sexta-feira, 30 de março de 2012

Crônicas da Terceira Era - Em Busca da Luz - Parte II


O coração de todos eles estava apertado e doendo. Seu companheiro estava ali, morto. Em seu último esforço ele conseguiu impedir que o cetro caísse em mãos inimigas, mas isso custara sua vida. Ficaram lá, alguns minutos, perplexos tentando entender como aquilo acontecera. Mas não tinha muito tempo. Aquela região, agora, estava sendo vigiada pelas sombras.

Já era noite, nenhuma luz, nem da lua, nem das estrelas penetrava a floresta. O ar estava pesado e gelado, deixando qualquer viajem na região mais cansativa. A companhia decidiu que seria mais seguro procurar um abrigo para seguir viajem pela manhã. Colocaram o corpo de Drarin sobre seu escudo e o carregaram para uma pequena caverna que encontraram em uma colina um pouco ditante da margem norte do Rio da Floresta.

Ali, sobre o abrigo das pedras e protegidos do frio e do olhar de outras criaturas, os aventureiros pensavam no que fazer em seguida. Se prosseguiriam caminhando até o Reino dos Elfos, por mais doze dias de viajem ou tomariam outra rota. Klandrin, então, teve a ideia de se construir uma pequena embarcação e, assim, viajarem mais rapidamente e por uma via mais segura e aberta. Começariam a construção da barca no dia seguinte.

A manhã chegou com uma neblina que cobria toda a floresta ao redor deles. Enquanto Elmara, Balared e Klabdrin procuravam por madeira e outros materiais para construir o barco, Aerandir ficou de vigia e explorou a área ao redor para ter certeza que estavam seguros. O dia passou devagar, e a todo momento, apesar de não virem nenhuma outra criatura, tinham a sensação de estarem sendo observados. Quando a noite chegou, infelizmente, tinham feito pouco progresso na construção da embarcação. Era difícil achar madeira utilizável naquela parte, a maioria estava úmida demais ou quebradiça. Ao anoitecer, o grupo voltou para o mesmo abrigo que passaram a noite anterior.

Mirkwood estava silenciosa e nuvens escuras se espalhavam pelo céu. Nem os costumeiros insetos negros que eram atraídos pela luz da fogueira foram vistos durante a madrugada. No dia seguinte, a companhia resolver procurar material para o barco em outra parte da floresta e teve mais sorte. Com os esforços conjuntos de Elmara, Balared e Klandrin, no final da tarde eles terminaram de construir a pequena barca que os levaria rio abaixo, em direção aos Salões do Rei Elfo. No entanto, preocupado com uma viajem pela noite, mais uma vez eles decidiram passar a noite no abrigo que encontraram há dois dias. Mas, dessa vez, a noite não foi tão tranquila.

Enquanto conversavam sobre a viajem de volta e os preparativos para um funeral a altura do herói e companheiro Drarin, Klandrin ouviu o barulho de gravetos sendo quebrados do lado de fora da caverna. Imediatamente todos pensaram que podia ser mais orcs, retornando com a ajuda do arqueiro goblin que escapara dias atrás. Logo descobriram que se tratava de outra ameaça, uma que eles já conheciam.


De repente, uma aranha saltou por sobre o teto da caverno e começou a descer sobre Galared, ela tentou aprisioná-lo em suas teias, mas o Beorning se defendeu com seu enorme escudo. Em seguida outras duas aranhas entravam pelas frestas da caverna, surpreendendo todos. Mas eles já sabiam lidar com aquelas criaturas, já enfrentaram dezenas delas, três míseras aranhas não eram páreo para aqueles heróis.

Em pouco tempo, aquelas criaturas jaziam mortas no chão e a companhia tinha sofrido apenas alguns arranhões. Mas agora aquele lugar fedia a sangue de aranha, o que não é nada agradável se você quer saber. Entretanto, enquanto tomavam folego e limpavam suas armas, tiveram mais visitas de oito patas. Aquele trio que enfrentaram antes eram apenas batedoras. Agora, dezenas delas se aproximavam, e pareciam famintas.

