Uma das coisas que eu acho que diferencia os RPGs Old School da maioria dos jogos contemporâneos é a maneira como ele encara a criação de histórias. De maneira diametralmente oposta, os jogos Old School não se preocupam com sua criação proposital, mas a encaram como uma consequência da experiência de jogo. Isso pode parecer não fazer sentido e ser ruim, mas essa metodologia se utiliza de algo inconsciente em todos nós para criar histórias.
Nós, involuntariamente, criamos linhas narrativas para com tudo o que experimentamos. Todos os eventos e experiência que vivemos não são programados e não foram pensados para se contar uma história. Aliás, se vivêssemos nossas vidas procurando formar uma narrativa deixaríamos de aproveitar muitos momentos e deixaríamos de experimentar muitas cosias já que elas não se encaixariam com o "plot" pretendido. Mesmo assim, é inevitável olharmos para essa série de eventos aleatórios de nossas vidas e enxergarmos uma narrativa neles, uma história. Essas histórias podem não ser particularmente interessantes para quem é de fora, mas elas significam algo para nós que a vivemos. E é mais ou menos da mesma forma que os jogos Old School lidam com a criação de histórias.
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sexta-feira, 27 de novembro de 2015
quinta-feira, 17 de setembro de 2015
Porque eu não concordo em cobrar jogadores por mesas em eventos de RPG no Brasil
Bem, deixei o título desta postagem o mais específico que eu pude para deixar as minhas opiniões mais claras possíveis. Isso porque, com certeza, algumas pessoas usaram como argumento o fato de que lá fora, em alguns eventos, as mesas são pagas, mas sem levar em consideração a realidade do hobby e dos encontros aqui e lá.
A verdade é que cobrar a um jogador de RPG para mestrar para ele em um evento aqui no Brasil, ao meu ver, é mais prejudicial ao hobby do que qualquer outra coisa, sem falar que é uma exploração do elo mais fraco do mercado, tendendo a piorar e dificultar o acesso das pessoas a um hobby já limitado. O que acontece lá fora em eventos como a GENCON não tem como se comparar ao que acontece por aqui. A estrutura, a organização, o espaço e a cultura lá são completamente diferentes.
Na GENCON: sim, as mesas na GENCON podem ser pagas, mas isso faz parte da organização geral do evento. Todas as mesas são registradas com meses de antecedência, informando quem vai mestrar (que podem ser autores de jogos, escritores de aventura e outros famosos), qual sistema, qual horário, a duração e tudo mais (incluindo o preço em tickets da própria organização do evento). Você agenda a partida muito antes de chegar ao evento. E chegando lá, você vai para uma sala onde tem somente mais uma meia dúzia de mesas, espaçadas, onde o barulho e amenizado. Isso tudo é institucionalizado, não uma pessoa qualquer que chega lá querendo cobrar porque acha que é melhor do que todo o resto que não cobra. Além disso, nesses encontros internacionais as mesas de jogo são apenas mais uma das atrações. Você pode passar os quatro dias da GENCON sem jogar nada e ainda ter muita coisa para fazer, ver, explorar (rola até show por lá). Ah, detalhe, pode haver mesas registradas com toda essa comodidade gratuitas também, e elas existem! Sem contar nos encontros que rolam após o horário da GENCON, onde você encontra autores, artistas e escritores e joga com eles de graça bebendo uma cerveja no bar.
A verdade é que cobrar a um jogador de RPG para mestrar para ele em um evento aqui no Brasil, ao meu ver, é mais prejudicial ao hobby do que qualquer outra coisa, sem falar que é uma exploração do elo mais fraco do mercado, tendendo a piorar e dificultar o acesso das pessoas a um hobby já limitado. O que acontece lá fora em eventos como a GENCON não tem como se comparar ao que acontece por aqui. A estrutura, a organização, o espaço e a cultura lá são completamente diferentes.
Na GENCON: sim, as mesas na GENCON podem ser pagas, mas isso faz parte da organização geral do evento. Todas as mesas são registradas com meses de antecedência, informando quem vai mestrar (que podem ser autores de jogos, escritores de aventura e outros famosos), qual sistema, qual horário, a duração e tudo mais (incluindo o preço em tickets da própria organização do evento). Você agenda a partida muito antes de chegar ao evento. E chegando lá, você vai para uma sala onde tem somente mais uma meia dúzia de mesas, espaçadas, onde o barulho e amenizado. Isso tudo é institucionalizado, não uma pessoa qualquer que chega lá querendo cobrar porque acha que é melhor do que todo o resto que não cobra. Além disso, nesses encontros internacionais as mesas de jogo são apenas mais uma das atrações. Você pode passar os quatro dias da GENCON sem jogar nada e ainda ter muita coisa para fazer, ver, explorar (rola até show por lá). Ah, detalhe, pode haver mesas registradas com toda essa comodidade gratuitas também, e elas existem! Sem contar nos encontros que rolam após o horário da GENCON, onde você encontra autores, artistas e escritores e joga com eles de graça bebendo uma cerveja no bar.
