sábado, 11 de maio de 2013

Entrevista - Luciano Dodaro, Fundador do Dungeon Carioca


Estamos em maio, e há exatos um ano começava a rolar um encontro de RPG aqui no Rio, que acabou se tornando o maior e mais bem sucedido do Estado. Para quem não sabe, estou falando do Dungeon Carioca, que acontece religiosamente todo último domingo do mês, lá na Barra da Tijuca (atualmente no Centro Empresarial Barra Shopping).

Então, para comemorar, resolvi fazer uma entrevista com o cara por trás de tudo isso, que teve a ideia e botou a mão na massa para que o Dungeon Carioca se tornasse realidade. O nome dele é Luciano Dodaro, um cara que chegou na furtividade e transformou, totalmente, a rotina dos RPGistas Cariocas, e até mesmo, uns fluminenses que vem prestigiar o encontro. Bem, chega de blá, blá, blá, né? E vamos direto às perguntas.

1. Luciano, você é um cara que tem feito bastante coisa pelo cenário de RPG aqui pelo Rio de Janeiro, mas nem todo mundo conhece os bastidores do que tem rolado por aqui, então você pode falar um pouco de você, se apresentando, e falando da sua história com o RPG?

R: Bom, Diogo. Primeiramente é um prazer falar para o “Pontos de Experiência” e agradeço pela oportunidade. O RPG começou na minha vida numa idade meio universal pra todo mundo que entrou nesse universo fantástico na década de 90. Foi na adolescência, quando tinha uns 15 pra 16 anos. Mas ao invés daqueles livros aventura que fez parte do começo de muita gente, eu ganhei do meu pai um “Dragon Quest”. Fiquei maravilhado! Meu pai falou que era um jogo para quem gostava de ler e que exercitava a criatividade. Ele sempre foi preocupado com isso. Aquelas miniaturas, dados diferentes, cards e tabuleiro, me deixaram maluco. Daí foi um pulo para comprar os livros base de AD&D, e os populares de terror da época: Vampiro, Lobisomem e Mago. Naquela altura eu já tinha um grupo fixo de amigos, e o RPG realmente me apresentou todos os padrinhos do meu casamento, e amigos fiéis até hoje, mesmo morando em outro estado.

2. E hoje em dia, você costuma jogar RPG com qual frequência? E que jogos você costuma jogar?

R: Costumo jogar pelo menos 1 vez por mês (sem contar a Dungeon Carioca). Pode parecer (e é) muito pouco, mas quando se trabalha, estuda, tem família (com filho pequeno), realmente já é muita coisa. Principalmente quando sua esposa não curte muito o hobby (mesmo com incansáveis tentativas...risos). Mas assim, depois que meu filho crescer, a coisa muda de figura e serão dois contra um (risos). Atualmente, estou só com uma mesa de D&D (matando saudades), mas na época em que estive licenciado do trabalho, já tive mesas fixas de Old Dragon, Goblins em Campanha e algumas brincadeiras com narrativa compartilhada (Fiasco e Violentina). Todos sistemas que conheci, experimentei, e gostei na Dungeon Carioca. Estou doido para voltar a jogar Mundo das Trevas, mas recebi meu Savage Worlds recentemente e é bem capaz de eu adaptar esse cenário de terror moderno a esse sistema. Mas uma coisa é certa: Ainda tenho muito para conhecer e experimentar e sempre que minha presença organizando o evento não se faz necessária, aproveito para fugir e jogar alguma coisa nova.

 3. Além de RPG, você tem outro hobby, como Card Games, Board Games, Quadrinhos, Cinema, ou algo assim?

R: Tudo pra mim serve de inspiração para o RPG. Esse sim é meu maior hobby. Até mesmo a vida real é uma grande inspiração. Então quando seu principal hobby é o RPG, todo o restante parece muito mais um complemento ou uma ferramenta desse hobby. Um exemplo disso é algo que gosto muito: Trilhas a pé na mata. Isso para mim é um exercício físico, mas inspirado em RPG. Sempre me imagino em alguma aventura, alguma quest, ou me sinto praticamente medieval quando estou fazendo trilha na mata. Todos os outros exemplos citados na sua pergunta, eu não considero hobby. Considero material combustível para um bom RPG (risos).

