sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Leituras Inspiradoras - The Abominations of Yondo - Clark Asthon Smith

O RPG não seria RPG sem a literatura. Todos sabemos de jogos, aventuras, mecânicas e diversos outros elementos de RPGs que foram diretamente inspirados em obras literárias. Mas isso tem sido esquecido ao poucos, ou deixado de lado para influências mais diretas, atuais, e visuais, como videogames e outros jogos populares, como cardgames. Por isso, pensei em fazer alguns artigos com resenhas e reflexões sobre alguns contos e histórias que podem ser bastante inspiradoras para jogos de RPG.

Começo, então, por um dos primeiros contos escritos por Clark Ashton Smith, um autor da primeira metáde do século XX, contemporâneo e amigo de H. P. Lovecraft e Robert E. Howard. Eles eram o trio que liderava as histórias de ficção, fantasia, horror, e ficção científica na Weird Tales, e foram muito influentes, tanto na literatura, quanto nos jogos. Não é atoa que o famoso Appendix N do AD&D 1ª Edição é tão comentado, e alguns consideram uma leitura dele quase essencial para compreender o jogo completamente.

The Abominations of Yondo conta a história de um homem que fora banido e exilado por seus "crimes" de heresia por uma seita de sacerdotes malignos de uma entidade chamada Ong (que tem cabeça de leão), e colocado para andar em direção ao lendário e terrível deserto. O mundo pelo qual ele viaja e presencia é totalmente alienígena e estranho, como algo nascido de um pesadelo de uma pessoa louca. Você realmente se sente em outro planeta, presenciando uma cena fantástica e diferente.

As primeiras palavras do conto já indicam que aquele não é um deserto normal. As areias do Deserto de Yondo foram varridas e trazidas de outros mundos pelas ondas do cosmos. "Poeira cinza de planetas erodidos, as cinzas negras de sóis extintos", essas são as palavras que trazem para a nossa mente a imagem de um deserto estranho, mágico, e terrível. As areias não são amarelas, ou brancas. São escuras, cinzas, e o lugar assume uma aparência bem opressora.

A protagonista, que narra a história, começa sua viagem em uma floresta de cactus apodrecidos bem diferente, com a vegetação tomando formas estranhas, e algumas parecendo mais vivas do que as outras. Pouca informação é dada sobre esse personagem. Quem ele é, o que ele faz, ou o que ele fez para atrair a fura dos Sacerdotes de Ong permanece uma mistério ao leitor. O que sabemos é o quanto é árdua e pavorosa sua jornada. Criaturas aterrorizantes e estranhas habitam aquela floresta, e ele só sabe que deve seguir em frente, o mais longe que conseguir de seus algozes. O que é estranho, e levanta algumas perguntas sobre esse culto. Tudo parece tão terrível, mas para o narrador é menos pior do que ficar nas mãos dos Sacerdotes.

Depois de algum tempo, ele chega a beira da floresta como Deserto de Yondo. Ele para para se questionar se deve seguir em frente e retornar. Lendas e rumores sobre coisas terríveis e estranhas que acontecem ali passam por sua cabeça. Histórias de demônios, criaturas de outros mundos, desaparecimentos, e ruínas de civilizações antigas assombradas. Mesmo vendo o deserto de onde ele estava, nada parecendo estar vivo, ele achou que pudessem ser apenas lendas.

Não demora muito para ele começar a se arrepender de sua escolha. Ao começar a sua travessia, ele encontro cenas bizarras, montanhas em formas de esferas negras vindas de outros mundos, e criaturas deformadas e sinistras. São aberrações, mortos vivos, fantasmas, ilusões e outras coisas que ele não compreende. Como uma pessoas normal, ele foge disso tudo, apenas para dar de cara com uma nova ameaça, mais estranha e terrível que a anterior. Até que, por fim, ele desiste e revolver fugir correndo na direção que veio. A punição dos Sacerdotes de Ong, apesar de tenebrosa, parece uma alternativa melhor do que permanecer mais um dia fugindo dos horrores no Deserto de Yondo.

A história é bastante narrativa e descritiva. O "plot" é bastante simples e se resume a um exilado vagando por paisagens estranhas e confrontando cenas e criaturas dignas de um pesadelo muito estranho. Mas os encontros e a história em si são curtas. Cada cena, encontro, e criatura recebem poucos parágrafos de descrição, mas é uma tão bem feita e energizante que isso é os suficiente para prender a atenção na história.

De imediato, coisas que se pode utilizar dessa leitura para nossas mesas de jogo são as descrições dos locais, das criaturas, das cenas. Nós, como mestres, sempre ficamos divididos entre ser detalhistas e perder muito tempo descrevendo algo ao ponto de deixar os jogadores de saco cheio. Clark Ashton Smith acha um equilíbrio perfeito entre descrições completas e intrigantes e uma velocidade de narrativa impressionante. Além disso, as paisagens, o cenário, e as criaturas mostram o quanto um mundo de fantasia pode se distanciar do padrão tolkienesco e permanecer interessante e fantástico, e ainda ter um toque de horror sobrenatural bem interessante. Com certeza, algumas das coisas que eu li terão influência em um jogo ou em algum cenário que eu escreva.

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