segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Jogadores Têm o Dever de Jogar

Tempos atrás, li uma crítica de um famoso game designer (que é melhor permanecer anônimo) ao D&D, falando que o mesmo não faz sentido, e que não entendia como o personagem dele iria se aventurar mais, se na primeira aventura ele conseguira 200 moedas de ouro. Mais do que o que sua família conseguiria em toda sua vida.

Entretanto, este mesmo game designer gosta de falar sobre coisas como adequações do jogo à sua temática, espírito do jogo, compromisso dos jogadores com o mesmo, entre outras coisas. Só que quando se trata de um jogo com o qual ele não tem afinidade, ele esquece tudo isso facilmente.

E aí que mora o problema. No caso deste indivíduo, ele ignorou uma regra básica dos jogos de RPG, o contrato social. Os jogadores estão ali para jogar. Eles devem criar motivações para que seus personagens participem do jogo. No caso de D&D, os personagens não são pessoas comuns que ganhariam 200 moedas de ouro e se sentiriam completamente realizadas. Elas não iriam economizar e viver o resto da vida com essas moedas, mesmo isto sendo possível.

Personagens de D&D são aventureiros, baseados naqueles protagonistas da literatura de fantasia pulp. Eles ganham tesouros gigantescos facilmente, mas dão um jeito de perdê-lo com a mesma facilidade. Se ele tivesse feito um personagem coerente com a proposta de jogo, como um bom jogador faria, ele não teria esse problema. Ele gastaria essa grana com o que quer que fosse (equipamento, bebidas, prazeres, presentes para a pessoa amada), e voltaria para a próxima aventura em busca de mais ouro.

Quando um jogador se propõe a sentar-se a uma mesa com outras pessoas para passar horas jogando RPG, ele tem o dever se jogar RPG. Ele tem o dever de criar uma motivação coerente para o seu personagem participar da história que será criada no jogo.

Ele não pode ficar inventando desculpas esdrúxulas para não morder os ganchos de aventuras apresentados pelo mestre de jogo. Caso contrário, ele não está só perdendo o tempo dele, mas desperdiçando o tempo de todas as outras pessoas na mesa. E isso não é nada legal.

Assim, quando um jogador se sentar para jogar RPG, ele deve estar sempre pensando em porque ele está naquela aventura. Ele deve sempre estar pronto para criar uma motivação para fazer o jogo andar. Esse dever não é só do Mestre de Jogo.

O Jogador tem o dever se jogar. Não só por ele, mas por todos. Ao invés de perguntar ao mestre o porquê do seu personagem ir em uma aventura, pergunte a si mesmo. E, por favor, crie uma resposta.

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