e o troco que segurava furiosamente e acertou em cheio Klandrin, que a segundos atrás o ferira gravemente. O anão saltou quase três metros para trás, até bater no tronco de uma árvore. Um simples golpe do troll quase o fez desmaiar. Começaram a duvidar se tinham feito a escolha certa em enfrentá-lo.

A luta continuou, com os anões e o hobbit enfrentando o troll de perto enquanto Aerandir ficou atrás, mirando seu arco para abater a criatura de uma vez. Mas parecia que o monstro não cairia, vários ferimentos ele já havia sofrido, e o sangue negro jorrava desses cortes e de sua boca. Porém o monstro acertou outro golpe fortíssimo em Klandrin que dessa vez foi salvo da morte por seu elmo. Cuspindo sangue o anão voltou para a luta, outra decisão que quase o matou. Momentos antes de bater no anão com o tronco quando ele estava caído, matando-o de vez, Aerandir acertou uma flecha dentro da boca da criatura, que, então, deu um urro sinistro antes de cambalear e cair, morta, de cara na lama do pântano.

Todos sobreviveram, mas Klandrin estava muito ferido. A companhia decidiu que era melhor continuar a viajem pela noite. Não era segura ficar naquele pântano, principalmente depois do barulho que fizeram lutando com o troll. Faltava pouco, em breve estariam no Vale do Rio Corrente, no domínio dos bardings.

A viajem depois desse incidente, foi calma e leve, deixando as sombras da floresta e do pântano para trás, o grupo viu os campos do vale a sua frente, alaranjados pelo outono, com uma leve neblina no horizonte. Em pouco tempo chegaram a Dale, e foram recebidos de forma calorosa pelos anões da cidade. Pediam notícias das terra ao longe, mas eles não puderam dizer muita coisa, tinham pressa, queria ver Dáin Ironfoot, o Rei Sobre a Montanha. E assim, no final do quarto dia de viajem desde que saíram do Reino da Floresta chegaram a Erebor.
Os anões de lá, quando viram irmãos feridos, sujos, e que obviamente estavam na estrada a muitos meses, logo vieram ajudar e perguntar o que acontecera. Quando o grupo informou que traziam a Pedra de Fogo, eles rapidamente foram levados a presença do Rei Dáin, que os recebeu como heróis. Ele sabia da missão deles, os corvos amigos do anões tinham lhe avisado. Mas, mesmo assim, fez questão de ouvir todo o relato do grupo sobre sua jornada. Dáin ofereceu aos heróis, pois era assim que os chamava, ouro como recompensa e uma estadia na morada dos anões por quanto tempo precisassem. "Finalmente a Pedra de Fogo chegou a Erebor. Ela trará luz para os filhos de Dúrin e aos homens de Dale!". No dia seguinte os anões da Montanha Solitária fizeram uma grande celebração junto aos homens de Dale, e a Pedra de Fogo fora colocada na entrada do Reino Sobre a Montanha, para que iluminasse o coração de todos que passassem por ali.

O Encontro dos Cinco Exércitos aconteceria em poucas semanas. Enviados de todos os povos livres daquelas terras se reuniriam para uma grande celebração e para discutir assuntos importantes a todos eles. A história de como a Pedra de Fogo chegou a Erebor como presente ao Rei Sobre a Montanha terminou aqui, mas muitas outras ainda serão contadas.

Essa história está sendo criada em uma mesa de The One Ring - Adventures over the Edge of the Wild. Cada sessão corresponde a uma parte da história, que se cria e modifica conforme todos os envolvidos decidem o que seus personagens fazem e como eles reagem.

Para ler a quarta parte dessa história, clique aqui.