terça-feira, 14 de agosto de 2012

Crônicas da Terceira Era - Herumor - Parte II


Estava anoitecendo quando Klandrin, Balared, Mikayla e Pêpe chegaram à Casa de Beorn. Era o primeiro mês de primavera de ano dois mil novecentos e cinquenta da terceira era. A comunidade daquele povo parecia tranquila. Halfstat, o líder dos patrulheiros locais os recebeu de braços abertos. Eles trocaram algumas palavras e informações sobre o que estava acontecendo na região. Aparentemente, depois da grande batalha que tiveram com aquelas criaturas no norte, nenhum goblin das montanhas foi visto naquelas terras.

Ali, o grupo esperou por Elmara por duas semanas. Nesse tempo, andaram pelo Vale do Anduin ao lado dos guerreiros Beornings e se recuperaram do cansaço. Os campos estavam verdes e floridos, como se a vida estivesse com novas esperanças. Mas tudo aquilo, eles sabiam, podia estar fadado a desaparecer, caso o Inimigo obtivesse o que queria. Quando a primeira semana terminou sem que a companheira deles chegasse, Balared pediu para que Halfstat avisasse-a que eles foram para o Reino da Florestas, caso a dúnedan o encontrasse. O guerreiro Beorning fez com que os vigilantes das fronteiras do sul ficassem de olhos abertos para a chegada da patrulheira. Assim, os quatro aventureiros partiram para o norte, subindo o Vale do Anduin em direção aos Portões da Floresta.

Ao sul dali, alguns dias atrás, Elmara era colocada em um aposento, vendada e sozinha. O elfo Daloren disse a ela que em breve falariam com ela e seu destino seria decidido. Ela ficou esperando ali por horas, dias, ou apenas minutos, era difícil precisar. Um silêncio absoluto pairava no ar. Apesar disso, uma paz, e leveza tomavam conta do coração da aventureira.

Até que, de repente, sua venda cai e, diante de si, ela vê um alto e elegante elfo, um Noldor que emitia uma luz clara e confiante. "Meu nome é Celeborn, o lorde do Noldor na Terra-Média. O que trazes uma patrulheira até as portas de nossa morada?", disse o elfo, com uma voz clara, confiante e nobre. Elmara, que não era treinada na arte da etiqueta e maneiras de nenhuma corte, foi direito ao ponto. Ela disse que fora enviada por Elrond para buscar ajuda com os elfos dali. Disse ainda que as forças da Trevas estavam atrás de artefatos de Angmar e que ela e seus amigos estavam buscando esses artefatos para destruí-los, com a ajuda de Saruman, Gandalf e Radagast.

No entanto, Celeborn não pareceu se sensibilizar com os pedidos da dúnedan. O lorde disse que os Noldor e os elfos já enfrentaram por duas eras o Inimigo e que agora estava na hora de ir embora, para Valinor, de onde nunca deviam ter saído. Ele não acreditou também, que seu povo estivesse em ameaça. Como Elmara disse que fora enviada por Elrond, Celeborn achou muito estranho não ter sido avisado pelo Lorde de Rivendell. Por fim, Elmara pediu para que ao menos purificasse a Pedra Estrela, que usaram diversas vezes contra as Sombras. Mas Celeborn não respondeu a esse pedido, e a dúnedan começou a se sentir muito sonolenta, até que desmaiou de sono.

Quando abriu os olhos novamente, Elmara estava ao norte da floresta de Lórien, na margem lesta do Grande Rio das Terras Ermas, sem lembrança de nada do que havia ocorrido depois que adentrou a floresta. A pedra que carregava estava purificada e brilhante novamente e, assim, assumiu que obtivera a ajuda que tinha ido procurar. Voltou-se para o norte, para as terras dos homens da floresta e seguiu sua viajem, para encontrar seus companheiros novamente.

Longe dali, Klandrin, Balared, Mikayla e Pêpe chegavam aos Portões da Floresta depois de alguns dias de caminhada e escalada pelas colinas do Vale Norte do Anduin. O grande arco élfico que marcava a entrada na floresta estava coberto de um era escura. As árvores pareciam estar menos verdes e mais acinzentadas e praticamente não se ouvia o barulho de nenhum animal, mesmo estando na primavera. O Caminho dos Elfos, que cortava a parte norte de Mirkwood, até os Salões do Rei Elfo, foi transformado em um túnel escuro, já que as árvores de contorceram uma sobre as outras, encobrindo todo o caminho em uma sombra pesada.

Não importava que estava de dia, o grupo precisou acender suas lanternas para enxergar o trajeto. Lá dentro, era escuro como uma caverna, era como se fosse noite todos os dias, e era. Era difícil saber por quanto tempo tinham andado e quanto tempo ainda devia percorrer até chegar ao Reino da Floresta, já que não tinham nenhum referencial. Depois de algum tempo, eles começaram a perceber que entre algumas árvores, grandes teias de aranha se estendiam, brilhando contra a luz das lanternas que carregavam.

