terça-feira, 6 de março de 2012

Resenha - ICONS - Super-Heróis de Sábado de Manhã

Capitão Cactus estava descansando naquele dia. Na noite anterior tinha enfrentado diversos capangas do seu arqui-inimigo, o Camaleão Vermelho. Mas não hoje, hoje eles descansaria no seu lugar favorito, o deserto.

Nada como um banho de sol para recuperar as energias, ele pensou. Mas o que ele não sabia é que tudo aquilo era parte do plano do Camaleão, e suas férias na deserto seriam interrompidas drasticamente.

ICONS é um RPG de super heróis um pouco diferente. Ele é um jogo de heróis para toda a família. Do mesmo criador do Mutants & Masterminds, Steve Kenson, ICONS difere no estilo do jogo e nas regras. Ele usa o sistema FATE, simples, rápido de descritivo. Ele parece quase uma mistura do antigo RPG da Marvel com os novos jogos narrativos. É um jogo para aventuras rápidas, divertidas, com um toque de humor e modernidade.

O livro em si remete para essa aparência de super-heróis de quadrinhos humorísticos e para crianças, o que pode não agradar a todos, mas serve como uma boa introdução aos RPGs para aquele seu sobrinho que gosta de Ben 10. Há diversas ilustrações pelo livro, de personagens, cenas de lutas e vilões. O design do livro usa tipografias características do universo dos quadrinhos o que ajuda a entrar no clima.

Basicamente, tudo nesse RPG é medido em uma escala que vai de um a dez, sendo um e dois níveis bem baixos e seis sendo o máximo que um humano normal alcança. Dez é um nível absurdo em qualquer característica e é o máximo que você pode possuir, mas não alcançar. Quando um jogador faz um teste, e em ICONS apenas os jogadores rolam dados, ele rola dois dados de seis faces (um de cada cor) e escolhe qual deles é positivo e qual deles é negativo. Soma-se os dois e alcança-se um resultado que pode ir de -5 até +5. Esse resultado é somado à característica sendo testada e se compara o total à dificuldade, que pode ser determinada pelo mestre, pelo nível de habilidade de um oponente ou pelo teste de outro jogador. Uma coisa interessante sobre os níveis nas habilidades é que eles podem ser substituídos por palavras, por exemplo, nível um sendo fraco, o três mediano, o seis extraordinário, o oito lendário e o 10 cósmico. Fica bem legal em uma ficha ter escrito "Força: Colossal" ao invés de "Força: 9".

A criação de personagens padrão de ICONS é aleatória, feita com rolamento de dados em diversas tabelas. Há uma opção para utilização de pontos para comprar as características que quiser, mas a criação aleatória é bem divertida e produz personagens bem interessantes. Sem contar que é uma ótima ferramenta para quem não estiver com ideia do que quer fazer de personagem. Você sorteia tudo, atributos, poderes, especializações (que são como perícias) e até origem do personagem, que serão ótimas fontes de idéias para você defini-lo melhor. Isso pode criar personagens um pouco desequilibrados (mas não é assim nos quadrinhos também?), mas há um elemento no jogo que tende a equilibrar um pouco as coisas. Personagens com menos poderes possuem mais pontos de determinação do que aqueles que são mais poderosos, o que pode fazer grande diferença nos momentos mais críticos do jogo.

As habilidades (que seriam os atributos) são Prowess (que é a habilidade usada em combate corpo a corpo - equivalente a briga), Coordination (que seria coordenação, agilidade e destreza), Strenght (força, resistência, peso que consegue carregar, dano corpo a corpo), Intellect (inteligência, memória, raciocínio), Awareness (percepção e intuição), e Willpower (força de vontade, influência e resistência mental). Stamina que é o quanto de punição física você aguenta é a soma de sua Strenght com Willpower. As especialidades (specialties) funcionam como focus dos atributos, aumentando o nível deles quando a especialidade for relevante. Assim, um personagem poderia ter Prowess 3 e ser um combatente mediano mas ser um excelente espadachim possuindo a especialidade de espadas.