O combate se estendia por muitos minutos e, apesar da grande habilidade do grupo, o número de aranhas parecia quase infinito. Em pouco tempo eles se viram sobrecarregados de inimigos. Klandrin, em um momento desesperado, decidiu pegar a embarcação que construíram e levá-la para o rio. Seu companheiros perceberam que aquela podia ser a única saída deles também. Aerandir, Balered e Elmara conseguiram se livrar de algumas aranhas que os atacavam, pegaram o corpo do Drarin e correram na direção do anão.

Balared, no entanto, fora ferido na fuga e já sentia alguns efeitos do veneno paralisante da aranha, por pouco não conseguira entrar na barca antes que seus perseguidores o alcançasse. Eles já estavam no centro do curso d'água quando dezenas de aracnídeos chegaram às margens, amaldiçoando-os por terem escapado. A companhia não queria viajar a noite mas, naquele momento, não tiveram opção.

Já no barco, Balared sentiu os efeitos do veneno mas Elmara logo o tratou com ervas que tinhas recolhido da floresta anteriormente. A viajem até o Reino da Floreste demoraria seis dias por aquele caminho e eles evitariam ao máximo descer para as margens, pois sabiam que elas estariam sendo vigiadas.

Foram quase uma semana de provações. O frio, a escasses de comida, as corredeiras entre as colinas e a sensação constante de estarem sendo seguidos os acompanharam até chegarem aos limites do reino dos elfos. Lá, foram recebidos por sentinelas e perceberam como a floresta mudou desde que entraram no refúgio do povo da floresta. Ela não era tão escura, úmida e sinistra ali. Adquiria uma ar mais solene e pacífico.

Elmara, sabiamente, decidiu esconder o artefato. Para todos os efeitos eles não o encontraram com Drarin. A veradade seria contada apenas para o Rei Thranduil, assim como o estranho fato do corpo do companheiro ter sido encontrado alvejado de diversas flechas de fabricação élfica. A companhia tratou logo de levantar suspeitas contra a Casa de Sindorfin, mas sem nenhuma comprovação Thranduil não tinha certeza no que acreditar. Aquela casa já o ajudara anteriormente e se comprometera a ajudar a defender a Casa de Faerel, inclusive retornando da batalha trazendo diversos sobreviventes. Pediram, no final, que avisassem os magos que eles tinham o artefato em poder e que alguém deveria buscá-lo.

Depois de apenas poucos dias de descanso, os aventureiros decidiram que seria hora de partir para Erebor, antes que inverno chegasse. A jornada até a Montanha Solitária era tranquila e sem muitos obstáculos, fora as colinas que devia ser superadas. A chegada deles, trazendo um filho de Dúrin abatido em combate de forma heróica, trouxe muito pesar ao amigo Balin.


Uma grande cerimônia seria feita em homenagem a Drarin, o Portador da Pedra de Fogo. Diversas pessoas que conheciam o anão foram avisadas e compareceram à cremação de seu corpo, Anões das Montanhas azuis entre eles. Após, a companhia permaneceu em Erebor por um pouco mais de um mês, onde Klandrin pode se reencontrar com seu povo e aliviar uma angústia crescente em seus coração. Mais tarde, ao conversarem com o Rei Dáin Ironfoot, pediram para que ele espalhasse a notícia que tinham perdido o cetro que encontraram na masmorra da Casa de Faerel. Tinham a esperança que com isso conseguissem despistar a atenção do inimigo e o fizesse procurar pelo artefato em outro lugar.

Após um mês no reino dos anões, o iverno se aproximava e o grupo sentiam que a Escuridão se espalhava, cada vez mais espessa pelas Terras Ermas. Será que haveria tempo de esperar que um dos magos viesse ao encontro deles?

Essa história está sendo criada em uma mesa de The One Ring - Adventures over the Edge of the Wild. Cada sessão corresponde a uma parte da história, que se cria e modifica conforme todos os envolvidos decidem o que seus personagens fazem e como eles reagem.

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