terça-feira, 22 de abril de 2014

O que é mais importante, as Regras ou a História? Nenhuma das duas...

Há algum tempo, eu escrevi esta postagem falando sobre "ser ou não ser um Mestre Carrasco" que falava um pouco sobre respeitar o resultado dos dados, não salvar personagens só porque ele rolou mal um Teste de Resistência e coisas do tipo. Ao longo dos quase 3 anos desse blog, eu escrevi vários artigos falando sobre como eu gosto de utilizar o "poder oracular" dos dados para gerar coisas inesperadas e me ajudar a criar histórias de maneiras que eu mesmo não conceberia sozinho.

Algumas pessoas, no entanto, acharam que isso quer dizer que eu priorizo as regras do jogo ao invés da história e que a história é o mais importante no RPG. Em alguns comentários, eu até tentei explicar que não era nada disso mas não achava a maneira certa de explicar que eu não priorizo nem as regras nem a "história a ser contada". Hoje, eu posso me explicar melhor, eu priorizo a experiência acima de tudo.

No final das contas, para mim, não se trata de seguir cegamente as regras do jogo não importando as consequências. Nem, da mesma forma, ignorar essas mecânicas em prol de uma "história" pré-estabelecida em minha cabeça ou nas expectativas dos outros, mas sim de vivenciar uma experiência entre amigos e conhecidos, deixando-se levar para onde quer que ela nos leve, criando, por meio dela, algo que não criaríamos sozinhos.

Dessa forma, a história é apenas uma consequência dessa experiência. Elas não está planejada anteriormente e não há um desfecho certo para ela. Ao meu ver, prefiro encarar o RPG como um jogo de Criar Histórias a medida que o jogamos, a um jogo de contar uma história que eu acho que seria muito boa. Dessa forma, eu me surpreendo e divido as responsabilidades com outras pessoas e, ao meu ver, ela fica mais orgânica. Quando a história já vem pronta e eu tenho que apenas encená-la, me sinto muito limitado dentro do jogo .

E onde entram as regras nessa experiência? As regras são, justamente, um alicerce para proporcionar a experiência do jogo e permitir que algo surja dali espontaneamente. Elas, sem dúvida nenhuma, não são absolutas e devem ser seguida cegamente, mas possuem um propósito claro e devem ser usadas sempre que fizer sentido dentro do jogo. Através destas, a experiência do jogo vai criando e transformando situações em novos acontecimentos, dando rumos inesperados à história. Às vezes, isso pode levar a caminhos não benéficos aos personagens mas, ao meu ver, o interessante no RPG é justamente essa jornada, esse caminho, a experiência de jogo, não o destino e o final da história.

No entanto, como eu disse no parágrafo anterior. As regras não precisam ser usadas em toda e qualquer ocasião. Se, para você e seu grupo, algo precisa acontecer na "história" e você não quer que haja alguma chance das regras "atrapalharem" seu planos, ignore-as mas assuma que está fazendo isso. Uma ação simplória que não tem riscos interessantes não precisa de um teste de dados. O Mestre pode, simplesmente falar: olha, para a aventura continuar, isso aqui deve acontecer, ok? Então eu vou narrar o que acontece e prosseguiremos com o jogo logo em seguida. Pronto. Mas, se os dados forem usados e os jogadores puderem agir independentemente e inteferir com a cena, as regras devem ficar intocadas. Em suma, se for usar as regras em uma situação, respeite-as. Iludir um jogador de que as regras estão em efeito e elas não estarem em efeito quebra totalmente a experiência do jogo.

No final, as regras são apenas uma ferramenta para proporcionar a experiência do jogo e a "história" é, simplesmente, uma consequência dessa experiência. Se você priorizar qualquer um dos dois elementos em detrimento do outro, a experiência (que, ao meu ver, é a essência do RPG e o que mais me agrada nele) fica prejudicada. Espero que, agora, eu tenha deixado meu ponto de vista mais claro.

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