Quanto aos poderes disponíveis no jogo, quase todos os mais famosos estão por lá. Porém, de forma mais genérica. Customizações são possíveis com um sistema de bônus e defeitos em cada poder, fazendo eles valerem mais ou menos, mas a diferenciação de maneira geral é feita mais na descrição e aparência dos poderes do que seus efeitos. Assim, um personagem que consegue lançar raios laser dos olhos tem o mesmo poder daquele que usa pistolas de alta tecnologia. Ah, sim, não é feita essa diferenciação entre personagens que possuem os poderes de forma genética e aqueles que são capazes dos mesmos feitos por meio de equipamentos, ou seja, Batman pode ser tão super poderoso quando outros heróis. De qualquer forma, há bastante poderes que cobrem quase qualquer coisa que você possa imaginar. O foco do jogo é a narrativa e a velocidade das aventuras, então o fato de não haver um poder diferente para cada tipo de ataque de raios não deve fazer tanta falta.

Em seguida há um capitulo para criação da equipe de super-heróis. São definidos vários detalhes sobre o grupo como origem, determinação (que depende do quanto cada um do grupo é determinado), qualidades e desafios, recursos e outros detalhes. O grupo é de onde os personagens tiram suas forças, é através da união que eles são capazes de superar os desafios e isso é bem representado no jogo pelo investimento que cada um pode fazer no grupo e o quanto cada um recebe de volta.

O tempo é medido de forma muito similar aos outros jogos de RPG, mas aqui rounds são quadrinhos (panels), turnos são páginas (pages) e sessões são revistas (issues). Sendo um jogo mais narrativo e pouco tático a distância é medida em termos mais genéricos como pessoal, perto, longe, visual e além. O Capítulo da resolução de ações cobre uma série de situações como dano, recuperação, combate e iniciativa de forma muito rápida e simples. Em síntese as habilidades são comparadas, levando em consideração os rolamentos, e quem tiver o resultado maior, é bem sucedido. Lembra quando eu falei que apenas os personagens rolam dados, pois é. Se um vilão estiver tentando dominar a mente de seu herói fortão para usá-lo contra o seu grupo, você vai rolar Willpower contra o nível de poder dele. Simples assim.

Mas não é só isso. A determinação dos heróis pode fazer com que eles alcancem resultados que nunca conseguiriam normalmente. Resumindo, os personagens tem qualidades (que funcionam como vantagens mas que podem também ser usadas contra eles, por exemplo identidade secreta, motivação, jargão como "para o alto e avante") que quando relevantes para a situação podem ser citadas, permitindo o jogador a gastar um ponte de determinação. Isso funciona como uma reserva interior de energia, um último fôlego quando ele se lembra de quantas pessoas dependem dele e essas coisas. Além disso, personagens possuem desafios também (algo como desvantagens), que são coisas que limitam ou fazem com que o herói tenha pontos fracos. Quando elas são trazidas à cena, como a tia indefesa que cuidou dele desde criança, o personagem ganha determinação. Esses pontos tem várias utilidades pode todo o jogo, desde transformar rolamentos ruins em sucessos até modificar os poderes do personagem, permitindo que ele faça coisas que ele antes não sabia que conseguia fazer.

O capítulo para os GMs é bem tradicional mas possui dicas muito legais e úteis para o ICONS. Há um gerador aleatório de aventuras, com motivação para os vilões e objetivos. Muito bom para aquele jogo surpresa que ninguém esperava que fosse acontecer. Aliás, esse gerador é algo que pode ser usado para qualquer RPG que se queira fazer uma aventura rápida.

Por fim há uma séria de vilões prontos para usar e uma aventura pronta que serve como introdução às regras e ao estilo de ICONS.

Ao que parece, ICONS é um jogo bem legal para aquelas tardes preguiçosas e eventos de RPG no qual você quer se divertir com heróis que atiram vagões de trens nos vilões.O jogo é rápido, leve, engraçado e bem fluido. As regras não vão atrapalhar a diversão e vão servir como veículo da narrativa. Quem quiser conferir mais o jogo ele está a venda por cerca de oito dólares na RPGNow.

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