quarta-feira, 23 de março de 2016

Bruxos & Bárbaros - As Eras do Homem - Parte I

O homem caminha pelas terras de Anttelius há milhares e milhares de anos, mas ele nem sempre esteve por aqui. Antes dele, outros seres reinaram sobre este mundo, talvez com mais prevalência e atingindo realizações mais grandiosas e significativas que nós. No entanto, todos, invariavelmente, desapareceram e foram esquecidos. Talvez um dia retornem, e isso é um grande medo que consome a mente dos homens.

Os cronistas da Ordem de Mezzanthia dividem a história do mundo em 6 grandes Eras.

A Era da Escuridão

Antes do homem se levantar de suas raízes primatas, Anttelius era um mundo sombrio e escuro. Seres indescritíveis e alienígenas tinham impérios vastos e sinistros. Deuses inomináveis e antigos eram adorados com rituais macabros e sangrentos. Cidades construídas com uma geometria não-euclidiana, impossíveis de se compreender, se espalhavam pelas regiões selvagens como uma teia de aranha.

O domínio desses seres sobre a arte da feitiçaria era infinitamente maior que a de qualquer mortal, e o Império dessas criaturas foi construído e expandido com base nesta arte nefasta. Raças menores, incluindo nossos ancestrais, foram escravizados e usados como sacrifícios nas cerimônias dessas criaturas. Mas a ganância e soberba dos antigos imperadores de Anttelius chegou a um limite, teorizam os cronistas.

Os portais que estes seres abriam para outros mundos e os rendiam riquezas e segredos imensuráveis também foi o que os levou à ruína. Os cronistas acreditam que os mesmos seres que lhes forneciam poderes e magias foram os que os tiraram tudo e os arruinaram. Consumidos por uma sede insaciável de poder, estes seres tentaram usurpar o lugar das entidades extraplanares que os guiavam, e uma guerra começou.

O resultado são as ruínas e destroços deixados por todo o mundo de Anttelius. Construções e artefatos de natureza totalmente estranha ao ser humano. Coisas que nenhum mortal teria conseguido construir ou sequer explicar. Alguns temem o retorno desses seres, talvez adormecidos nas profundezas das catacumbas de suas cidades em ruínas.

A Era do Nascimento

Milhares de anos após o domínio das raças antigas e imortais sobre este mundo, o homem se levantou e começou a erguer o seu próprio reino sobre Anttelius. Ao olhar para o mundo, vazio e devastado depois da queda das civilizações antigas, o homem pode aprender muitas coisas com o que foi deixado para traz.

Em pouco tempo, cidades foram se reerguendo, agora sobre o domínio de mortais. Em toda parte do mundo, povos foram nascendo, influenciados em diferentes medidas pela herança deixada a era passada. Alguns deles abominavam tudo que veio antes, enquanto outros viam as ruínas e os artefatos deixados para trás como relíquias e fontes de poder e inspiração para erguerem seus próprios impérios. Dessa época, poucos relatos sobreviveram ao tempo, tendo em que poucos eram os povos que já tinham o habito de registrar seus feitos.

A Era da Grandeza

Nesta Era, muitos povos alcançaram um desenvolvimento pleno, dando origem aos ancestrais das diversas culturas de homens que conhecemos hoje. No sul, homens se organizaram em grandes tribos e comunidades ligados ao mundo natural. No norte gelado, um povo alvo venera o sol e a lua em gigantescas piramides de gelo. E por toda a parte, homens e mulheres se aglomeram em cidades reconstruídasd sobre as ruínas das antigas civilizações.

A cada século que passava, os povos de Anttelius redescobriam novas tecnologias e possibilidades. Reinos foram se formando a medida que as cidades foram se unindo sobre lideranças às vezes carismáticas, às vezes poderosas. Isso tudo até que um reino encontrou outro e a disputa por recursos e interesses se intensificou. As primeiras guerras de homens começaram nesta Era.

Por séculos, os povos humanos guerrearam sem nunca um se prevalecer sobre o outro, até o surgimento de Zartar. Zartar foi um Rei-Bruxo de um povo que ousou utilizar a feitiçaria que arruinou as civilizações antigas. Ele renovou as alianças com os seres extraplanares e utilizou seus segredos para vencer seus opositores. Em algumas dezenas de anos, Zartar dominou quase todos os outros povos dos continentes de Anttelius e um império surgiu.

A Era de Zartar

Zartar foi o primeiro Rei-Bruxo do Império que recebeu seu nome. Ele reinou por dezenas de séculos, tendo sua vida prolongada por rituais sinistros e acordos nefastos com criaturas de outros planos. Com ele, O Império de Zartar se estendeu por quase todo o planeta, escravizou diversos povos, cujo sangue alimentava a feitiçaria dos Bruxos e saciava a cede dos demônios que os serviam.

No entanto, o poder cegou o primeiro Imperador e um de seus aliados o traiu. Os estudiosos apontam um deu seus aprendizes e servos, que teria feito uma barganha mais vantajosa para uma entidade, como aquele que o traiu e tomou o poder, se tornando o segundo Imperador de Zartar. Foi assim que começou o grande padrão de sucessão dos Reis-Bruxos e as guerras de feitiçaria que ocorreram e podem ter sido uma das causas da decadência de Zartar.

Por Milênios, os Imperadores de Zartar dominaram Anttelius, cada vez mais se enraizando em acordos e barganhas com poderes mais sinistros e perversos. A disputa pelo poder entre os Bruxos do Império passou a dominar seus esforços ao invés do desenvolvimento da sociedade e da cultura. Zartar estagnou depois de milênios e a decadência tomou conta das cortes das maiores cidades do império.

O fim dessa Era se deu na total aniquilação e ruína da cultura de Zartar. Muitas teorias e lendas se formaram para tentar explicar o que, da fato aconteceu, mas a verdade talvez seja uma combinação de todos esses fatores. Uma das causas apontada é o levante dos povos escravizados durante milênios. Percebendo a decadência e o descuido de seus superiores, presos em uma batalha entre si próprios, os escravos usaram as armas que possuíam contra seus mestres, libertando-se de milhares de anos de opressão. Outra causa apontada é a liberação sobre o mundo de forças cataclísmicas sobre as quais os Reis-Bruxos não tinham como controlar e que causaram a ruína de Zartar. As entidades extraplanares se cansam até mesmo dos mais dedicados servos. Ainda há aqueles que dizem que, simplesmente, a hora da cobrança das barganhas feitas pelos bruxos do Império chegou, e o preço foi alto demais.

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