quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Os Navegantes do Mar Sem Estrelas - Reporte de Sessão - Parte I

Começamos há quase duas semanas uma mesa de Dungeon Crawl Classics, um RPG "Old School" muito legal, inspirado nos mesmos livros que inspiraram Gygax e Anerson a criarem o D&D (para uma resenha completa, clique aqui). O jogo aconteceu online, no Google Hangout, usando o Tabletop Forge (embora a gente vá testar o Roll20 amanhã, próxima sessão). O mestre da mesa fui eu, com quatro jogadores (iríamos ter um quinto, mas devido a problemas de conexão, não rolou). Cada um deles controlou quatro personagens, todos eles de nível zero (ferreiros, coveiros, elfo advogado, fazendeiro de rabanete, entre outros). A aventura que jogamos é uma publicada pela própria Goodman Games, The Sailors of the Starless Sea (Os Navegantes do Mar sem Estrelas).

A premissa da aventura era a seguinte: Em uma pequena vila, próxima às fronteiras selvagens de um reino decadente, habitantes começam a desaparecer na madrugada. Rumores e boatos dizem que criaturas bestiais vindas das colinas a oeste da vila as levaram para o Forte Escuro, um local tido com amaldiçoado pelos habitantes locais. Os habitantes mais velhos da vila, incluindo o prefeito, Winsor Crisoff, lamentaram a situação, mas disseram que nada poderia ser feito, e nem deveria, a fim de não atrair a ira de qualquer que fosse o mal que habitava aquele forte antigo. No entanto, um pequeno grupo de habitantes e alguns elfos e anões de comunidades próximas resolveram que estava na hora de alguém dar um basta aquilo. Alguns motivados por honra, justiça, outros pelas lendas de que um grande tesouro de uma dinastia antiga se encontrava escondido no tal Forte Escuro, eles se armaram com o pouco que conseguiram e a bravura que ardia em seus corações para as colinas quebradas no oeste, alcançado a velha estrada que levava até os portões da antiga fortaleza.

Início da Aventura: A aventura começa com os personagens dos jogadores, um grupo de 16 aventureiros completamente inexperientes, de nível 0, sem treinamento em classe alguma, chegando ao final de uma velha estrada esburacada e quase toda tomada pela vegetação. Uma ravina separa a estrada dos portões do Forte Escuro, apenas transposta pelo que restou de uma desgastada ponte de maneira. Ao se aproximarem, uma cena horrível os aguardava, o corpo de dois homens estavam presos a grandes estacas, ao lado da ponte, por cipós espinhentos que penetravam o corpo deles e saiam de orifícios como boca, olhos e ferimentos. E o pior, quando Brandon Koin, o coletor de tributos que achou que encontraria riquezas ali, se aproximou dos corpos para ver quem eram, eles se animaram, como meio mortos, meio plantas e o atacaram, estrangulando-o em poucos segundos. Os outros, com o susto, trataram logo de sacar suas armas para tentaram acabar com aquela criatura bizarra. A sorte sorriu para eles, depois de ter gargalhado do coletor de impostos e aqueles monstros foram derrotados, fazendo com que seu corpos se abrissem e umas sementes gosmentas fossem espalhadas por todos os lados. O grupo tratou de recolher o corpo de Brandon para que nenhuma das sementes o infectasse e prosseguiu para a entrada da fortaleza.

O Portão: Agora, uma ponte velha e desgastada de madeira, por sobre uma ravina profunda, levava até o portão levadiço da fortaleza, flanqueado por duas torres. Sabiamente precavidos, cada aventureiro cruzou-a individualmente, começando pelos leves halflings até o mais gordo dos anões. A ponte rangeu bastante, mas causou nenhum problema. O portão levadiço a frente deles estava parcialmente levantado, mas, aparentemente, parecia seguro e emperrado. Isso até o primeiro deles tentar passar por baixo da grade. Imediatamente um som agudo, como de um pássaro gritando foi ouvido, vindo de dentro de uma das torres, e o portão caiu por sobre o pobre Glóin, um aprendiz de ferreiro. Com suas costas perfuradas ele morreu gritando de dor enquanto o resto do grupo juntava forças para levantar a grade. Era tarde demais para salvá-lo, mas o esforço deles permitiu que os 14 restantes adentrassem, finalmente o pátio do Forde da Escuridão.

