terça-feira, 20 de março de 2012

"Old School" não é Anti "New School"

Ultimamente tenho feito algumas postagens sobre RPGs chamados de Old School e acabei percebendo que algumas pessoas tem uma idéia equivocada desse tipo de jogo e das pessoas que curtem ele. RPGs Old School e os seus jogadores gostam sim de um estilo mais antigo de jogo, de regras mais simples mas não quer dizer que eles também não gostem de jogos mais novos. É importante entender que a afirmação de uma coisa não significa, necessariamente a negação de outra.

Eu mesmo, por exemplo, gosto e jogo RPGs considerados Old School, Indies e outros mais conhecidos (seria Main Stream o termo?). Atualmente tenho uma campanha de The One Ring (um RPG no mundo do Senhor dos Aneis que lançou agora em 2011), estou para jogar uma de Pathfinder e para mestrar outra de um Retro-Clone (não sei se Labyrinth Lord ou Adventurer Conqueror King System). Isso sem falar que de vez em quando jogo um Fiasco entre umas cervejas aqui em casa. Ou seja, gêneros e estilos de RPG totalmente diferentes convivendo pacificamente e eu gosto de todos eles.

É importante entender que as pessoas podem e devem gostar de coisas diferentes. Só porque alguém prefere um sistema ou tipo de jogo diferente não quer dizer que ela ache o outro tipo errado e uma abominação. Só porque eu curto Old Dragon, Swords & Wizardry e OD&D não quer dizer que eu abomine D&D 4th Edition. Aliás, eu tinha um blog só sobre D&D quarta edição, mas resolvi ampliar mais meus horizontes (nada mais saudável, não é?).

Mas, então, se o tal de Old School não é sobre a negação do "New School", sobre o que ele é? Ele é sobre permitir que pessoas que gostavam das antigas edições de jogos continuem jogando e recebendo suporte para suas campanhas nesses sistemas. Ele é sobre apresentar esses jogos, que já saíram de linha, para novos jogadores que nunca os conheceram e dizer "olha como isso aqui também é legal e diferente". Ele é sobre permitir que pessoas jogam da maneira que preferir jogar, seja jogando Old School ou não.

O movimento tem uma base forte em D&D por uma razão muito simples, a Wizards of the Coast criou uma licença chamada Open Game License, irrevogável, que permitiu que outras editoras publicassem material utilizando o sistema do D&D e até mesmo alterá-lo de certa forma. Isso permitiu que as pessoas voltassem a publicar material para edições que, talvez, jamais teriam voltado a luz do sol. Esses jogos, que saíram de linha por, ente outras razões, questões mercadológicas, agora podem ser jogados e apresentados a pessoas que não os conheciam ou nem sequer eram nascidos quando eles eram publicados.

Muita gente reclama que as edições são substituídas de forma muito rápida, obrigando os jogadores a comprar novos livros de poucos em poucos anos. Old School e Retro-Clones são justamente algo que diz não para isso. Não é porque uma edição ou sistema parou de ser publicado oficialmente que as pessoas precisam parar de jogar ele e jogar a nova versão. Da mesma forma, só porque saiu um jogo novo de corrida que você precisa parar de jogar Rock 'n Roll Racing ou Super Off-Road (eu adoro esses dois joguinhos). É claro que eu acho legal pra cacete os jogos mais novos também, mas isso não me impede de gostar dos jogos antigos, super divertidos, despretensiosos e simples. E assim é com RPG. Você pode gostar da opções táticas, de construção complexa e customizada de personagens e ao mesmo tempo gostar de um RPG que você role aleatoriamente algumas habilidades escolha uma classe e esteja pronto para um bom e velho "Dungeon Crawl" em cinco minutos. São estilos diferentes e pedem sistemas diferentes, nada de mais.

Enfim, acho que o grande barato desse movimento de busca e resgate de jogos antigos é permitir que jogos que, se não fossem por esse resgate, não seriam conhecidos por jogadores novos possam continuar a existir sem necessário suporte de uma editora oficial e continuar a conquistar novos e antigos fãs. Variedade e opção de escolha é sempre bom, não é?

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