quarta-feira, 26 de agosto de 2015
O blog não morreu, só está em estado morto-vivo (temporário) - Notícias e Mortos-Vivos Alternativos
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| Arte de Rafael Balbi |
É importante ressaltar que esse período ausente não foi em vão e improdutivo no entanto. A tradução do Dungeon Crawl Classics RPG está no seu fim e só não foi terminada ainda por um motivo: O pessoal da New Order, que é a editora que trará esse jogo tão incrível para o Brasil (assim como trouxe vários outros) pediu para eu preparar um “Jogo Rápido” do DCC RPG nos moldes dos zines que são comuns lá fora. E foi isso que eu fiz nas últimas semanas (além, é claro de ter um filho que nasceu no dia 21 de agosto – isso mesmo, agora eu sou um papai jogador de RPG!).
Este Jogo Rápido terá todas as regras necessárias para se jogar uma aventura de nível zero no estilo funil de personagens, tão característico e aclamado do DCC RPG. Além disso, ele virá com uma aventura inédita e escrita por aqui pelo Rafael Balbi (com adições e modificações por mim) chamada Salada de Ratos. Está é uma aventura muito legal, com direito a todas as coisas de fantasia menos tradicional que o Dungeon Crawl Classics Role Playing Game exige! A intenção é ter uma quantidade impressa desse zine “Jogo Rápido” para distribuir no Wolrd RPG Fest desse ano e em outros eventos que rolarem por aí (e provavelmente em PDF também).
quinta-feira, 30 de abril de 2015
OSR - Os dois lados da mesma moeda...
O movimento Old School (OSR - Old School Renaissence) nasceu com a OGL e tomou força com a morte de Gary Gygax, motivando muitas pessoas a dar uma olhada para trás, para o começo do hobby (e em consequência ao D&D principalmente, pois ele sempre foi um ícone dele). Nesse tempo, diversos jogos foram publicados tentando se reproduzir versões clássicas de RPGs antigos, alguns conseguindo uma fidelidade espantosa diga-se de passagem, na esperança de recapturar a essência dos jogos de outrora e os tornar disponíveis aos jogadores de hoje em dia.
Mas a OSR não é só isso. Apesar de haver sim essa intenção de se reproduzir as regras e os tipos de aventura da década de 70 e 80, o movimento Old School tem um outro lado. Não um lado que olha para trás, mas um lado que olha para frente, e olha longe. São sistemas novos (embora com base nos sistemas antigos) que trazem uma jogabilidade diferente, novos cenários, aventuras inovadoras que fazem a OSR ser, além de um canal para se reviver o passado, de se inventar um futuro promissor para o hobby.
terça-feira, 20 de janeiro de 2015
No final, quem manda no jogo são os jogadores (+ um item mágico)
É muito comum no RPG nos referirmos a um de seus participantes como Mestre. Isso vem desde o começo do hobby e muitos jogos adotam esse terminologia como padrão, inclusive o RPG mais conhecido do mundo, o Dungeons & Dragons que se refere a ele como Dungeon Master (Mestre da Masmorra). De maneira geral, talvez a terminologia mais comum seja o de Mestre do Jogo, ou Game Master. Dessa forma, até parece que ele é quem comanda e controla todo o jogo, que manda na parade né?
Mas não é bem assim que as coisas funcionam. O Mestre de fato, tem algum poder sobre o jogo. Afinal, ele é, geralmente, aquele que o conhece melhor, sabe as regras, tem uma certa discricionariedade na aplicação das mesmas (interpretando como aplicá-las em cada situação), prepara aventuras, mundos e NPCs com os quais os personagens dos jogadores vão interagir e, de maneira geral, a palavra dele é a final sobre o que pode ou não acontecer na mesa de jogo. Mas falta uma coisinha nisso tudo aí: ele está ali para, primeiramente, entreter os jogadores em um jogo cooperativo de criar e vivenciar histórias.
Mas não é bem assim que as coisas funcionam. O Mestre de fato, tem algum poder sobre o jogo. Afinal, ele é, geralmente, aquele que o conhece melhor, sabe as regras, tem uma certa discricionariedade na aplicação das mesmas (interpretando como aplicá-las em cada situação), prepara aventuras, mundos e NPCs com os quais os personagens dos jogadores vão interagir e, de maneira geral, a palavra dele é a final sobre o que pode ou não acontecer na mesa de jogo. Mas falta uma coisinha nisso tudo aí: ele está ali para, primeiramente, entreter os jogadores em um jogo cooperativo de criar e vivenciar histórias.
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