Eu me lembro, como se fosse ontem, a primeira vez que entrei em uma ruína infestada desses monstros bizzarros e terríveis. Tinha apenas 16 anos, uma aprendiz de coveiro, na pequena vila de Crisoff, perto da fronteira sul das chamadas Terras Civilizadas. A cerca de um dia de viajem de nossa pacata vila havia um forte antigo, em ruínas, de grandes muralhas feita de uma pedra escura, que não parecia originária de nenhum lugar próximo.
Lendas diziam que aquele lugar fora palco de um grande batalhe entre as forças da luz e das trevas, que no final deixou as ruínas amaldiçoadas. Por isso, ninguém chegava próximo delas. Uns diziam que espíritos do mal vagavam por lá e outros que demônios do caos rondavam aquelas ruínas. Durante centenas de anos, nossa pequena Crisoff viveu às sombras daquele lugar maldito, até que pessoas começaram a desaparecer de madrugada. Os boatos diziam que monstros, metade homens, metade animais, estavam pegando essas pessoas para devorá-las em rituais sinistros no antigo forte nas colinas. Os mais velho diziam que isso já acontecera no passado, e que era melhor deixar que as coisas seguissem seu rumo natural.
Mas eu e um grupo de mais quinze destemidos e corajosos habitantes locais decidimos dar um fim àquela situação. Então, armados com nossa coragem e alguma lâminas, seguimos a antiga estrada, agora quase toda retomada por uma vegetação espessa e espinhosa, até as colinas. Ao chegarmos a uma pequena distância das ruínas, tivemos uma visão terrível. Os corpos de duas pessoas desaparecidas estavam entre os espinhos. Nigel, um ferreiro da vila, ao se aproximar para ver quem eram os infelizes, foi surpreendido. Os tentáculos espinhosos saltaram para um ataque frenético, envolvendo o pobre ferreiro, e esmagando seus ossos com uma força bizarra. Foi o primeiro companheiro de aventuras que eu perdi, mas não foi, e nem será, o último.