4. Você é um dos fundadores e o organizador do encontro Dungeon Carioca, o maior encontro de jogadores de RPG do Rio de Janeiro. Fale um pouco desse encontro, como ele funciona, como é a recepção do público, e como são os jogos por lá?

R: O encontro acontece geralmente no último domingo do mês na Barra da Tijuca, salvo algumas exceções, como foi o natal e ano-novo, por exemplo. O evento é criado na primeira semana do mês e os narradores cadastram suas mesas no mural do encontro no Facebook. Daí começam a interagir com jogadores, postar sobre suas mesas e contar os dias para o encontro acontecer. No dia do encontro, as pessoas vão chegando e conversando, trocando idéias, se confraternizando, e quem ainda não decidiu onde jogar vai conhecendo as mesas disponíveis e fechando participação no local. O encontro, além de fomentar o RPG, também permite conhecer gente nova e até mesmo reencontrar antigos amigos. É bem freqüente jogadores e narradores que já compartilharam mesas no passado, se reencontrarem. Isso é bem legal.

5. O Dungeon Carioca foi um projeto bem sucedido, que cresce a cada dia. Qual é a história por trás dele? Como você teve a ideia de fazer esse encontro, e como fez para ele se tornar uma realidade?

R: O Dungeon Carioca surgiu despretensiosamente do meu desejo de conseguir jogadores para uma mesa fixa, e como sabia que muitos outros também tinham esse problema, resolvi apostar no encontro. Porque não montar um encontro mensal onde além de jogar, poderíamos fazer amigos, contatos, e conhecer melhor pessoas para trazer à nossa mesa? Eu procurei então um amigo de longa data e longas mesas de jogo, Dock Nunes, e contei a minha ideia, perguntando o que ele achava. Imediatamente ele se apaixonou e comprou a ideia. Antes de eu chegar em casa daquele encontro, ele já tinha criado uma fanpage, grupo no facebook, email, twitter e tudo mais. Chegando em casa achei um grupo de um encontro que já acontecia há algum tempo na zona sul do Rio de Janeiro: O Saia da Masmorra. Entrei em contato com um dos organizadores, conhecido sob a alcunha de Brega Presley (risos). Ele e o pessoal do SdM me deram centenas de dicas. Me apresentaram pessoas e me forneceram contatos importantes. Foram de uma ajuda providencial.
Marcamos a data e pagamos pra ver. O que começou com 20 pessoas, hoje reúne perto de 100 e uma mobilização muito bacana na internet. O Rio de Janeiro já era muito bem servido de encontros, mas a região da Barra da Tijuca ainda era carente de um. Daí meus conhecimentos de marketing aliados a alguma rede de contatos, e MUITO suor e correria, me premiaram com apoios e patrocínios. As editoras compraram a ideia, e elas tem sido um importante pilar no sucesso do encontro. Mas o principal responsável pelo sucesso do Dungeon Carioca é seu público. Um público formado de jogadores e narradores fiéis que estão sempre sustentando a Dungeon Carioca. Também há muitos formadores de opinião que nos divulgam em seus canais. Colaboradores importantes que participaram do processo, ajudando a organizar, convidando amigos, oferecendo ajuda quando necessário e comprando a ideia do encontro, que é fortalecer e multiplicar o RPG. A comunidade de RPGistas gosta muito do Dungeon Carioca. Temos recrutado muitos novatos e apresentamos o hobby a muitas pessoas que não conheciam ou faziam algum juízo errado dele. Muitas pessoas dizem que eu fiz muito na história da Dungeon Carioca, mas de maneira alguma sou o responsável pelo sucesso. Amigos muito queridos e palavras de apoio, em conjunto com muitos feedbacks positivos e agradecimentos, foram o combustível para que eu continuasse tocando a Dungeon Carioca.

6. Agora o Dungeon Carioca cresceu e é mais do que um encontro de RPG. Agora temos um portal na internet, com um blog, podcast, videocast e outras coisas. O que a gente pode esperar de vocês? O que teremos mais para frente? Algum projeto novo?

R: Muitas dessas mesmas idéias que você citou ainda estão nascendo, se adaptando e em processo de testes. Depois que conseguirmos colocar esse portal 100% operacional, pretendemos seguir o curso de multiplicar e fortalecer o RPG, utilizando as mídias sociais para isso. Temos muitos projetos, mas que têm a necessidade de sigilo, pois não queremos estragar a surpresa. Além disso, colaboradores são muito bem vindos.

