sexta-feira, 17 de junho de 2016

Todos os Personagens são Neutros... Até que se Prove o Contrário - Regra Alternativa para Alinhamentos

Arte de Petter Mullen
A escolha de um alinhamento para o personagem logo no início do jogo é uma tradição dos jogos de fantasia que vem desde a sua origem em 1974. Inspirado principalmente na literatura de Paul Anderson e Michael Moorcock, a luta das forças do Caos e da Ordem, e a escolha de um lado desta disputa faz parte do personagem desde o início do jogo.

Além disso, o alinhamento geralmente é usado para definir a filosofia e o comportamento dos personagens também. Personagens ordeiros seriam aqueles que acreditam em união, prosperidade e nos valores coletivos acima dos valores individuais. Personagens caóticos acreditam na entropia, na mudança, nos valores individuais sobre os valores coletivos, doa a quem doer. Já os neutros, fazem uma ponderação, acreditam na individualidade mas não necessariamente sobre a derrota do coletivo. Mas no final das contas, raramente um personagem ordeiro é ordeiro 100% das vezes (afinal, o personagem é ordeiros, mas os jogadores são quase 100% das vezes Caóticos Neutros).

Isso me faz pensar, portanto, que uma boa opção seria fazer todo mundo começar com personagens Neutros. Já que essa é a natureza humana. Todo mundo tem momentos em que pensam mais no coletivo e momentos em que o ganho individual é mais importante. Os personagens só assumiriam alinhamentos bem definidos a partir do momento que fizessem algum pacto, acordo ou juramento para com alguma das forças da ordem, caos ou neutralidade (assumindo aqui jogos com esses três alinhamentos).

Clérigos, pela própria natureza da classe de personagem, já começam o jogo com um juramente para com uma dessas entidades e já teriam um alinhamento bem definido. Mas o resto dos personagens permaneceriam Neutros até que algo mudasse esta condição. Uma vez que algum deles assumisse um alinhamento, ele estaria comprometido com o mesmo e as entidades que o representam poderiam lhe fornecer favores em troca de lealdade. A cada favor ou dádiva, uma preço e um tarefa a ser executada (ou seja, uma ótima ferramenta para ganchos de aventuras, motivações e conflitos entre o próprio grupo).

No caso do jogo que eu mais jogo, o Dungeon Crawl Classics RPG, todos os personagens realmente começariam neutros, na aventura funil e continuariam assim mesmo quando assumissem classes de personagem, com exceção do clérigo, como acima. Para terem um alinhamento, teriam que passar por uma ritual de Ligação Patronal (que é uma magia para magos no jogo, que liga um mortal a um patrono sobrenatural). Talvez uma magia alternativa, similar a essa para clérigos ligando fiéis ao seu deus seja uma boa opção (e uma ótima ideia para o futuro zine de DCC aqui no Brasil).

Mas, mesmo assim, acho que isso pode funcionar em qualquer RPG OSR. Isso tornaria a escolha de um alinhamento algo mais significativo, valioso, e não só mais uma escolha obrigatória que acaba sendo ignorado pela maioria dos jogadores. Se alguém fizesse essa opção, teria que realizar algum feito, ritual ou missão para provar sua lealdade e ganharia algo em troca, mas de agora em diante teria que responder aos princípios daquele filosofia, ou consequências ocorreriam. Quem não quiser se preocupar com isso, permaneceria neutro (ou mesmo "desalinhado" como na famigerada 4ª edição).

Essa vai ser a minha visão e o meu uso de alinhamentos agora. O que vocês acham?

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