Entre as árvores um pouco distante do Caminho dos Elfos, Mikayla viu alguma coisa envolta em teias, como seu um grande animal tivesse sido capturado e envolvido por grandes aranhas. Embora a maioria não achasse prudente sair da trilha que seguiam para averiguar o que havia ali, a curiosidade do hobbit o levou para o local. Sem que o pudessem impedir, o grupo foi atrás do pequenino. No entanto, a corrida que fizeram fez despertar os habitantes locais que logo apareceram, como centenas de olhos vermelhos e brilhantes nas sombras. Eram dezenas de aranhas, que viam neles a oportunidade de um jantar variado.


Antes que pudessem sacar suas armas, as aranhas gigantes já desciam das árvores e avançaram sobre eles. Eram pelo menos duas aranhas para cada um dos aventureiros e eles podiam ouvir as vozes agudas de mais se aproximando. Se não fosse o grande número de inimigos, a batalha teria sido muito mais fácil para a grupo, mas não paravam de chegar aranhas e as teias delas iam envolvendo os heróis aos poucos. Mikayla e Pêpe foram aqueles que mais tiveram problemas e foram rapidamente cercados pelas aranhas. A elfa foi gravemente ferida por ferroadas dos monstros, mas antes que fosse levada pelas criaturas, Klandrin e Balared conseguiram salvá-la. Quando se viram livres dos gigantescos aracnídeos negros, o grupo fugiu, de volta para o Caminho dos Elfos. Correndo o mais rápido que podiam para se distanciar do local.

Nunca souberam por quanto tempo correram, já que não sabiam se era dia ou era noite. Mas quando pararam, exaustos, não ouviam mais o som de nenhuma criatura ao redor deles. Ali, no meio da trilha que seguiam, sentaram para descansar, torcendo para que nada, nem ninguém, os encontrasse. Foram horas, ou dias, até que se levantaram novamente. Ainda sem sinal de qualquer criatura viva. O coração de cada um pesava com um sensação de vazio e angústia naquela escuridão infinita. E assim, seguiram o caminho, sempre sem direção a terra dos elfos de Mirkwood.

Mais ao sul, Elmara cruzava a Velha Estrada da Floresta no Vale do Anduin, quando encontrou dois jovens Beornings que a reconheceram da última passagem dela por lá. Os guerreiros logo a avisaram sobre a passagem de seus amigos por aqueles terras e o destino que tomaram. A dúnedan, então, cavalgou mais rápido para o norte, apenas passando a noite na Casa de Beorn, para chegar à Floresta de Mirkwood o mais rápido que poderia. Não demorou muito para que ela alcançasse o Portão da Floresta.

Ao mesmo tempo, os quatro companheiros chegavam as terras do Reino da Floresta. Perceberam que os elfos estavam praticamente preparados para um conflito eminente, já que as aranhas, cada vez mais, se aproximavam do território deles. Assim que Legolas, o filho do Rei Elfo, viu Mikayla, pediu para que ela fosse se reportar a Thranduil sobre a missão. Imediatamente, a elfa deixou o grupo para se dirigir até os Salões do Rei, acompanhada pelo príncipe dos elfos de Mirkwood.

O aposento de Thranduil fica no interior de um grande complexo subterrâneo que misturava a arquitetura delicada dos elfos com cavernas naturais. O Rei, sentado em seu grande trono de carvalho vivo, recebeu a elfa e conversaram por quase duas horas. Ela contou sobre sua busca pelo Lorde Sindorfin e como o encontrou nos Campos de Lis, envolvido com as forças da Trevas. Contou sobre a aliança que fizera com a companhia de heróis e como Aerandir tinha sumido de repente naquele lugar maldito. O rei ficou decepcionado em saber que realmente um nobre elfo de Mirkwood havia cedido à Escuridão, mas agora admitia o erro que cometera. Uma nova lança forjada de prata dos elfos foi entregue a Mikayla e, a mesma, pediu para que fosse permitida a ela continuar com o grupo de aventureiros na missão de encontrar e destruir os Artefatos de Angmar, o que Thranduil concordou imediatamente.

Passaram-se cerca de dez dias até que Elmara chegou ao Reino da Floresta. Sua viajem por Mirkwood não fora tão agitada quanto a de seu companheiros, mas ele também sentiu as sombras que envolviam as árvores. Algo terrível estava se espalhando pela floresta. Nesse tempo, Mikayla visitou os antigos registros de seu povo a procura da localização do Pico Demunkir nas Montanhas Cinzentas. Sua pesquisa no entanto, apenas revelou a região em que o tal pico se encontra. Caso quisessem descobrir mais, provavelmente teriam que consultar os arquivos de Erebor.

Essa história está sendo criada em uma mesa de The One Ring - Adventures over the Edge of the Wild. Cada sessão corresponde a uma parte da história, que se cria e modifica conforme todos os envolvidos decidem o que seus personagens fazem e como eles reagem.

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