sábado, 9 de novembro de 2013

Reflexões - "Não é sobre o Destino, é sobre o Percurso."

Há pouco tempo eu estava ouvindo o fantástico Podcast "Spellburn", dedicado ao Dugeon Crawl Classics RPG, e ouvi uma frase fantástica, com a qual eles associaram aos RPGs Old School: "It's not about the destination, it's about the ride". Traduzindo isso literalmente, seria algo como "Não é sobre o destino, é sobre o percurso". Ou seja, o importante é o caminho, o percurso, a experiência, e não o destino, o objetivo, a meta. E isso estalou vários pensamento e reflexões na minha cabeça.

Primeiramente é bom deixar claro que isso não é uma questão do jogo ser Old School ou não, embora alguns sistemas de regras realmente incentivem um tipo de pensamento e jogo mais focado no objetivo e evolução de personagens do que uma experiência de jogo. Mas, principalmente, isso é uma questão de mentalidade, de espírito de jogo, e pode permear os mais diversos aspectos de uma campanha de RPG. Nessa postagem vou tentar contextualizar e tecer alguns pensamentos sobre a aplicação dessa frase em diversos aspectos do jogo.

Criação de Personagens: A criação de personagem pode ser mais focada na experiência e na ideia geral sobre quem é o personagem do que nas suas estatísticas, poderes, e rumos futuros. Um jogo que tenha um sistema de criação de personagens mais caótico, e aleatório, tende a incentivar esse tipo de criação mais que um jogo que foca na customização profunda do personagem, e criação cuidadosa de suas estatísticas. Dessa forma, você tem uma experiência diferente na hora de criar o personagem, na qual o percurso e as surpresas que você sofre ao longo dela são mais significativas do que as características e poderes que você escolhe.

Evolução de Personagens: Ao invés de focar em quais habilidades pegar para conseguir aquela especialização "apelona", ou conseguir fazer aquele item que sempre quis, se preocupe mais em viver o momento do personagem do jogo e encarar sua progressão apenas como uma consequência natural da história. Aliás, é mais importante viver o momento da aventura do que ficar pensando no que vai se ganhar ao passar de nível ou coisa assim. Na hora de evoluir o personagem, pense nas mudanças e aprendizados que ele teve na aventura, faça que isso ocorra organicamente, e não force a barra para se chegar onde você quer simplesmente porque quer tal e tal poder.

Durante a Aventura: Durante a sessão, é importante ter a consciência de que a experiência e o cenário estão lá para serem explorados e que não são feitos sobre medida para os personagens. Dessa forma, coisas inesperadas podem acontecer. Finalizar, ou "Zerar" a aventura, conseguindo ou não os seus objetivos não é mais importante que experimentá-la e descobrir o que acontece nela, deixando-se surpreender. Mesmo tendo seu personagem morto, ou falhando na missão, se a experiência for interessante e divertido, isso é o que importa.

Criação de Aventuras: Já sobre a perspectiva do Mestre de jogo, caímos na questão de planejamento de aventuras. Dando uma maior importância ao caminho, à experiência, a aventura deve focar em uma situação, em um problema que vai de encontro aos personagens, sem apega ao desfecho da situação ou aos caminhos que eles podem seguir, deixando tudo isso aberto. Isso dá mais liberdade aos jogadores, permite que o mestre improvise e seja surpreendido, aumentando seu potencial de diversão.

Campanhas: Da mesma forma, quando se pensa em uma campanha com essa filosofia, a palavra "Sandbox" vem logo à mente. Ao invés de preparar um arco de história definido, no qual o mestre conduz os jogadores por um caminho já preparado, o jogo pode ser mais aberto, quando os jogadores que definem realmente o curso da campanha. Eles escolhem onde querem ir, o que querem enfrentar, pelo que desejam lutar.

Enfim, essa frase/pensamento pode permear o seu jeito de jogar de diversas formas. Ou não, se você não concordar come ela, claro. Sendo assim, queria saber qual o pensamento de vocês em relação a tudo isso. Faz sentido o pensamento da frase? Você se vê fazendo algo nesse sentido? Ou prefere mesmo algo como "o fim justifica os meios"?

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