quarta-feira, 29 de maio de 2013

Criando Protagonistas para uma mesa de RPG

Criar personagens de RPG é fácil, não é? Basta rolar alguns dados, fazer algumas escolhas, distribuir alguns pontinhos, gastar o "dinheiro" inicial comprando equipamento e pronto! Teoricamente é só isso, mas na verdade, pode ser muito mais.

Normalmente, personagens de RPGs são aventureiros, homens de ação, aqueles que estão no lugar certo, na hora certa, e com disposição e coragem para fazer algo. Eles não são pessoas comuns que apenas fazem o seu trabalho do dia-a-dia e e de repente se encontram em uma situação diferente (sim, isso pode acontecer, mas no fundo, o personagem sempre esteve pronto para mais). Muitas vezes vejo pessoas falando que seus personagens não tem motivação para participar dessa ou daquela aventura, e que o mestre não sabe fazer uma aventura por causa disso. Mas nem todo mundo percebe que essa também é uma responsabilidade dos jogadores, a de criar personagens com auto-motivações, que queiram se envolver, e queiram algo mais.

Pensando nisso, e me inspirando na leitura do Little Fears, resolvi escrever uma lista de algumas características e dicas para os jogadores levarem em consideração na criação de personagens que devem ser os principais da uma história.

Proatividade: Pense em personagens que queiram estar se envolvendo nas situações, que estejam sempre buscando algo mais, e que tenham motivos para não se contentar e ficar parados. Os protagonistas de uma história precisam fazer a diferença, e para continuar sendo protagonistas durante uma campanha toda, eles devem ter uma motivação para continuar sempre em frente, em busca de mais aventuras. Uma história sobre comerciantes que estão totalmente satisfeitos com a vida que tem e ignoram as lendas e rumores sobre coisas perdidas, tesouros escondidos e ameaças rondando as suas cidades não é tão divertida.

Destaque-se em Algo: Pense em algo que faça seu personagem se destacar dos outros. Porque ele é especial, e dê vida a essa característica. Não pense nela apenas como a característica na qual você vai investir mais pontos e montar combos. Pense qual o significado dela para o personagem. Porque ele é bom naquilo? Como ele utiliza aquela habilidade? Ele tem consciência de que isso é bom? Ele se acha o melhor possível ou pretende melhorar? Ele tem um mestre? Um rival? Contextualize suas qualidades!

Seja Incompleto: Crie um personagem incompleto, que precise de algo, que sinta a necessidade de mais. Um personagem que não tenha esses "pedaços" faltando não tem espaço para crescer e se desenvolver, nem muito menos terá muitas razões para ir em busca de aventuras, e se envolver em mistérios e outras coisas que pessoas normais ignorariam. Bons protagonistas, principalmente para campanhas de RPG, estão sempre querendo algo mais, algo além, e nunca estão satisfeitos com o que têm.

Tenha Fraquezas: Como o RPG é um jogo colaborativo e social, onde, geralmente, você joga em conjunto com outras pessoas, é de bom grado que seu personagem tenha fraquezas que precisem de companheiros para ajudá-lo. Isso permite que cada jogador tenha um papel no grupo e chance de se destacar, sem contar que personagens com fraquezas são muito mais humanos e identificáveis. Escrevi uma vez uma postagem sobre isso, e de como é legal criar personagens com defeitos como eu e você.

Esteja na Narrativa: Por fim, quando estiver jogando com o seu personagem pense como se fosse ele, aja como ele agiria na narrativa e não em termos de jogo. Haverá situações em que você sabe que uma escolha seria mais vantajosa em termos de jogo, mas que seu personagem tomaria uma decisão diferente devido a sua personalidade e conhecimento limitado. Este é um jogo de se criar histórias e não um jogo de competição para ver quem cria o personagem mais forte (até porque, se fosse, o Mestre do jogo ganharia sempre).

Enfim, fazer um personagem para um RPG pode (ou talvez deva) envolver mais do que preencher uma ficha. Ele precisa fazer parte da história e querer se envolver com ela. Ele precisa ser digno de ser um protagonista e não um mero espectador.

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