domingo, 15 de setembro de 2013

Como eu lido com Atributos Mentais e Sociais em jogos Old School

Arte de Jon Hodgson
Eu já vinha pensando nisso há bastante tempo e, se não me engano, o princípio básico sobre o que vou escrever aqui até está no Jogo Rápido do Bruxos & Bárbaros. Mas depois de uma conversa na internet sobre o que um personagem poderia ou não fazer devido a sua classe ou aos seus valores de atributos (veja bem, estou falando sobre um RPG similar às edições clássicas de D&D), me deu vontade de fazer uma postagem sobre isso.

Como muitos sabem, nesses jogos normalmente não há uma lista precisa de perícias, talentos, e outras coisas que definem exatamente todas as capacidades de um personagem. Além disso, muito se fala em desafiar além do personagem e suas estatísticas, o próprio jogador, e sua habilidade de jogo. Sendo assim, eu vejo certas estatísticas na ficha de personagem como meros elementos indicativos, mas não restritivos. Um personagem depende, para mim, mais de como o jogador o interpreta, de como ele faz as suas escolhas, do que o que está escrito na sua ficha. Assim, uma mesma ficha de personagem pode resultar em "pessoas" bastante distintas se dadas a jogadores diferentes.

Dessa forma, eu vejo os atributos mentais e sociais dos jogos D&Dísticos (geralmente Inteligência, Sabedoria, e Carisma), como apenas indicadores e potenciais, e que influencial só até certo ponto o desempenho de um personagem. Eles já tem seu papel dentro do jogo, e mecânicas representando esses papeis, bem estalecidos, e para mim só vão até certo ponto para definir as características mentais e sociais dos personagens. Dá mesma forma que o atributo constituição não define o quão corpulento você é, ou como você vai usar seu corpo criativamente, acredito que esses números não devam limitar o uso criativo do personagem pelos jogadores. Abaixo vou falar individualmente sobre cada um deles e como eu os vejo nas minhas mesas.

Inteligência: Esse é o atributo do conhecimento, memória, e compreensão de assuntos mais complexos. Em termos de jogo, esse atributo indica quantas línguas adicionais o personagem sabe falar, se ele sabe ler ou escrever, qual é a sua capacidade para aprender e conjurar magias, e é usado muitas vezes, para ver se o personagem sabe ou se lembra de alguma coisa, como uma lenda, um fato histórico e outras coisas. Mas para mim, as coisas para por aí. Eu não peço um teste de Inteligência para um personagem decifrar um código, responder a um enigma, ou resolver um problema. Eu peço para o jogador resolver isso com suas próprias habilidades. Será que isso é injusto? Não sei, mas eu não ligo. Acho muito mais divertido resolver isso com os jogadores deixando o dado de lado. Veja bem, eu encaro isso de uma forma bem objetiva. Um mago com inteligência 18 pode ter acumulado um conhecimento incrível, pode falar diversas línguas, e ser capaz de compreender as mais poderosas magias, mas na hora de resolver um enigma, ele pode se atrapalhar, pode ter um raciocínio não muito rápido e tal. Dá mesma forma, um bárbaro das estepes do norte pode não saber nem ler, desconhecer os anais da história, mas mesmo assim ter uma mente bastante afiada, perceber padrões facilmente, e outras coisas, não? Um jogador não tem como ter os conhecimentos sobre o cenário, decorar todas as lendas do mundo, e fatos históricos do cenário, mas ser capaz de raciocinar, decifrar enigmas e ter ideias criativas ele pode, daí a necessidade de ter um atributo mental para isso.

Sabedoria: Ela representa, geralmente, a força de vontade do personagem, sua ligação com o mundo ao seu redor, e sua compreensão de verdades universais e a fé. Em jogo ela tem a capacidade de lhe proporcionar bônus para resistir a magias, de dizer se o personagem é capaz ou não de se tornar um sacerdote e receber bençãos de seu Deus, e é usado para determinar o quão perceptivo é o personagem. Mas, novamente, para mim, isso para por aí. O jogador na minha mesa ainda vai ter que dizer onde ele está buscando por alguma coisa, ainda vai ter que usar o próprio bom senso pra decidir o que fazer, e a sua própria sabedoria para saber se uma pessoa está mentindo ou não é o que vai contar. De novo, isso é justo? Vai saber, mas acho bem mais divertido do que simplesmente rolar um dado e falar "você percebe que ele está mentindo". Enfim, acho que o atributo já possui usos o suficiente dentro do jogo, não precisando substituir um jogador naquilo que ele pode contribuir ao jogo.

Carisma: É aquele atributo que simboliza o magnetismo pessoal do personagem, sua capacidade de causar uma boa, ou má, primeira impressão, e sua aptidão para liderar e transpassar lealdade. No jogo, ela vai determinar o numero máximo de seguidores que o personagem consegue liderar, um ajuste de reação inicial para quando encontrar NPCs (tipo, primeira impressão), e um bônus ou penalidade inicial à lealdade de seus seguidores. Mas é por aí que paro também. Carisma é algo mais instintivo e potencial do que qualquer outra coisa para mim. Ele ajuda a determinar as condições iniciais de uma situação social, mas depois disso a responsabilidade é de cada jogador. Quando ele encontro o contrabandista com o qual espera negociar, o atributo ajuda a determinar a reação inicial do NPC, mas depois disso, vai caber ao jogador utilizar-se da situação ou alterá-la ao seu favor. A mesma coisa é com seus seguidores. Ele pode possuir a capacidade de atrair vários deles, mas a habilidade de mantê-los fiéis e liderá-los bem vai depender das ações que o jogador tomar.

Enfim, como eu tentei passar com isso, eu levo em consideração sim os valores dos atributos mentais e sociais, mas só até certo ponto. Depois dali, acredito que o personagem está na mão do jogador. Isso limita as possibilidades de alguns jogadores que não conseguiria fazer essas coisas sem contar com as "habilidades" de seus personagens? Pode ser. Mas para mim é muito mais divertido depender de outras coisas que não só os dados na mesa o tempo todo. Essa é a maneira certa de lidar com essas questões? De forma nenhuma. Talvez seja a maneira certa para mim, a qual eu me divirto mais, que acho mais interessante. E vocês? Como lidam com essas questões nesses jogos?

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