O Pátio: Adentrando a fortaleza, com seu antigo muro de gigantescas pedras negras em ruínas, os aventureiros inexperientes chegam a um grande pátio onde veem uma série de construções em ruínas, com exceção de uma edificação com marcas de fogo e queimadura, feita da mesma pedra escura, próxima ao muro leste, e uma larga torre na interseção com o muro leste e sul. O terreno do pátio era coberto de uma vegetação rasteira, arbustos espinhentos e ervas daninhas. Um antigo poço podia ser visto quase no centro do local. No norte, a muralha desmoronara quase completamente, abrindo uma grande passagem que descia a colina. No nordeste uma enorme cratera se abrira, de onde uma fumaça mal cheirosa fluía. Um silêncio mortal tomava conta do local.

O Poço: Mesmo tendo ouvido um aviso de um velho caolho da vila, que dizia para se manterem longe do poço dentro do forte, um dos tolos "heróis" resolver averiguar o que havia ali. No entanto, ao se aproximar e olhar para o fundo do buraco, sentiu-se tonto, como se a profundidade e distância fossem dimensões que não fizessem mais sentido. O mundo ao seu redor foi se distorcendo e seu corpo caiu para dentro do poço. Apenas um grito foi ouvido pelo resto do grupo, de tão rápido como tudo aconteceu. Um grito, seguido de um grunhido...

A Torre: Agora com apenas 13 dos 16 corajosos que partiram da pequena vila, o grupo decidiu investigar a velha torre que ainda se mantinha de pé. De uma forma surpreendente, parecia que toda a sua superfície exterior era composta de uma única gigantesca pedra negra. A porta de madeira reforçada com ferro, estava emperrada, debaixo de uma estátua de um gárgula esquisito, com a aparência de um demônio anfíbio. Foi preciso o esforço de três dos homens mais fortes para botar a porta abaixo. Assim que a passagem foi aberta, um calor fétido saiu de lá, junto com dezenas de mosquitos e outros insetos nojentos. No chão, diversas peles de animais e humanoides estavam espalhadas, algumas em estado de putrefação. A luz pálida do dia penetrava o aposento apenas pela porta que abriram, e nas sobras olhos vermelhos de diversos formatos começavam a aparecer. De repente, um grande monstro com cabeça de touro e corpo humanoide saltou de uma escada em espiral no canto, com um machado em sua mão. A criatura deu um urro que foi acompanhado por outros que vinham da escuridão. Os aventureiros, então, correram para o pátio e bateram a porta da torre, que foi derrubada rapidamente pelas criaturas, que os seguiram, com um olhar fanático nos olhos. Um combate frenético aconteceu no pátio. Os aventureiros se espalharam por vários locais, o que acabou dividindo as bestas. Cada uma delas parecia o cruzamento de um ser humano deformado com algum animal, fosse touro, sapo, abutre. Eram seis no total, mas depois que o grande Homem-Touro foi morto (não antes de levar Nigel, o mercenário local, com uma machadada em seu peito), junto com outros dois monstros, os outros recuram para dentro da torre, desaparecendo. O Homem-Touro portava um machado de uma mão e um colar estranho de um metal avermelhado, com símbolos antigos e desenhos de caveira. Dentro da torre, após passarem alguns minutos revirando as peles fedorentas pelo chão, o grupo encontrou uma pedra solta que quanto levantada revelou um pequeno tesouro guardado, com moedas de prata, ouro e platina (moedas élficas), uma espada de mithril com a bainha encravada de gemas e um mapa de uma ilha distante. Na parede norte do aposento, viram que havia uma escada para baixo, rumo a escuridão do subterrâneo, e para cima a escada em espiral levava para o segundo andar da torre.

Segundo Andar da Torre: Ao subirem as escadas, o grupo encontrou cinco habitantes da vila presos em correntes e dois monstros bestiais se escondendo. O grupo conseguiu ser mais rápido que eles e os derretou sem muito trabalho, resgatando os pobres homens e mulheres ali presos. Mas aqueles eram apenas uma pequena parte da população que desaparecera, onde estariam os restantes?

A primeira sessão terminou nesse ponto. Dos 16 corajosos habitantes que resolveram explorar o Forte Escuro, apenas 12 ainda estavam respirando. Monstros bizarros e acontecimentos estranhos revelavam que nem todas as lendas e rumores sobre o local eram apenas superstições. Era bem possível que o lendário tesouro da dinastia antigo ainda estivesse ali, assim como o grande mal que amaldiçoava o local. Na sessão que virá, os corajosos habitantes provarão se possuem o necessário para se tornarem verdadeiros aventureiros ou não.

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