quinta-feira, 22 de março de 2012

Crônicas da Terceira Era - Em Busca da Luz - Parte I


Demorou alguns dias para que a luz do sol tocasse as folhas das árvores de Mirkwood novamente. Era como se uma imensa mão negra estivesse cobrindo a floresta. Era claro de que o Inimigo estava agindo naquela região.

Klandrin estava a uns dez dias de distância dos Salões do Rei Elfo, ao sul, sem saber exatamente como chegara ali. Um ancião vestido em trapos e peles de animais, com uma longa barba cinza e marrom, o abrigara em sua caverna. Aquele senhor parecia saber alguma coisa sobre eles e seus amigos e disse que o ajudaria a reencontrá-los caso o anão se comprometesse a fazer-lhe um favor. Sem saber o que fazer e com um grande desejo de rever seus companheiros o guerreiro aceitou e após dois dias eles partiram em direção ao Reino da Floresta. A viajem foi demorada, pois tinham que andar com cuidado, evitando criaturas estranhas que agora andavam por aquela região.

Uma certa noite, enquanto descansavam sobre um grande carvalho com raízes que quase formavam uma pequena cabana. eles ouviram a aproximação de um ser humanoide estranho. Era uma criatura quase esquelética, careca, com uma pele cinzenta quase sem roupa nenhuma e grandes olhos brilhantes. Apesar de uma forma humanoide o ser andava apoiando-se com a mãos no chão e parecia ter um comportamento primitivo. Quando a criatura ficou bem próxima do esconderijo, Klandrin conseguiu ouvir alguns sussurros da criatura, que parecia falar sozinha. Eram palavras desconexas que se repetiam muito como "Pressciossso... Onde essstá?", "Bolssseirosss", "Maldisssção". O velho que acompanhava o anão disse que aquela criatura tinha enlouquecido e seu coração fora tomado pelas trevas, e que não seria bom confrontá-la, pois ele sentia que algo mais poderoso a procurava.

Demoraram dez dias para chegar até o reino dos elfos e ali o ancião deixou Klandrin. Disse para o anão que o procurasse assim que inverno acabasse nas margens norte do Lago Verde, no oeste da Floresta de Mirkwood, e desapareceu entre as árvores sem deixar sinais de sua passagem. Ao chegar aos Salões do Rei Elfo o herói percebeu que nenhum de seus amigos chegara, apesar de alguns sobreviventes do ataque das aranhas à Casa de Faerel já estarem lá. Nenhum deles vira seus amigos desde o ataque e um pesar cresceu no coração do anão. Depois de conversar com o Rei Thranduil sobre o que acontecera, Klandrin se viu tomado por uma melancolia que demoraria dias para passar.

Enquanto isso, Aerandir e Elmara se recuperavam dos gravas ferimentos que sofreram na luta contra os espectros que dominavam o corpo daqueles elfos nas catacumbas. Eles precisaram de sete dias até se sentirem seguros o suficientes para partir em direção ao Reino da Floreste, ainda não totalmente recuperados. A viajem demorou um pouco mais de duas semanas. O calor do verão passava e o outono se aproximava rapidamente, seco, escuro e com um vento gelado. A floresta parecia mais escura e silenciosa aqueles dias. Nenhum sinal de animais foi visto por todo o trajeto, com exceção de insetos escuros como mariposas e pequenas aranhas. Uma sensação de que algo ou alguém os observava a cada momento deixava os dois muito incomodados e os fez não querer descansar por muito tempo.


Assim que chegaram ao Reino da Floresta e encontraram Klandrin, descobriram que Drarin jamais chegara ali e tiveram certeza de que algo acontecera com o companheiro. A primeira reação de Elmara foi sair dali, imediatamente, e retornar para a floresta a sua procura. Mas alguém estava esperando por ela nos Salões do Rei Elfo. Ballared era seu nome. Um imponente Beorning de barba ruiva e cabelo desgrenhado. Não usava armadura apenas a pele de um grande urso sobre seus ombros um gigantesco escudo e um machado. Em seu rosto um ferimento que deixara um cicatriz.

Ele e Elmara já se conheciam. Ballared era um Beorning que, por acidentes do destino, passara alguns anos vivendo no oeste, com ajuda dos Dúnedain. Enviado por Elrond, veio para entregar uma mensagem e uma espada para a aventureira e para se oferecer para ajudá-la. Desconfiada, como sempre, a dúnedan só aceitou a ajuda do imponente beorning depois de ler a carta de Elrond. Se o Lorde dos elfos de Rivendell confiava nela, ela também confiaria.

Rapidamente, Elmara explicou o que acontecera na Casa de Faerel a o situação de Drarin. Com ele estava um dos Artefatos Negros de Angmar e, por isso, precisavam ter certeza sobre o que acontecera com o amigo. Todos arrumaram suas coisas e partiram de volta para aquela floresta escura. Antes, no entanto, viram que o lorde Sindorfin, também retornara da Casa de Faerel e não fez uma cara muito satisfeita ao vê-los ali.

O novo grupo, então, viajou por dez dias debaixo da escuridão da floresta. A mata estava estranha e sombras pareciam acompanhar o grupo em sus trajetória. Ventos gelados vindo do norte os pegavam de surpresa e dificultavam o progresso pelo leito do Rio da Floresta. Na última noite de viajem, um pouco antes de chegarem aos arredores de onde ficava a fortaleza, ouviram vozes graves vindo de trás de uma pequena colina às margens do Rio. Eram orcs, e eles tinham encontrado algo, um anão.

Imediatamente o grupo empunhou suas armas e se lançaram para cima das criaturas. Eram sete delas. Três goblins com arcos curtos e armaduras de couro, três lanceiros orcs usando escudos de metal tosco, e um grande orc, empunhando um machado e um grande escudo negro. Pegos de surpresa os inimigos estiveram em desvantagem. Isso sem falar que orcs não estão acostumados a lutar em florestas. Bellared provou ser um grande novo aliado, era forte e resistente.

O combate não demorou muito. Embora orc gigante fosse um oponente poderoso, os seus subordinados não eram um grande desafio para os heróis. E em pouco mais de cinco minutos a maioria deles jazia caído no chão. Um arqueiro goblin conseguira fugir, auxiliado pela escuridão da floresta. Agora poderiam ver o quem era o anão que aquelas criaturas acharam.

Quando viraram o corpo do podre coitado, viram o rosto de um amigo. Drarin estava morto. Estava sem sua mochila, mas segurando um cetro negro entre seus dedos já endurecidos. Em seu corpo flechas, que não eram de orcs e goblins. O que será que acontecerá com ele?


Essa história está sendo criada em uma mesa de The One Ring - Adventures over the Edge of the Wild. Cada sessão corresponde a uma parte da história, que se cria e modifica conforme todos os envolvidos decidem o que seus personagens fazem e como eles reagem.

Para ler outras partes dessa crônica ou outras crônicas, clique aqui.