quinta-feira, 21 de novembro de 2013

A Importância dos Encontros Aleatórios

Quem não tem lembranças divertidas dos tempos antigos em que encontros aleatórios eram regra nos RPGs? Eu tenho umas boas histórias para contar sobre isso, algumas terríveis mas engraçadas, mas outras que deram uma outra vida a aventuras mais paradas.

Para quem não sabe (sério?), encontros aleatórios eram uma ferramenta apresentada nos livros de RPG que permitia ao Mestre introduzir uma chance aleatória de acontecer encontros não planejados nas aventuras. Ou seja, ao invés de esperar que o grupo de aventureiros chegue até um local para que uma cena aconteça, existiria uma chance de cenas "surpresas" acontecerem ao longo do jogo. Eu adorava isso, e ainda adoro. Como mestre e como jogador, eu sei que todos na mesa estão sendo surpreendidos e estão tendo que lidar com aquele situação no momento. Só que esse tipo de coisa está desaparecendo nos RPGs atuais, movidos por um princípio de contar histórias, e narrativa construída para um fim, ao invés de aproveitar o meio (leia o artigo "Não é sobre o Destino, é sobre o Caminho").

Pensando nisso, e em reflexões a um bate-papo no Google+ eu resolvi escrever um pequeno artigo para falar da importância dessa ferramenta de jogo. É claro que, como qualquer coisa relacionada a RPG, ela não é para todo mundo e não se encaixa em todo estilo de jogo, principalmente aqueles mais heroicos e que tenham uma narrativa mais amarrada e definida.

1. Queima de Recursos: Os aventureiros, na maior parte das vezes, estão em um local perigoso, hostil, sombrio, e tem um tempo limitado para fazer o que quer que estejam fazendo. Uma das razões da importância dos Encontros Aleatórios é lembrar os jogadores disso. A cada encontro que resulte em um embate, ele irão perder recursos (seja PVs, sejam magias). Quanto mais tempo eles perderem tentando explorar cada aposento de uma masmorra gigante ao invés de focar no que eles realmente vieram fazer, mais recursos vão perder, já que haverá mais chances de Encontros Aleatórios.

2. Fator Risco: Ligado ao primeiro motivo, esses encontros deixam implícito um fator de risco nas aventuras. Sabendo da possibilidade de ocorrem cenas não programadas, com chance de resultar em combate com criaturas não planejadas estritamente como obstáculos pelo Mestre, os jogadores se veem forçados a lidar com surpresas, e o jogo adquire uma tensão que não existe quando eles sabem que as coisas só acontecerão quando eles entrarem em um novo aposento (ou quando o Mestre quiser). Além disso, normalmente, esses Encontros Aleatórios não se restringem a "encontros apropriados" ao nível dos personagens, o que torna o risco ainda maior.

3. Liberta o Mestre: Sendo um recurso das regras que livra o mestre da responsabilidade de determinar se um encontro acontece, ele fica livre para pensar em outras coisas do jogo, e cenas mais essenciais para a situação ou aventura. Isso torna esses encontros tão surpresa para ele como para qualquer outro jogador.

4. Torna o Mundo mais Real: Ao meu ver, as criaturas de uma masmorra, por exemplo, não ficam paradas no mesmo lugar o tempo todo esperando algo acontecer, ou um aventureiro entrar em seu aposento, para se mexerem. Com os encontros aleatórios os jogadores terão a impressão de o mundo está vivo, e se movimenta independente de suas ações. RPG não é igual a videogame, em que o mundo só é criado quando os personagens visualizam aquela parte do cenário (ou pelo menos não precisa ser).

Bem, essa é a minha visão sobre o assunto. Se usado com inteligência e consciência que nem todo encontro aleatório resulta em combate, essa ferramenta pode agregar bastante coisa a um jogo de RPG. E vocês? Qual a experiência que tiveram com essa ferramenta? Gostam de utilizá-la, ou preferem ter um controle maior do que acontece e quanto acontece em suas mesas?

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