7. O Rio de Janeiro não tem um evento grande de RPG, com atrações de outros Estados, ou mesmo internacionais, estandes de editoras, palestras, e todas essas coisas há um bom tempo. Será que o Dungeon Carioca vai suprir essa falta algum dia? Tem alguma coisa em planejamento?

R: Pretendemos fazer um encontro de aniversário em 2014, dentro do mesmo nível que outros grandes encontros de RPG nacionais. Mas isso depende muito de apoio e ajuda. Minha licença saúde acabou e retornei ao meu trabalho regular. Isso vai me limitar um pouco, mas estou montando um time de pessoas de confiança e que não tem medo de trabalhar, para manter a Dungeon Carioca acesa e crescendo. E esse evento de aniversário em 2014 faz parte dos planos.

8. A Dungeon Carioca é famosa pelas suas parcerias com editoras, grupos, e blogs. Como vocês conseguiram essas alianças, e qual a importância delas para o Dungeon Carioca?

R: Como falei anteriormente, muito disso se deve ao apoio dos próprios participantes. Muitos deles são blogueiros, professores, ou simplesmente pessoas bem influentes em suas redes sociais. As editoras vieram bem no início e enxergam a importância dos encontros de RPG no cenário nacional. O Rio de Janeiro, além de visibilidade, tem um público muito consumidor do produto, e um monstruoso potencial adormecido (de pessoas que querem voltar ou conhecer o hobby). Logo, foi só mostrar isso com a força e o mote do Dungeon Carioca que as editoras logo se uniram ao time. A Dungeon Carioca conseguiu imbuir um sentimento mútuo onde editoras, blogs, outros encontros, e todos se uniram em prol de fortalecer o RPG no Brasil. Isso foi conquistado ganhando respeito, dentro e fora do Rio de Janeiro. Não vou esconder que muita inveja também veio de carona, mas se existe alguém que não considera ou respeita a DC e/ou seus organizadores, trata-se de uma parcela insignificante. Geralmente quem sempre quis estar na posição da Dungeon Carioca e seus colaboradores, mas não teve a mesma gana e vontade de trabalhar. A maioria maciça curte e constrói a Dungeon Carioca, sem preocupação de status. No fim das contas, a Dungeon Carioca é formada pela união de forças de todos os envolvidos. Todos são importantes nesse processo.

9. O lema do Dungeon Carioca é "Jogai e Multiplicai". Como você aconselha aos jogadores a fazerem isso? E qual a importância para dessa multiplicação para o RPG?

R: Eu sempre digo a todo mundo, RPGista ou não, que o RPG está presente em todas as esferas da nossa vida. Jogar RPG é simular situações da vida real. É óbvio que você não vai encontrar um Dragão ao sair de casa, mas a matemática e as regras de interpretação que seu personagem vai te exigir num desafio desses, na mesa de jogo, vai afiar sua mente na hora de lidar com um dragão da vida real (seu chefe, sua ex, e etc). Estou terminando meu curso de publicidade e desde o 1º período o tema da monografia já estava definido: O RPG na Publicidade. Ou seja, tudo é RPG. Quando você prova por A + B que isso é verdade, fica mais fácil multiplicar o RPG. Essa multiplicação é muito importante para desvincular uma imagem negativa que ainda permanece em alguns lugares e cabeças espalhados pelo país. Tal como, as vezes a melhor solução para inadimplência seja emprestar mais dinheiro, multiplicar o RPG vai trazer mais boas pessoas ao time e diminuir o impacto que as pessoas de mente pequena e atrasadas podem causar.

10. Por fim, você tem algum recado ou conselho aos jogadores que querem ajudar a fortalecer o RPG por aí?

R: Nunca deixem de jogar. Quando você não deixa de jogar, você está se ajudando e ajudando o RPG. E quando você passa esse conhecimento a outros, você está fazendo sua parte para imortalizar o RPG.

Gente, esse foi o Luciano Dodaro, um dos caras mais gente boa do RPG nacional, que está fazendo um trabalho super legal aqui no Rio de Janeiro, e tem grandes planos para o RPG no Brasil todo. Eu estou do lado dele, e vocês?

Para quem ainda não conhece, a Dungeon Carioca tem uma fanpage no Facebook, e um grupo de discussão lá também. Além do recém inaugurado portal.

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